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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mais de 1,5 de milhões de pessoas vítimas de assédio moral ou sexual no emprego

Estudo revela que 16,5% da população activa em Portugal já sofreu de assédio moral no trabalho. As mulheres são as principais vítimas, quer de assédio sexual quer de assédio moral.



Tanto homens como mulheres revelaram ter sido assediados sobretudo pelo superior hierárquico ou chefe directo e só depois por um colega.
Mais de 850 mil pessoas já foram assediadas moralmente no emprego e cerca de 650 mil foram vítimas de assédio sexual. As mulheres são as principais vítimas e os chefes os principais abusadores. Estas são algumas das conclusões do projecto de pesquisa "Assédio Sexual e Moral no Local de Trabalho em Portugal", desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), e da responsabilidade da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).
De acordo com os dados preliminares, foram realizadas 1801 entrevistas, que permitiram concluir que 16,5% da população activa em Portugal já sofreu, pelo menos uma vez durante a sua vida profissional, uma forma de assédio moral no trabalho.  Quer isto dizer que, possivelmente, 856.350 pessoas já foram vítimas de assédio moral, dado que, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a população activa nacional chegava às 5.190.000 pessoas no primeiro trimestre de 2015.
Por outro lado, o estudo aponta para que 12,6% da população activa já tenha sofrido, pelo menos uma vez, um episódio de assédio sexual no local de trabalho, o que pode representar 653.940 pessoas.  "Há de facto, no mercado de trabalho, um conjunto de práticas que no fundo atentam contra a dignidade das pessoas", apontou Anália Torres, coordenadora do estudo.
Segundo adianta, as mulheres são as principais vítimas quer do assédio moral, quer do assédio sexual, sublinhando que a constatação em relação ao assédio moral foi uma novidade. "Importa não negligenciar que os homens também são vítimas destas formas de assédio no local de trabalho, sendo mais frequente serem vítimas de assédio moral (15,8%) do que sexual (8,6%) ", lê-se no estudo.
Do total de inquiridos, 89 homens disseram ter sido vítimas de assédio moral e 48 de assédio sexual, enquanto 208 mulheres afirmaram ter sido vítimas de assédio moral e 179 de assédio sexual.
Já no que diz respeito aos agressores, tanto homens como mulheres revelaram ter sido assediados sobretudo pelo superior hierárquico ou chefe directo e só depois por um colega.  Tanto para homens (38,2%) como para mulheres (41,8%), a situação mais marcante ao nível da forma de assédio moral mais frequente é "ser sistematicamente alvo de situações de stress com o objectivo de levar ao descontrolo", aparecendo em segundo lugar a desvalorização sistemática do trabalho (homens 27%, mulheres 31,3%).
"Homens (83,1%) e mulheres (82,2%) são, fundamentalmente, assediados moralmente pelos patrões, superiores hierárquicos e chefes directos", refere o estudo. Segundo a coordenadora do estudo, em matéria de assédio sexual, as mulheres queixam-se mais dos contactos físicos (20,1%), das piadas sobre o aspecto (14,5%) e dos olhares insinuantes (23,5%).  Já os homens queixam-se das perguntas intrusivas ou ofensivas sobre a sua vida privada (22,9%), mas também das piadas sobre o aspecto ou olhares insinuantes que o fazem sentir ofendido (14,6%).
Também nos casos de assédio sexual, os agressores são sobretudo os superiores hierárquicos ou o chefe directo (homens 33,3%, mulheres 44,7%), aparecendo depois os colegas (homens 31,3%, mulheres 26,8%).  "A percentagem de homens que é assediado sexualmente é pequena, mas também existe e são maioritariamente assediados por mulheres, 65%, mas 35% também são assediados por outros homens", refere Anália Torres.
Os resultados finais do estudo são apresentados quarta-feira, no âmbito de um seminário internacional, que decorre no ISCSP, em Lisboa. 

Fonte:  P


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