"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Prefeitura apresenta cartilha sobre assédio moral

Uma cartilha sobre como identificar o assédio moral no ambiente de trabalho foi lançada nesta semana pela Secretaria do Trabalho e Emprego, dentro do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça da Prefeitura de Curitiba.
O assédio moral é todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a autoestima e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e de sua competência, implicando dano ao ambiente de trabalho, na evolução da carreira profissional ou na estabilidade emocional e física do assediado. O assédio é expresso por meio de atos negativos que podem ser desde atos a ataques verbais ou físicos, ou mais sutis, dissimulados e não declarados abertamente, mas capazes de causar sérios danos psicológicos à pessoa assediada.
A vice-prefeita e secretária do Trabalho e Emprego, Mirian Gonçalves, afirma que a prevenção ao assédio moral é feita através da divulgação de informações sobre o assunto, ressaltando os valores éticos e sociais que devem ser adotados no ambiente de trabalho, os direitos e deveres de gestores e trabalhadores.
Segundo a cartilha, a pessoa que se sente vítima de assédio deve agir com cuidado, evitando decisões precipitadas e sob pressão. Ao identificar se o caso constitui efetivamente assédio, é necessária uma investigação mais aprofundada da situação. 

O que não é assédio moral?

É muito importante diferenciar entre o que é assédio moral e o que não é.
Não é considerado assédio:
  • Conflito de ideias, opiniões, interesses, quando há igualdade entre os debatedores;
  • Estresse profissional provocados por eventuais picos de trabalho;
  • Más condições de trabalho, excetuando-se quando forem direcionadas a um único trabalhador;
  • Mudanças ou transferência de função, desde que não tenham caráter punitivo ou configurem punição;
  • Críticas ou avaliações sobre o trabalho executado desde que sejam fundamentadas e comunicadas de forma construtiva e respeitosa;
  • Exigência de produtividade, dentro dos parâmetros de razoabilidade;
  • Controle administrativo dos chefes sobre os empregados, desde que este poder disciplinar do superior hierárquico seja exercido de maneira adequada;
  • Má organização do trabalho e falta de comunicação, embora possam vir a favorecer a ocorrência de assédio moral.

Fonte:  BEMPARANÁ     


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Correios são condenados em R$ 1 mi por assédio moral

MPT no Distrito Federal e Tocantins

A Justiça condenou a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) ao pagamento de R$ 1 milhão por dano moral coletivo devido à prática de assédio moral organizacional. A decisão atende a pedido feito pelo Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF) em uma ação civil pública. Em caso de descumprimento, será aplicada multa de R$ 10 mil por trabalhador lesado. Os valores serão destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
De acordo com investigações do MPT, os empregados que sofriam processos disciplinares eram punidos antes mesmo do fim do procedimento, sendo afastados das atribuições rotineiras e alocados em um prédio apelidado pelos próprios funcionários de “Carandiru”. Em um período de seis anos, foram mais de 200 procedimentos disciplinares conduzidos dentro da Estatal.
Entenda o caso – A Associação dos Profissionais de Níveis Superior, Técnico e Médio da ECT denunciou ao MPT situações que caracterizam a prática de assédio moral nos Correios em razão dos processos administrativos disciplinares. O MPT concluiu que tais procedimentos não respeitavam o direito ao contraditório e à ampla defesa. De acordo com o procurador do Trabalho Valdir Pereira da Silva, que conduziu as investigações, além a demora na conclusão dos procedimentos e da arbitrariedade na aplicação de punições, a conduta dos Correios provocava temor nos funcionários, que se sentiam perseguidos, ansiosos e inseguros no ambiente de trabalho.

