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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um inimigo milenar que parece imortal

Por Fátima Miranda



Segundo definições do dicionário Houaiss, o assédio, no conceito amplo, é insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constante em relação a alguém. É entendido como importunação, insistência junto de alguém, para conseguir alguma coisa. E assediar significa perseguir com insistência, perturbar, aborrecer, incomodar e importunar.
Quando trabalhadores são expostos a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas no exercício de suas funções, durante a jornada de trabalho, configura-se assédio moral.
Com a ordenação de autoridades que estabelece os níveis de importância e poder, de forma que a posição inferior é sempre subordinada às posições superiores, é muito comum a ocorrência do desnecessário autoritarismo, onde o líder muitas vezes se esquece que os seus liderados são trabalhadores amparados por leis, tem direitos garantidos e devem ser respeitados.
As condutas que representam esse tipo de violência psicológica – o assédio moral – são diversificadas, complexas e muitas vezes, ocorre de forma silenciosa, camuflada e sutil, tornando-se de difícil comprovação.
O assédio moral tem encontrado espaço em toda a esfera laboral, acometendo trabalhadores do mais baixo ao mais alto nível profissional sendo uma “enfermidade” milenar no ambiente de trabalho, a qual é responsável por outras enfermidades que afetam a saúde física e psíquica dos assediados, comprometendo-os com terríveis consequências à vida pessoal, familiar e profissional.
Não são poucos os trabalhadores que afirmam ter passado por situações de constrangimentos e humilhações durante a realização de suas atividades laborais, muitos buscam reparações por vias judiciais enquanto outros submetem-se ao "jugo" desigual, calados, como ovelhas a caminho do “matadouro” por temerem o desemprego.
Segundo a Enciclopédia Livre Wikipedia são três, os tipos de assédio moral:

“Assédio descendente - É o tipo mais comum de assédio, se dá de forma vertical, de cima (chefia) para baixo (subordinados). Principais causas é desestabilizar o trabalhador de forma que produza mais por menos, sempre com a impressão que não esta atingindo os objetivos da empresa, o que na maioria das vezes já foi ultrapassado e a meta revista por seus superiores.
Assédio ascendente - Tipo mais raro de assédio, se dá de forma vertical, mas de baixo (subordinados) para cima (chefia). É mais difícil de acontecer, pois geralmente é praticado por um grupo contra a chefia, já que dificilmente um subordinado isoladamente conseguiria desestabilizar um superior. As principais causas são subordinados com ambição excessiva, onde geralmente, existe um ou dois que influenciam os demais, objetivando alcançar o lugar do superior e já tendo os subordinados como aliados, uma vez que estes o ajudaram a "derrubar" a antiga chefia, e, sentem-se parte do grupo de tomada de decisões.
Assédio paritário - Ocorre de forma horizontal, quando um grupo isola e assedia um membro - parceiro. Principais causas é eliminar concorrentes, principalmente quando este indivíduo vem se destacando com frequência perante os superiores.”
“ Assédio moral no trabalho pode ser entendido como toda e qualquer conduta – executada por meio de palavras ou mesmo de gestos ou atitudes – que traz dano à personalidade, dignidade ou integridade física ou psíquica do trabalhador, põe em risco seu emprego ou degrada o ambiente de trabalho.”
“No ambiente de trabalho público, historicamente alguns servidores tornaram-se chefes e não foram preparados e/ou capacitados para assumir a função e suas responsabilidades. Além desse despreparo, apesar de hoje o chefe dispor de um instrumento de avaliação de desempenho, existe uma cultura incipiente de avaliação o que compromete ainda a gestão de pessoas na organização. Essas peculiaridades do funcionalismo público, somadas à dificuldade das pessoas de lidar com pressões, a desresponsabilização de algumas chefias e a carência de capacitação a favor das atitudes e comportamentos positivos podem influenciar a ocorrência mais frequente, visível e marcante de assédio moral nas repartições públicas.”
Denuncie!
“O assediado deve ampliar seu espaço físico de denúncia não somente em seu habitat natural. Procure se munir de documentos, testemunhas, exames médicos, procure um advogado humanista, sério e cumpra o seu dever de cidadão e denuncie. É muito importante as provas documentais e presenciais, mas encontramos dificuldades, dos aspectos da presunção, instruindo o assediado a munir-se de provas para apresentar na justiça quando da postulação e como a mesma deve ser feita para não criar improcedência da ação. Portanto, Anote com detalhes todas humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário). Sua caneta é sua arma!
Dar visibilidade: Procure a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
Prevenir: Tente evitar o conflito, porque o prejuízo entre assediador e assediado, seja físico ou material, é irrecuperável. Se não houver saída, porque já existe uma determinação do assediador para desestabilizar sua vítima, sendo difícil impossível até evitá-lo, deve tomar certos cuidados, inclusive, nunca ficando sozinho com ele, pois você precisará apresentar na justiça provas testemunhais documentais e de pessoas para relatar os fatos, no mínimo duas pessoas. Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
Exija por escrito: Explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D. P. Ou R. H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio ou fax, guardando o recibo.
Procure Ajuda: De seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instâncias como médicos ou advogados do sindicato assim como Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
Recorrer: Ao Centro de Referência em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo. Você deve também tratar sua saúde, se fortalecer porque a sua luta é grande, e isso tem que deixá-la em condições favoráveis para se defender.” 
Nenhum trabalhador deve se calar diante de qualquer desrespeito aos seus direitos. Assédio moral é muito mais que uma perseguição ou antipatia, assédio moral é crime. Denuncie!

Fonte:  JusBrasil

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