"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


domingo, 8 de junho de 2014

Republicação 25 Parte 3

Relato 25 (O Preço de uma Decisão) 3/4


Como se não bastasse, a Sra. "P" me pediu que eu a informasse tudo o que acontecia na loja na ausência dela e caso eu não passasse TUDO e ela descobrisse algo de errado, ela perderia a confiança depositada em mim. Deu-me o nº do telefone residencial, celular, e-mail particular, não tinha como não achá-la.

A última contratação deles foi uma podóloga que conheci no Congresso de Nov/ 2011 – as negociações e a contratação se estenderam até março 2012.

Ela chegou dia 02/03/2012 a noite, e como de praxe, também  fui buscá-la na Rodoviária. No dia seguinte ela começou a trabalhar, mas durou pouco, em três dias a Sra. "P" a demitiu, alegando que ela demorava muito nos atendimentos. A podóloga explicou que se sentia nervosa com a situação, as mudanças e a preocupação com a moradia, pois ela estava na minha casa e precisava alugar um lugar e não tinha dinheiro para pagar o valor da caução nem possuía fiador. 

Mas não teve jeito, a podóloga foi demitida dia 06/03/12 à noite. A Sra. "P" falou para ela arrumar suas coisa e sair da loja.

Eu como “anfitriã”, não pude sair do Instituto para acompanhá-la até minha casa, pois só seria liberada as 21:00h como de costume. Pedi a podóloga que chorava muito, que me esperasse na porta do Centro Comercial. Ao sair não a vi no local combinado e fui à sua procura pelas imediações e pelo caminho de casa, mas não a encontrei.

Já fiquei imaginando o pior, pois pelo que ela me contara, também estava endividada, pedira dinheiro emprestado de familiares e deixara a filha menor com sua mãe.  Situação muito parecida com a minha.

Quando cheguei em casa ela ainda não estava lá, o tempo foi passando e eu ficando mais apavorada ainda com a situação, imaginava o pior, e como ela estava na minha casa eu me sentia responsável, preocupação que a empresa não demonstrou em momento algum.

Já estava pensando em procurar a polícia, hospitais e necrotérios quando finalmente ela chegou. Contou que se perdera na cidade, que pegara o ônibus errado, pois saíra do Instituto tão atordoada, desesperada, e sem rumo e que nem tinha noção do que estava fazendo. Só conseguira chegar em casa porque pedira ajuda a um estranho.

Ficamos conversando até as 4h da manhã, e prometi a ela que no dia seguinte iria tentar conversar com a Sra. "P" para pedir que lhe desse mais uma chance  e que ao menos conversassem. Ela ficou mais tranquila e foi dormir.

Chegando ao Instituto fui à sala da Sra. "P" para conversar. Contei a ela o que acontecera naquela noite e como a podóloga estava emocionalmente abalada com a demissão. Pedi que repensasse, que conversassem, usei todos os meus argumentos para justificar o período de adaptação da colega. Ponderei o fato de que a podóloga estava ansiosa, nervosa com a mudança e que por isso ainda estava um pouco lenta. Mas ela foi curta e grossa. Disse que não, que ela não tinha mais nada a ver com a moça, nem vínculo empregatício, e que não voltaria atrás, e pior, que eu me "livrasse" dela e a mandasse de volta a São Paulo.

Voltei para minha sala de podologia e fui trabalhar arrasada, mas não conseguia me concentrar no trabalho, pois a situação era bem difícil para mim. Às 16:00h não aguentando mais esperar, pedi a recepcionista que desmarcasse a minha agenda e saí do trabalho para resolver aquela situação embaraçosa que  a  empresa me  colocara. Eu tinha que falar para a colega que ela precisava ir embora.

Aquele era dia de pagamento, e eu estava com algum dinheiro. Saí do trabalho direto para a Rodoviária onde comprei uma passagem para São Paulo com saída as 20:00h. Peguei um táxi  e fui para casa avisar a podóloga que eu comprara sua passagem para aquela mesma noite.

Durante a viagem de táxi da Rodoviária para minha casa, eu estava a ponto de explodir de tanta tensão. Comentei a situação com o taxista, pois eu precisava desabafar com alguém. Eu não cabia em mim de tanta angústia e tristeza e naquela hora o taxista era a pessoa mais próxima, então foi ele mesmo a me ouvir. Graças a Deus ele ficou solidário e disse que ia nos ajudar, caso precisássemos, pois achou injusto o que estavam fazendo com ela e comigo e me deu seus contatos telefônicos.

