O que me levou a escrever esse artigo foi assistir uma pessoa muito importante na minha vida passando por isso, mas para preservar seu emprego fica calada diante desse abuso, desse crime, dessa covardia. Sim, porque é uma covardia o que muitas empresas fazem com seus funcionários, tratando-os como "algo" descartável, sem validade nenhuma, esquecendo que são essas pessoas que alimentam suas mesas. Uma empresa bem-sucedida respeita seus funcionários, dando a eles liberdade para trabalhar, desenvolver sua criatividade, descansar e se recuperar, pois as grandes empresas acreditam que o bem-estar do funcionário é o que trará o sucesso da empresa. Estamos vivendo uma nova era, de tecnologia, informação, de avanços espetaculares na ciência. É burrice preservar na empresa a velha ditadura do chefe.

O assédio moral no trabalho não é algo novo, ele é tão antigo quanto o trabalho. Algumas empresas fazem uma jornada de oito horas ou mais de humilhações, inferiorizando o funcionário, fazendo-o sentir um ninguém, inútil, magoado, revoltado, perturbado. Como já disse, o assédio moral sempre existiu, mas só hoje os trabalhadores começaram a entender que isso não faz parte das regras e leis trabalhistas. Ficar calado diante de certas atitudes só traz mais segurança para aquele que assedia, fazendo com que isso nunca pare. O assédio moral é uma violência como qualquer outra e traz sérias complicações para o assediado. A situação a que o assédio moral submete uma pessoa pode trazer doenças, e isso acaba trazendo prejuízos para a vida pessoal e profissional do trabalhador, e claro, da empresa também. Ou seja, é preciso brecar esses agressores. A vítima ainda acaba por sentir-se culpada pelas agressões sofridas, achando-se incapaz, desenvolvendo alguns quadros de doenças como ansiedade, depressão, pânico, entre outras. As mulheres, por serem mais frágeis, choram constantemente, chegando a passar mal.

A tortura psicológica é um crime grave, podendo tirar a capacidade de vida de uma pessoa. Como eu havia dito no início desse artigo, muitas pessoas se calam para preservar seu trabalho, para bancar seu sustento e dos seus; enquanto isso, o criminoso abusa do poder que lhes é conferido. Enquanto isso, parentes e amigos das vítimas também sofrem. Deveria haver uma legislação mais rígida para esse tema e o Ministério do Trabalho deveria agir mais, pois o trabalhador é o cidadão que paga impostos, que compra bens, ou seja, que move a economia, que move o país. Atualmente a Legislação é precária quanto ao tema. É preciso mais, muito mais; não só leis, como treinamentos nas empresas. A Constituição Federal consagra a dignidade da pessoa humana em seu artigo 1º inciso III.

Talvez o próprio trabalhador não saiba que existe a possibilidade de rescisão de contrato quando houver falta grave pelo empregador. Uma grande dificuldade encontrada para a formalização de leis sobre o assunto é a penalização, pela dificuldade da comprovação e nexo causal do mesmo. No meu entendimento, esse crime seria previsto no Código Penal, sem a necessidade de ação trabalhista, quando a vítima o levasse a conhecimento da justiça. Entendo que deixa o âmbito trabalhista, por tratar-se de causar danos a uma pessoa, assim como qualquer outro crime previsto no código penal. Um dano que traz um resultado físico e psíquico.

No momento o que temos a fazer é enfrentarmos o abuso, sabendo que para isso é necessário pôr em risco o pão de cada dia; mas, ou se arrisca o pão ou a saúde mental. Não se pode ignorar que os mesmos que acabam adquirindo algumas doenças psíquicas e porventura ficando fora do mercado de trabalho, serão os mesmos que deixarão de comprar, de adquirir bens e serviços, então despertem, patrões! Respeitar o próximo não deveria precisar de leis. Faz parte da boa educação, cortesia e moral, faz parte da evolução.

Fonte: Estilo