Processo nº 0000653-92.2014.5.10.000

Fonte: Olhar Jurídico

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Pesquisa diz que 52% já sofreram assédio no trabalho

Mas poucos são os que denunciam a agressão; medo é a principal causa do silêncio

 

Levantamento realizado pela Vagas.com, maior portal de carreiras do país e líder em soluções de e-recruitment, aponta que a maioria dos trabalhadores brasileiros (52%) já enfrentou situações de assédio moral ou sexual no trabalho. As mulheres são as maiores vítimas: dos indivíduos que declararam já ter sofrido assédio, 54,4% são mulheres e 45,6% são homens. Dos que sofreram assédio, 39,6% disseram que o episódio impossibilitou ou causou dificuldades na vida profissional.
O assédio moral, caracterizado por piadas, chacotas, agressões verbais ou gritos constantes, lidera a incidência de casos. Do total da base de respondentes, 47,3% declararam já ter sofrido este tipo de agressão. As mulheres são ligeiramente as mais afetadas e responderam por 51,9% dos casos relatados contra 48,1% no caso dos homens.
Já o grupo dos indivíduos que declaram ter sofrido assédio sexual, caracterizado por comportamentos abusivos como cantadas, propostas indecorosas ou olhares abusivos, somou 9,7% da amostra total. Neste caso, entretanto, as mulheres são as mais afetadas disparado. Do total de casos deste tipo de agressão relatados na pesquisa, 79,9% ocorreram com mulheres e 20,1% com homens.
A pesquisa revela ainda que 51,3% dos casos foram perpetrados pelo chefe direto do ofendido, 32,6% por superior hierárquico, mas não pelo chefe direto e 11,5% por funcionários do mesmo nível. Apenas 4,6% dos episódios foram ocasionados por funcionário de nível hierárquico inferior.
O levantamento coletou os dados em pesquisa realizada por meio eletrônico com candidatos cadastrados no portal, entre os dias 19 e 22 de maio. No total, o estudo avaliou os dados de 4.975 respondentes de todas as regiões do país. A amostra foi constituída por 50,7% de indivíduos do sexo masculino e 49,3% do sexo feminino. A maior parte dos respondentes (44%) está na faixa de 26 a 35 anos. O segundo maior grupo (27%) concentrou indivíduos entre 18 e 25 anos, seguido por indivíduos de 36 a 45 anos (19%).
No campo da escolaridade, 38,8% da amostra foi formada por indivíduos com segundo grau completos e formação universitária incompletos, 29,2% declararam ter formação superior completa e 16,6% da amostra foi constituída por pós-graduados (ver demografia completa na apresentação em pdf).

Como reage quem sofre assédio

87,5% não denunciam a conduta. Ou seja, apenas 12,5% declaram ter dado ciência dos casos às suas empresas,
39,4% não denunciam por medo de perder o emprego; o medo de represálias (31,6%), vergonha (11%), receio de a culpa recair sobre o denunciante (8,2%) e sentimento de culpa (3,9%) são as principais razões apontadas para evitar a denúncia,
12,5% decidiram fazer a denúncia. Destes, 59,9% fizeram imediatamente após o episódio e 40,01% levaram de 1 mês a três anos para tomar esta iniciativa, sendo que 25% o fizeram no intervalo de 1 a seis meses,
56,3% dos que não denunciaram permaneceram no emprego depois do assédio, 20,9% foram demitidos e 22,8% pediram demissão após as ocorrências,
20% entre os que denunciaram declaram ter sido demitidos após a iniciativa, 17,6% declararam ter sofrido perseguição e apenas 8,6% resolveram levar o caso à Justiça. Para 39,2% nada mudou após a denúncia,
74,6% dos respondentes que denunciaram disseram que o agressor permaneceu na empresa e apenas 12,1% declararam que o agressor foi demitido após a denúncia. Os que não sabem o que aconteceu com o agressor somam 11%. Os que informaram que o agressor pediu demissão somam apenas 2% do grupo dos denunciantes.

