"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Assédio moral no trabalho: consequências psicológicas

Por: Ane Caroline Janiro

O assunto é delicado, mas para compreender bem seus aspectos, vamos primeiro falar sobre o que pode ser caracterizado como assédio moral no ambiente de trabalho:

É quando pessoas, ao exercerem suas funções profissionais, são expostas a situações humilhantes e/ou constrangedoras, de forma repetitiva e prolongada, normalmente em relações hierárquicas, ou seja, de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinados. Não deve ser confundida com uma situação pontual e isolada, “um dia ruim” ou um momento de estresse.

Basicamente, o assédio moral pressupõe que haja uma repetição dos eventos humilhantes; uma intencionalidade (que na maior parte dos casos é a de forçar o indivíduo a pedir demissão); uma direcionalidade, ou seja, uma pessoa ou um grupo é o alvo das contantes exposições vexatórias; uma temporalidade (o que significa que ocorre durante a jornada de trabalho e em um determinado período de tempo: dias, semanas, meses); uma degradação deliberada das condições de trabalho.

Mas é claro que devemos ficar atentos também às situações pontuais onde haja o constrangimento, o que também não deve ser permitido.

Consequências

Quando falamos em assédio moral no trabalho, falamos também de consequências e sintomas que normalmente não são associados a esses eventos de forma rápida e eficaz. Ainda, a cultura das empresas tende a menosprezar o sofrimento psicológico de seus funcionários, que raramente são acolhidos pelos programas internos voltados à saúde e bem-estar do trabalhador, o que agrava cada vez mais suas condições emocionais e queda na produtividade.

As humilhações sofridas no ambiente profissional tem como principais sinais o desenvolvimento de quadros de depressão (que podem desencadear também a Síndrome do Pânico), distúrbios do sono, palpitações, hipertensão, distúrbios digestivos, transtornos alimentares, dores generalizadas, alteração na libido, alcoolismo, tremores, Síndrome de Burnout, ideações e tentativas de suicídio. Ou seja, as consequências antes “invisíveis” podem chegar ao ponto de serem insuportáveis ao trabalhador que, em muitos casos, resiste em pedir demissão por medo, situação financeira desfavorável, sentimentos de culpa e incapacidade, entre outros.

É comum que a pessoa evite falar sobre o assunto e que assuma para si responsabilidades acima de suas capacidades, tudo porque internaliza as humilhações sofridas e pode passar a acreditar que o agressor tem razão em diminuí-la em suas habilidades e funções.

A perda da auto-estima então é a consequência mais frequente.

Apoio psicológico

É importante que a vítima do assédio moral no trabalho saiba que ela não é o problema e assim possa se munir contra as agressões, não de forma a “revidar”, mas sim buscando o apoio adequado. Uma das formas é buscando a orientação do Centro de Referência em Saúde dos Trabalhadores e relatar com detalhes os eventos de humilhação e constrangimento (se possível com anotações de datas e também com relatos de testemunhas que presenciaram ou que também sofreram as agressões) ao médico, assistente social ou psicólogo.

O papel do psicólogo neste caso é de grande importância, porque além de trabalhar com os sintomas já apresentados, ele irá também auxiliar na utilização de estratégias para lidar com o agressor. Irá ainda considerar os aspectos abalados da auto-estima do indivíduo, levando a uma ressignificação do trabalho na vida daquela pessoa (que pode ter sido comprometida seriamente em alguns casos).

Ao psicólogo inserido nas Organizações, cabe também o papel de observação atenta, já que é impossível separarmos as condições emocionais e psicológicas dos trabalhadores do bom desempenho de suas tarefas e da produtividade da empresa como um todo. Algo que, é claro, muitas empresas ainda precisam olhar com maior cuidado e seriedade.

Fonte:  Psicologia Acessível

Nenhum comentário:

Postar um comentário