Quando cheguei em casa a coitada foi surpreendida com o meu relato e desabou a  chorar e  eu também. Ela dizia que aquilo não era possível, que isso não podia ficaria assim, pois ela não era marginal nem cachorro para ser despachada da cidade e da empresa, muito menos de ser mandada de volta para São Paulo, sem “eira nem beira”.

Eu disse para ela que eu também não tinha como ficar com ela em casa até que arrumasse outro emprego, pois eu também estava numa situação muito difícil. Eu sabia muito bem o quanto já tinha me custado bancar para a empresa, as contratações e demissões dos podólogos vindos de São Paulo. E ela até sabia da minha condição de devedora da empresa, pois eu havia lhe contado.

Resumindo, o mesmo taxista a levou até a Rodoviária, lhe dei R$200,00 do meu bolso, pois ela falava o tempo todo que não tinha dinheiro para comer nem pegar um táxi em São Paulo para levá-la com toda a sua bagagem, até a casa de sua mãe.

Eu não fui à rodoviária levá-la, pois não tinha condições psicológicas para isso. Liguei para o celular do Sr. "P" e falei com ele e também com a Sra. "P" o que tinha acontecido. Ele falava: “... Graças a Deus você se livrou da menina”. 

Eu chorava desesperadamente, enquanto o Sr. "P" tentava me acalmar dizendo que aquilo que eu estava sentindo iria passar com o tempo. Fiquei em casa e continuei chorando por muitas horas. A situação em que a empresa me colocara era traumatizante.

Eu me coloquei no lugar dela, lembrei de quando fui demitida por justa causa, de como fiquei perdida sem saber o que fazer e por isso eu sabia muito bem o que a pobre moça estava passando.

Depois de uns dias ela começou a me mandar mensagens via celular e para o celular da empresa, falando que a culpa era minha e da empresa pelos danos causados a ela. Dizia que estava humilhada e endividada, pois tinha feito curso de Laserterapia, condição imposta pela Sra. "P" durante o período de negociação, para que ela fosse contratada.

Eu me sentia cada vez mais triste e chateada, chorava todos os dias, pois eu sabia que não tivera culpa. A Sra. "P" me mandou fazer um Boletim de Ocorrência, aliás, ela me mandava fazer BO como se fosse tomar um suco na esquina.

Os donos do Instituto não moveram “uma palha” sequer, para resolver o problema, deixaram tudo na minha mão, não pensaram nas consequências não me ajudaram em nada.

Dias depois desses lamentáveis fatos, comecei a me sentir doente, só queria chorar, não queria mais ficar naquela cidade nem na empresa, mas minhas obrigações e dívidas que se arrastavam e pareciam não ter mais fim, me fizeram permanecer na cidade e no trabalho, mesmo com a vontade desesperadora que sentia de voltar para São Paulo, para a minha terra, minha casa e minha família.

Procurei ajuda médica no Hospital Celso Ramos e desabafei para o médico de plantão que me encaminhou para o Posto de Saúde próximo a minha casa, para apoio psicológico e médico da família. Lá me afastaram do trabalho por sete dias com crise de ansiedade/pânico.

Relatei para a médica tudo o que estava acontecendo comigo e o que a empresa estava fazendo. Ela me aconselhou a ficar com a minha família em São Paulo e repensar se valia a pena ficar na cidade ou ir embora  de vez,   já que eu não estava bem de saúde devido a todo o meu sofrimento. 

Mesmo com todos os seus conselhos, ao fim da licença médica voltei a trabalhar, pois eu precisava pagar minhas dívidas e a minha casa tem contrato, se eu saísse antes do final dele teria que pagar multa bem alta, R$2.500,00 e como eu não tinha esse dinheiro, voltar a trabalhar era o único caminho.

Logo que cheguei à empresa os outros funcionários ficaram preocupados comigo, mas os donos só falaram para eu esquecer tudo, para eu voltar a trabalhar. Mas antes disso, teria que ir ao médico do trabalho, para legitimar o atestado que levara.

No dia seguinte fui à consulta e contei tudo para a médica do trabalho, que me orientou a procurar o Ministério do Trabalho. Eu lhe disse que não iria e que logo pediria demissão, pois não estava aguentando mais aquela situação. O descaso dos meus patrões, a postura deles diante dos problemas e as situações difíceis que me colocavam a cada dia estavam afetando minha saúde e eu não suportava mais.

No pagamento seguinte, Abril/12 me surpreendi, pois o valor recebido foi bem menor do que eu esperava. Quando questionei o Sr. "P", ele disse que só pagara a comissão dos dias trabalhados, e que os dias de afastamento, mesmo por doença e com atestado médico, eu não receberia.

Com isso minha situação financeira só piorou. Não tive dinheiro para o aluguel, conta de telefone etc. 

No próximo domingoPedi demissão no mesmo mês...

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