Fonte: BEMPARANÁ

quarta-feira, 17 de junho de 2015

BB é condenado por assédio moral coletivo

Em decisão unânime, TST negou recurso ao banco e manteve condenação em processo por danos morais coletivos

Em decisão unânime, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) negou recurso ao Banco do Brasil contra a condenação por danos morais coletivos referente a denúncia de vários casos de assédio na instituição. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (15) pelo site do TST.
Indenização de R$ 600 mil será direcionada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
Reuters/Pilar Olivares
Indenização de R$ 600 mil será direcionada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
A condenação veio do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO), que fixou a indenização em R$ 600 mil. A quantia que será direcionada para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
"O assédio moral nas empresas está muito disseminado em razão da falta de controle da condução de pessoas que estão em posição hierárquica superior e que, não sendo cobradas, acabam violando o direito de terceiros", afirmou o ministro Lelio Bentes, presidente da turma.
O Banco do Brasil manteve a linha apresentada em sua defesa, na qual enfatizou que não é omisso na apuração e no desestímulo da prática de assédio moral em seu quadro funcional. Em nota à imprensa, o banco disse adotar diversas práticas para coibir o assédio moral e que mantém uma ouvidoria há 10 anos, a caracterizando como um "canal permanente para acolhimento de denúncias e reclamações, inclusive de forma anônima (de funcionários do Brasil e exterior, estagiários, aprendizes, trabalhadores de empresas contratadas e sindicato)".

Denúncia e investigação

A investigação do caso, que culminou em uma ação civil pública, teve início com a denúncia de comportamento abusivo de uma gerente do banco em Brasília ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
O MPT relatou diversos procedimentos investigativos de assédio moral e de reclamações trabalhistas contra o banco como: retaliação a grevistas, descomissionamento como forma de punição pelo ajuizamento de ação judicial, isolamento de empregado portador de HIV e interferência na licença-maternidade da empregada dias após o parto.

Fonte: Economia

segunda-feira, 15 de junho de 2015

600 mil portugueses já foram vítimas de assédio moral no trabalho

Mulheres são as principais vítimas, mas a tendência está a mudar. Há cada vez mais homens vítimas de assédio moral, mas também sexual.



Em Portugal, 16,5% da população já sofreu, pelo menos uma vez durante a sua vida profissional, de alguma forma de assédio moral no trabalho. Feitas as contas, são cerca de 600 mil portugueses as vítimas de assédio no local de trabalho, um número que desce ligeiramente quando o assunto é assédio sexual: 12,6% da população activa em Portugal já foi vítima, pelo menos uma vez na vida, de alguma forma de assédio sexual no trabalho. Os dados constam do estudo "Assédio Sexual e Moral no local de trabalho em Portugal", coordenado pela professora Anália Torres e desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), que foi apresentado na semana passada.
Os resultados deste inquérito a 1801 pessoas mostram que ainda são as mulheres as principais vítimas tanto de assédio moral (16,7%), como de assédio sexual (14,4%). Mas importa, também, salientar que os homens são cada vez mais vítimas de assédio no local de trabalho, embora seja mais frequente serem vítimas de assédio moral (15,9%) do que sexual (8,6%).
Já no que toca às formas de assédio moral mais marcantes, para ambos os géneros, a situação mais frequente é ser sistematicamente alvo de situações de stress com o objectivo de levar ao descontrolo (38,2% nos homens e 41,8% nas mulheres). Em segundo lugar encontra-se a desvalorização sistemática do trabalho (27% nos homens e 31,3% nas mulheres). E importa salientar que tanto homens, como mulheres, são fundamentalmente assediados moralmente pelos patrões, superiores hierárquicos e chefes directos: 83,1% dos homens e 82,2% das mulheres), sendo os colegas os segundos autores mais mencionados, embora a um nível muito menos expressivo.
Quando se analisam as formas de assédio sexual mais marcantes, registam-se algumas diferenças entre homens e mulheres. Para os homens, as formas de assédio sexual mais marcantes são perguntas intrusivas e ofensivas acerca da sua vida privada (22,9%), as piadas ou comentários ofensivos sobre o seu aspecto ou olhares insinuantes que o fazem sentir ofendido (14,6%). Enquanto para as mulheres, as situações mais marcantes estão relacionadas com aproximações físicas: olhares insinuantes que a fazem sentir ofendida (23,5%), contactos físicos não desejados (20,1%), e só depois surgem as piadas ou comentários ofensivos sobre o seu aspecto (14,5%).
No caso das mulheres sexualmente assediadas no local de trabalho, verifica-se que o autor mais frequente dessas situações é o superior hierárquico ou chefe directo (44,7%), seguindo-se os colegas (26,8%), e finalmente, os clientes, fornecedores e utentes, que são responsáveis por 25,1%) destes casos. No caso dos homens, verifica-se uma quase repartição em três relativamente aos autores mais frequentes de situações de assédio sexual: os superiores hierárquicos e chefes directos em 33,3% dos casos, os colegas em 33,1% e os clientes, fornecedores e utentes em 29,2%.
Este estudo desenvolvido ISCSP e pela CITE deixa ainda um dado importante, que pode ler-se nas conclusões: "comparando com os dados do primeiro inquérito sobre assédio sexual em Portugal (1989), verifica-se que agora há mais assédio por parte dos patrões, superiores hierárquicos ou chefes directos e menos incidência de casos da autoria de colegas de trabalho.

