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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Pesquisa revela que mais de metade dos brasileiros foi vítima de assédio no trabalho

O Tribunal Superior do Trabalho (STF) registrou pouco mais de mil processos de assédio no ambiente de trabalho em 2014. No entanto, uma pesquisa do site Vagas , divulgada em junho deste ano, revelou que esses números ainda estão distante da realidade: dos cinco mil profissionais entrevistados em todo país, 52% afirmam já ter sofrido algum tipo de abuso, moral ou sexual, mas apenas 12% denunciaram. 
Ainda segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados revelaram ter sido alvo de assédio moral e quase 10% de assédio sexual. Em ambas as situações, as mulheres são as vítimas mais comuns: elas correspondem a 52% dos casos de assédio moral e a 80% de assédio sexual. 
Caracterizado por uma repetição de ações que buscam constranger ou intimidar um funcionário, esses casos nem sempre dependem de relações de subordinação. “O assédio sexual, por exemplo, pode acontecer entre pessoas que ocupam o a mesma posição hierárquica. Independente das relações de poder, a empresa é responsabilizada pelos danos sofridos pela vítima”, explica Leone Pereira, coordenador Pedagógico da Área Trabalhista na Damásio Educacional.  
O Brasil não possui uma lei federal que criminalize o assédio moral, algo que faz com que a identificação dos casos seja muito subjetiva. Em um mercado de trabalho que exige cada vez mais dos seus funcionários, a linha entre cobrança por cumprimento de metas e um relacionamento abusivo pode ser tênue.
“O assédio moral pode ser interpessoal, mas também da estrutura organizacional. Ele causa o terror psicológico no ambiente de trabalho”, detalha Leone. Muitas empresas estabelecem metas inatingíveis, exigem o cumprimento de uma jornada de trabalho extenuante e colocam em situações constrangedoras funcionários que não conseguem os resultados estabelecidos.
O assédio moral também pode ser identificado quando o empregador, com o objetivo de fazer com que o pedido de demissão parta do funcionário, realiza uma série de ações para desestimulá-lo: diminui abruptamente suas atribuições, não o convoca para reuniões de seu interesse ou eventos sociais realizados para a equipe.
Assédio causa instabilidade emocional
Por ser um fator que desestabiliza o aspecto emocional, os abusos morais e sexuais podem interferir diretamente na qualidade de vida e nas relações interpessoais. A psicóloga do Hapvida Saúde Lívia Vieira revela que, com as frequentes humilhações e violência moral, a pessoa agredida se desorganiza emocionalmente. “Tais atitudes vexatórias atingem a dignidade e identidade do indivíduo, altera valores, causando danos psíquicos, interferindo de forma negativa na saúde e, se a pessoa não possuir o apoio necessário, pode vir a falecer, seja por suicídio ou por baixa imunidade, o que propicia o acometimento ou agravamento de doenças preexistentes”, explica.
Em situações como esta, que envolvem opressão e abuso, a recomendação é que as pessoas agredidas denunciem e busquem ajuda imediatamente, seja com a família, amigos ou órgãos responsáveis pela proteção dos trabalhadores. A psicóloga orienta a registrar, com detalhes, todas as humilhações, como dia, mês, ano, hora e local, bem como o nome do agressor e possíveis testemunhas.
Além disso, é necessário levar em consideração que a saúde e a qualidade de vida devem ser prioridades e, por isso, a possível estabilidade no emprego ou o bom salário não podem se sobrepor ao abuso. “As pessoas precisam priorizar a saúde, a felicidade, a satisfação pessoal. Trabalhar em local abusivo é o mesmo que se autodestruir psiquicamente, fisiologicamente e emocionalmente”, ressalta Lívia Vieira.

Assessoria


Fonte: ParaíbaTotal

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