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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Assédio moral e agressão no Santander

Assédio moral e agressão no SantanderTerça-feira, 17 de junho. Data do segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo. Milhões de brasileiros se preparam para deixar seus locais de trabalho para assistir a mais uma apresentação da Seleção na companhia de amigos ou familiares. Mas esse não foi o destino de uma bancária do Santander.

Naquele dia a funcionária se preparava para sair quando o gerente de relacionamento business III exigiu que antes terminasse um trabalho. Ela então solicitou informações para executar a tarefa. Naquele momento, segundo testemunhas, o gerente começou a gritar e questionar sua competência.

“Eu escutei ela perguntando ‘onde eu localizo isso no sistema?’”, conta uma testemunha. “O gestor então respondeu: Como você não sabe? Você por acaso é burra?”, acrescenta.

A mesma colega conta que a bancária, ofendida, decidiu ir embora. “Mas ele não a deixou sair, usou de força física para afastá-la da saída e a trancou na sala. Nós nos assustamos com a violência e os gritos que partiam de dentro da sala e tentamos socorrer a funcionária”, relata.

Cárcere privado –
Após o ocorrido, a vítima fez um boletim de ocorrência por cárcere privado, crime previsto no código penal, e foi transferida. No entanto, nenhuma providência foi tomada em relação ao agressor. O Sindicato apurou que o assediador possui histórico de agressões verbais e humilhações aos colegas.

“Ele sempre humilhou todo mundo. Falava coisas que me jogavam para baixo, a ponto de me fazer ir ao médico e tomar antidepressivo”, relata um ex-colega que não aguentou o assédio e pediu demissão.

Segundo relatos, o histórico é de conhecimento do gerente-geral e do superintendente regional, que não coíbem esse tipo de comportamento. Os bancários que trabalharam com o agressor atribuem o acobertamento a uma amizade entre ele e o gerente-geral.

“Há uma preferência do gerente-geral por ele. Os melhores clientes são passados para ele gerenciar”, relata uma ex-funcionária que também pediu demissão por causa da atitude do assediador. “Todos os outros gerentes tem metade dos clientes. Os gestores têm preferência porque já trabalharam juntos anteriormente”, afirma.

“O Santander não se importa com as pessoas, não tem recursos humanos”, reforça outro ex-colega do agressor. “O superintendente regional não quer ouvir os funcionários. Para ele o que importa é a versão do gerente-geral, que é amigo do agressor. O que ele falar é a verdade”, relata.

A diretora do Sindicato Maria do Carmo Lellis cobra uma solução. “Não aceitaremos que esse tipo de atitude seja premiada e vítimas sejam ainda mais prejudicadas”, afirma a dirigente, acrescentando que caso não haja resposta do banco, o Sindicato vai tomar outras ações. 


Rodolfo Wrolli/Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região - 27/06/2014
 
Fonte: Mundo Sindical 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Situações de assédio moral vivenciadas por enfermeiros no ambiente de trabalho

Graziela Ribeiro Pontes Cahú1, Solange Fátima Geraldo da Costa1, Isabelle Cristinne Pinto Costa1, Patrícia Serpa de Souza Batista1, Jaqueline Brito Vidal Batista1
1Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil

RESUMO

Objetivos:

Investigar situações de assédio moral vivenciadas por enfermeiros em seu ambiente de trabalho.

Métodos:

Pesquisa transversal realizada com 259 enfermeiros que trabalham em unidades básicas de saúde e hospitais da rede pública. O instrumento de pesquisa foi um questionário disponibilidade em um site do conselho de classe e os enfermeiros receberam por email o convite para participa.

Resultados:

Os resultados mostraram que a situação de assédio moral mais frequente diz respeito ao agressor manipular pessoas para assumir posicionamentos contrários aos interesses da vítima, seguida da constatação de que o assediador impede o crescimento profissional do assediado.

Conclusão:

O estudo revelou que situações de assédio moral vivenciadas pelo enfermeiro no ambiente de trabalho influenciam diretamente em o desempenho laboral, saúde e estado emocional.

Palavras-Chave: Comportamento social; Ética em enfermagem; Enfermagem do trabalho; Condições de trabalho; Saúde do trabalhador.

