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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Assédio moral no trabalho traz graves danos psicológicos



Tão antigo quanto o trabalho, o assédio moral caracteriza-se por condutas que evidenciam violência psicológica contra o trabalhador. Eventuais brincadeiras, broncas e conflitos são normais no ambiente de trabalho, mas passam a ser considerados assédio moral quando se tornam sistemáticos. Essas atitudes podem causar graves danos psicológicos e físicos.

Expor o empregado a situações humilhantes, impor metas inatingíveis, negar folgas e emendas de feriados quando outros empregados são dispensados, agir com rigor excessivo ou colocar apelidos constrangedores no empregado são alguns exemplos que podem configurar o assédio moral. "Muita gente coloca como assédio um conflito que é de ordem pessoal, um desentendimento, um mal-entendido, que são eventos que podem causar dor e problemas, mas não constituem assédio moral", alerta o psicólogo e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Heloani.

O assédio moral, segundo ele, é a exposição sistemática do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas, que têm a intenção de desestabilizar a vítima. "O assédio faz com que a pessoa perca a autoestima, se sinta desqualificada, emocionalmente abalada. Muitas vezes, o objetivo é eliminar o sujeito do ambiente de trabalho, forçá-lo a pedir demissão", explica.

Apesar de inúmeras condenações na Justiça, algumas estratégias de motivação e cobrança de resultados que ultrapassam todos os limites éticos continuam presentes em algumas empresas. "Ainda hoje, funcionários que não cumprem metas são obrigados a se vestir de mulher ou de palhaço, a passar pelo corredor polonês, a usar capacete em formato de fezes e coisas piores", afirma o pesquisador. O assédio moral, segundo ele, não acontece em empresas com gestões ignorantes e despreparadas. "É nas grandes empresas, nas universidades, nos hospitais, nos órgãos da Justiça", revela.
 

Segundo o psicólogo, essa prática está, muitas vezes, diretamente relacionada à corrupção, seja na esfera privada ou na pública. "Já tivemos vários casos, por exemplo, de servidores públicos e também funcionários de grandes empresas que não aceitaram entrar em esquemas de corrupção. Esse indivíduo acaba se tornando uma persona non grata e uma forma de se livrar dele é assediá-lo moralmente. Chega a um ponto que ele não aguenta mais", conta.

Heloani, que estuda o assédio moral no trabalho há 17 anos e é uma das referências no Brasil, esteve recentemente na Universidade Estadual de Londrina (UEL) palestrando sobre o assunto. Na ocasião, ainda foi lançado o segundo volume do livro "Sociedade em transformação: estudo das relações entre trabalho, saúde e subjetividade", do qual Heloani é um dos organizadores.  

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Fonte:  Folha de Londrina

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