Fonte: Economico

terça-feira, 9 de junho de 2015

Banco Itaú é processado por assédio moral após funcionária grávida abortar em agência

Feto foi ‘guardado’ em bolsa plástica e trabalhadora só pôde ir ao médico após fechar o caixa


O Ministério Público do Trabalho em Palmas (TO) pede na Justiça Trabalhista a condenação do Banco Itaú S.A. por prática de assédio moral organizacional no Estado do Tocantins. A multa pretendida é de R$ 20 milhões por dano moral coletivo.
A investigação promovida pelo MPT-TO foi conduzida pela procuradora Mayla Mey Friedriszik Octaviano Alberti, que buscou, reiteradas vezes, a manifestação do Banco para defesa. Este, no entanto, manteve-se inerte durante todo o procedimento, sem apresentar os documentos solicitados, nem responder as notificações enviadas.
Para a procuradora Mayla Alberti, “os depoimentos colhidos são uníssonos e demonstram que a ré sobrecarrega seus funcionários com acúmulo de funções e carga excessiva de trabalho, muitas vezes não computando a integralidade das horas suplementares laboradas, contribuindo para um flagrante prejuízo à saúde física e mental dos obreiros.”
Entre as obrigações pretendidas na Ação Civil Pública (ACP), destacam-se o estabelecimento de metas compatíveis com a atividade laboral, a pausa remunerada para descanso, o pagamento de horas extras com correta anotação, o não acúmulo de funções e não perseguir bancários que prestaram depoimentos no Inquérito Civil.

Entenda o caso:

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Tocantins (SINTEC-TO), denunciou ao MPT-TO, trazendo informações sobre excesso de serviço na instituição bancária, o que estaria ocasionando problemas físicos e psicológicos em seus empregados.
Nesse ambiente laboral prejudicial à saúde, uma empregada do Banco passou mal e teve um aborto espontâneo, como consta no depoimento de diversos funcionários. Mesmo ensanguentada, não pôde sair da agência até fechar a tesouraria, três horas depois do aborto, guardando nesse período, o feto em saco plástico. No outro dia, após ir ao médico, voltou à agência para transferir a tesouraria para outro funcionário, e teve seu direito legal de 30 dias de afastamento reduzido para apenas quatro.
Além de esta situação, foram vários os relatos da pressão excessiva exercida, que por vezes impossibilitava o almoço dos funcionários ou os faziam ficar muito além do expediente, sem anotar as horas extras trabalhadas.
Segundo depoimentos, o número reduzido de bancários resulta no acúmulo de funções como as de gerente operacional e de caixa. Neste ambiente insalubre, empregados sofreram doenças organizacionais, como estresse, tendinite e lesão por esforço repetitivo, sendo alguns demitidos em razão dos problemas de saúde.
A procuradora Mayla Alberti sustenta que: “a busca incessante por metas intangíveis, acrescida de ameaças explícitas e veladas de retaliação ou mesmo demissão no caso de ‘rendimento insuficiente’ do empregado e somadas aos casos de efetivo adoecimento em razão da conduta vil da demandada configura a insidiosa prática de assédio moral organizacional, cuja ocorrência, infelizmente, já causou dano moral coletivo.”
Ela reforça que os bancários são punidos até mesmo por ficarem doentes, e que “essa desastrosa gestão laboral” já ocasionou a perda da vida (nascituro), além de ameaçar outras que estão geradas em condições adversas decorrentes de pressão e estresse laboral.
A Ação Civil Pública foi ajuizada na 1ª Vara do Trabalho de Palmas, estando marcada audiência para 18 de junho, às 8h15.

