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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Pesquisa da Unicamp revela que bancários estão adoecendo por assédio moral

Excesso de demandas, competitividade e exigência em bater metas tem deixado a categoria adoecida. Transtornos mentais tem liderado pedidos de afastamento.
 
Numa iniciativa do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, em parceria com o Cerest (Centro de Referência de Saúde do Trabalhador), a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas lançou na manhã desta quinta-feira (30), na sede do Cerest, o resultado de uma pesquisa encomendada para avaliar as condições de saúde dos bancários de Jundiaí e região, principalmente no que se refere às doenças em decorrência de transtornos mentais.

Liderada pelo professor doutor Sergio de Lucca, a pesquisa, que entrevistou 240 bancários, revela que as metas desafiadoras exigidas pelos bancos tem realmente adoecido a categoria. ''Essa questão de exigir um desempenho individual extremo joga um bancário contra o outro, quebrando a coesão e a solidariedade em equipe'', diz Lucca.
 
Segundo ele, as pessoas vão adoecendo pelo excesso de demanda, pela competição excessiva, pela falta de apoio dos colegas e das chefias e principalmente por não terem controle das atividades. ''Cada vez mais o banco reduz a autonomia do funcionário'', aponta, o que cria ressentimento e insatisfação.

De acordo com o médico, o problema é que o assédio organizacional contribui também para a corrosão do caráter. "É um conflito ético. Como é que eu vendo algo que nem eu mesmo quero comprar?'', questiona ele, referindo-se às centenas de produtos oferecidas pelos bancos. ''Ou eu saio do banco ou me despersonalizo. Mas quem tem coragem de deixar o emprego na atual conjuntura?'' avalia.
 
Uma estatística de 2013 mostra que dos 12 mil afastamentos por transtorno mental, 6,5 mil eram de bancários. ''Esse número e nossa pesquisa mostram um quadro bem pior do que imaginávamos'', diz o médico. Segundo ele, há uma projeção de que em 2020 a depressão seja a primeira causa por afastamento do trabalho no Brasil.
 
A doença é dos banco
 
O assédio moral organizacional, segundo o pesquisador, mostra que quem de fato está doente são as instituições, sejam elas bancos públicos ou privados. ''Está comprovado que a nova metodologia de atingir metas a qualquer custo não está dando certo''. Segundo ele, os bancos sugerem que o funcionário se fortaleça, pratique esportes, faça yoga, mas não é isso que vai resolver o problema. ''O pior não é o afastamento. O pior é o que chamamos de presenteismo. O funcionário está lá, mas está doente e está sofrendo''.

Para Jesus dos Santos, gerente do Cerest, a pesquisa mostra a necessidade de um novo posicionamento. "Vamos aguardar a publicação na íntegra na revista científica da Unicamp e a partir daí implementar novas ações com relação à saúde dos bancários''.
 
Douglas Yamagata, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região diz que com os dados da pesquisa é possível trilhar caminhos para uma intervenção nesse processo insano dos bancos. ''Temos uma proposta de ampliar essa pesquisa nos níveis estadual e nacional para que toda a sociedade tenha conhecimento da gravidade do que ocorre dentro das agências'', disse. Segundo ele, o resultado da pesquisa será importante inclusive para se avançar nas negociações entre sindicatos e bancos, lembrando que o projeto de terceirização certamente vai piorar as condições de toda as classes trabalhadoras. ''A metodologia bancária está totalmente equivocada e vamos lutar para mudar esse quadro que está deixando a categoria à beira de um ataque de nervos'', conclui.
 
A íntegra da pesquisa será publicada e apresentada ainda neste ano. Douglas informa que os dados apresentados no lançamento desta quinta-feira já serão divulgados em encontros da categoria e que o Sindicato avalia a criação de um fórum para a apresentação e análise detalhada dos números obtidos pela Unicamp.
 
Além da diretoria do Sindicato, também estavam presentes no lançamento: Adma Maria Gomes e Darci Torres Medina, diretores da Fetec-CUT/SP; e Walcir P.B. Dantas de Oliveira, diretor da Contraf-CUT.
 
 
Fonte:  FeTeC

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