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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Cinco riscos do assédio moral

Luiz Eduardo Neves Loureiro


Sempre que escrevo sobre os métodos antiquados e desleais que alguns gestores utilizam para gerenciar pessoas e equipes de trabalho – o que convencionou-se caracterizar como assédio moral – recebo uma quantidade enorme de comentários e depoimentos de leitores que se sensibilizam com o tema e, em que pese se posicionarem veementemente contra tal prática, a maioria diz que não há o que fazer porque “a corda sempre rompe do lado mais fraco”.
Eu entendo o que eles dizem, mas não concordo totalmente. Primeiro porque é preciso diferenciar a pressão por resultado, por cumprimento de metas e de prazos – que toda organização tem que cumprir e disso não tem como escapar – dos meios usados para exercer essa pressão. Se tudo for feito às claras, com respeito às pessoas, sem protecionismos ou perseguições, não há do que reclamar. Também não gosto disso, mas é assim que as coisas funcionam.
Mas não é apenas na pressão por resultado que aparece o assédio moral. Ele se apresenta em vários tipos de relação entre chefes e subordinados e tem o potencial de subjugar os funcionários/vítimas a ponto deles não conseguirem enxergar maneiras de cessar com a agressão. O sentimento de impotência é tamanho que eles se rendem aos fatos e passam a aceitar aquilo como um carma.
Contudo, o assédio moral vem sendo tratado cada vez com mais seriedade em algumas esferas do trabalho. É verdade que as queixas internas – feitas na própria empresa quando não existem áreas de compliance ou de ética no trabalho – normalmente não dão resultado porque existe a tendência de minimizar a gravidade das agressões, colocar panos quentes e, o que é pior, fazer vista grossa e, desse modo, passar uma autorização informal para que a prática se perpetue.
Contra isso existem os meios externos à empresa que têm se mostrado muito mais eficientes no combate a esse mal que consome as pessoas e mina a credibilidade de executivos e empresas. O mais fácil deles são os sindicatos que estão cada vez mais preparados e menos tolerantes para lidar com casos de assédio moral, o segundo e mais óbvio é a justiça, que tem legislação específica e não tem se furtado a resolver os casos que lhe são apresentados.
Não é desejável que um caso de assédio moral precise desse tipo de intervenção para ser sanado, aliás, não é desejado que os casos de assédio moral existam em pleno século XXI, é preciso que a alta direção das organizações aja preventivamente para identificar e tratar os casos adequadamente, preparando e capacitando o agressor e protegendo, motivando e, dessa forma, restituindo a autoestima do agredido.
Com isso a empresa reduz sensivelmente os riscos a que todos os envolvidos nos casos de assédio moral estão expostos, dos quais destaco cinco que tenho presenciado com mais frequência no meu trabalho.

Perda de funcionários ou equipes inteiras: O risco mais claro e óbvio. Acontece geralmente com funcionários de muita qualidade técnica, e equipes muito capacitadas para o que fazem. Esses, por terem um potencial de recolocação maior e, se ainda não estiverem com autoestima destruída, vão procurar um tratamento justo e humano, e não somente outro emprego.

Risco de ação judicial: Quando caracterizada e tipificada a situação de “assédio moral” uma queixa ou um boletim de ocorrência deve ser considerado. Para a empresa, uma ação judicial nestes termos traz prejuízo financeiro, máculas à marca e a responsabilizações de outros executivos por conivência ou falha na gestão.

Riscos a saúde dos funcionários: Várias patologias e somatizações ocorrem em decorrência do estresse dos agredidos.

Perda de produtividade e rentabilidade: Os problemas de saúde citados acima elevam o absenteísmo e aumenta a sobrecarga de trabalho dos mais resistentes, majorando assim a carga de trabalho e a possibilidade de erros e falhas na operação/execução.

Riscos físicos: Com o estresse e o nível de tensão muito elevado é razoável considerar a “explosão” de alguns dos próprios agredidos ou de terceiros interessados, familiares por exemplo. No extremo, a agressão física é uma das maneiras de mostrar limites e romper a relação com o agressor.


Fonte 4winners

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