Processo nº 0001562-43.2015.5.10.0801

Fonte: MPT

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mais de 1,5 de milhões de pessoas vítimas de assédio moral ou sexual no emprego

Estudo revela que 16,5% da população activa em Portugal já sofreu de assédio moral no trabalho. As mulheres são as principais vítimas, quer de assédio sexual quer de assédio moral.



Tanto homens como mulheres revelaram ter sido assediados sobretudo pelo superior hierárquico ou chefe directo e só depois por um colega.
Mais de 850 mil pessoas já foram assediadas moralmente no emprego e cerca de 650 mil foram vítimas de assédio sexual. As mulheres são as principais vítimas e os chefes os principais abusadores. Estas são algumas das conclusões do projecto de pesquisa "Assédio Sexual e Moral no Local de Trabalho em Portugal", desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), e da responsabilidade da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).
De acordo com os dados preliminares, foram realizadas 1801 entrevistas, que permitiram concluir que 16,5% da população activa em Portugal já sofreu, pelo menos uma vez durante a sua vida profissional, uma forma de assédio moral no trabalho.  Quer isto dizer que, possivelmente, 856.350 pessoas já foram vítimas de assédio moral, dado que, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a população activa nacional chegava às 5.190.000 pessoas no primeiro trimestre de 2015.
Por outro lado, o estudo aponta para que 12,6% da população activa já tenha sofrido, pelo menos uma vez, um episódio de assédio sexual no local de trabalho, o que pode representar 653.940 pessoas.  "Há de facto, no mercado de trabalho, um conjunto de práticas que no fundo atentam contra a dignidade das pessoas", apontou Anália Torres, coordenadora do estudo.
Segundo adianta, as mulheres são as principais vítimas quer do assédio moral, quer do assédio sexual, sublinhando que a constatação em relação ao assédio moral foi uma novidade. "Importa não negligenciar que os homens também são vítimas destas formas de assédio no local de trabalho, sendo mais frequente serem vítimas de assédio moral (15,8%) do que sexual (8,6%) ", lê-se no estudo.
Do total de inquiridos, 89 homens disseram ter sido vítimas de assédio moral e 48 de assédio sexual, enquanto 208 mulheres afirmaram ter sido vítimas de assédio moral e 179 de assédio sexual.
Já no que diz respeito aos agressores, tanto homens como mulheres revelaram ter sido assediados sobretudo pelo superior hierárquico ou chefe directo e só depois por um colega.  Tanto para homens (38,2%) como para mulheres (41,8%), a situação mais marcante ao nível da forma de assédio moral mais frequente é "ser sistematicamente alvo de situações de stress com o objectivo de levar ao descontrolo", aparecendo em segundo lugar a desvalorização sistemática do trabalho (homens 27%, mulheres 31,3%).
"Homens (83,1%) e mulheres (82,2%) são, fundamentalmente, assediados moralmente pelos patrões, superiores hierárquicos e chefes directos", refere o estudo. Segundo a coordenadora do estudo, em matéria de assédio sexual, as mulheres queixam-se mais dos contactos físicos (20,1%), das piadas sobre o aspecto (14,5%) e dos olhares insinuantes (23,5%).  Já os homens queixam-se das perguntas intrusivas ou ofensivas sobre a sua vida privada (22,9%), mas também das piadas sobre o aspecto ou olhares insinuantes que o fazem sentir ofendido (14,6%).
Também nos casos de assédio sexual, os agressores são sobretudo os superiores hierárquicos ou o chefe directo (homens 33,3%, mulheres 44,7%), aparecendo depois os colegas (homens 31,3%, mulheres 26,8%).  "A percentagem de homens que é assediado sexualmente é pequena, mas também existe e são maioritariamente assediados por mulheres, 65%, mas 35% também são assediados por outros homens", refere Anália Torres.
Os resultados finais do estudo são apresentados quarta-feira, no âmbito de um seminário internacional, que decorre no ISCSP, em Lisboa. 

Fonte:  P


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Os impactos do assédio moral

Atitudes arbitrárias e negativas causam prejuízos a todos, inclusive no desempenho dos funcionários


Por  Watson Pacheco Silva

O assédio moral consiste na exposição do indivíduo a situações humilhantes e constrangedoras, geralmente repetitivas e prolongadas, durante o horário de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s). Tal conduta desestabiliza a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistirem do emprego. Pode-se dizer ainda que o assédio moral é toda e qualquer conduta, que pode se dar por meio de palavras ou mesmo de gestos ou atitudes, e que traz dano à personalidade, dignidade ou integridade física ou psíquica do assediado, pondo em risco seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho.

No ambiente de trabalho, o assédio moral constitui um fenômeno internacional, segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos países desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas. Segundo a OIT e a Organização Mundial da Saúde, essas serão as décadas do 'mal estar na globalização", onde predominará depressões, angústias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.

O assédio moral provoca a degradação do ambiente de trabalho, que passa a comportar atitudes arbitrárias e negativas, causando prejuízos a todos, inclusive no desempenho dos funcionários, que acaba por refletir na produtividade da empresa como um todo, bem como aumentando o índice de rotatividade de colaboradores. A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte. Trata-se de um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.

Enquanto que para a vítima as consequências são diretamente ligadas ao seu bem estar psíquico-físico, para a empresa a situação é meramente econômica, pois poderá sofrer demandas trabalhistas que resultarão em indenizações e que poderão causar um certo desequilíbrio financeiro na empresa.

Para o Estado, as consequências dizem respeito aos custos de saúde pública e de investimentos na área de segurança e saúde do trabalhador. Nem por isso, fica o Estado fora desse processo. Além da concessão do benefício previdenciário a que fizer jus o empregado-vítima, tendo como fonte pagadora o INSS, outros órgãos governamentais ficam diretamente ligados a essa questão, como as Delegacias Regionais do Trabalho, o Ministério do Trabalho e outros, movimentando a máquina estatal na tentativa de minimizar o problema.

A principal medida de prevenção ao assédio moral é a informação sobre suas características e suas consequências aos trabalhadores, sobretudo aqueles que exercem cargo de confiança. Nesse sentido, sindicatos profissional e econômico têm feito constar em convenções coletivas de trabalho cláusulas estabelecendo medidas de prevenção contra esse tipo de conduta.

É imperioso ensinar a gerentes e chefes "como" cobrar e advertir os subordinados. A informação, desse modo, surge como a principal medida para se evitar o assédio moral. A prevenção, neste caso, possui diversas vantagens: promove a criação de meio ambiente de trabalho sadio e agradável, evita danos ao empregado e, consequentemente, diminui o risco de indenizações trabalhistas. É possível que as medidas anti-assédio moral, ao final, favoreçam, mais facilmente, a concreção das metas de produção, para a felicidade geral de todos.

É importante que o setor de telesserviços se reestruture e se readapte para que seja realizada uma mudança radical em seus ambientes de trabalho, buscando alternativas para que os seus funcionários confiem nas pessoas para as quais trabalham, se orgulhem do que fazem e gostem das pessoas com as quais convivem. E assim acreditando que trabalham para uma excelente empresa, permitindo que atitudes assim façam com que as pessoas envolvidas nesse ambiente consigam produzir o seu melhor trabalho.

Watson Pacheco da Silva é advogado, especialista em Gestão Empresarial e Direito da Empresa, associado do Escritório Terçariol, Yamazaki, Calazans e Vieira Dias Advogados, membro das Comissões de Direito Empresarial e de Assuntos Tributários e Reforma Tributária da OAB do Distrito Federal e Professor.


Fonte:  Callcenter.inf.br