Introdução

O assédio moral é compreendido como sendo uma violência psicológica, sutil, dissimulada, intencional, de caráter repetitivo e prolongado, com a intenção de humilhar e excluir socialmente uma pessoa no contexto da atividade laboral, provocando-lhe estresse psicossocial e prejuízos à sociedade e à organização.(1)
Para caracterizar o assédio, deve-se levar em consideração a repercussão da conduta abusiva na saúde da vítima, a periodicidade e duração do ato faltoso e a intencionalidade dos agressores.(2) Tratase de condutas abusivas, àquelas que atentam contra a dignidade humana e podem levar os que não as suportam a adoecerem ou a tomarem decisões não esperadas quanto à vida profissional, como pedir demissão ou mudar de cargo/setor.(3)
Este fenômeno não se constitui em uma situação nova nas relações laborais. Entretanto, é nos últimos anos que alcança dimensões globais, atingindo diferentes contextos de trabalho e categorias profissionais.(3)
Assinala-se que o assédio moral vem sendo objeto de crescente preocupação mundial, por parte de trabalhadores, empregadores e também da comunidade científica. O estudo desse fenômeno é notável no âmbito da saúde, sobretudo em áreas como psicologia e medicina do trabalho, devido aos danos físicos e psíquicos causados por esse tipo de violência. Pesquisadores afirmam que a violência no trabalho é um problema observado em hospitais, onde os trabalhadores da equipe de saúde ora são autores, ora são vítimas de atos de violência ocupacional, e onde se reproduzem e perpetuam situações de agressividade e humilhação.(4)
Dentre esses trabalhadores da equipe de saúde, o estudo identifica que os enfermeiros são as principais vítimas do assédio moral. Por essa razão, pesquisadores manifestam sua preocupação e alertam que devem ser tomadas medidas que salvaguardem a integridade física e psicológica dos profissionais de saúde, em particular, dos enfermeiros.(4)
É oportuno acrescentar que o profissional da área de Enfermagem é vítima potencial do assédio moral e que tal prática pode partir da chefia do serviço, do próprio colega de trabalho, dos seus subordinados, dos outros profissionais da equipe de saúde, como o médico, por exemplo, assim como dos clientes e dos familiares.(5) Dessa forma, pode-se supor que, no cenário brasileiro, o assédio moral, no trabalho dos profissionais de Enfermagem, seja elevado. Não obstante, na atualidade, inexistem dados sobre o quântico da referida prática no trabalho dessa categoria profissional e são incipientes os estudos relacionados ao tema no cotidiano dos enfermeiros.
O objetivo deste estudo é investigar situações de assédio moral vivenciadas por enfermeiros em seu ambiente de trabalho.

Métodos

Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem quantitativa. Participaram do estudo 259 enfermeiros que trabalham em unidades básicas de saúde e hospitais da rede pública do município de João Pessoa, estado da Paraíba. Os critérios de inclusão no estudo foram: que o enfermeiro exercesse atividades de enfermagem no momento da coleta de dados; e que tivesse, no mínimo, seis meses de atuação profissional.
É oportuno destacar que o processo de amostragem adotado foi não probabilístico.
O instrumento de pesquisa foi construído com base nas variáveis de estudo e, considerando o caráter sigiloso do objeto de estudo, o instrumento foi veiculado por meio eletrônico do site oficial do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba, no período de junho a agosto de 2011. Os enfermeiros foram convidados para participar do estudo proposto através de e-mails cadastrados no banco de dados do referido Conselho.
Depois de responder ao questionário, o participante do estudo clicava no botão concluído, gerando, automaticamente, o documento, que pode ser visualizado pela pesquisadora na extensão PDF, XLS, CSV e RTF. No citado local, a pesquisadora responsável pelo estudo tinha acesso para gerenciar as informações contidas na página. Para obter o acesso exclusivo às informações contidas nos questionários respondidos, seria necessário ter login e senha, o que garantia o sigilo das informações.
Os dados foram analisados com o Programa Estatística Editor de Dados (SPSS) para Windows versão 19 e foram comparados através de frequências e percentuais.
O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos.

Resultados

Os assediadores são capazes de promover ataques repetitivos, como atitudes inicialmente sutis, que vão sendo intensificados com o passar do tempo. Para agredir a vítima, o assediador humilha, castiga, constrange, isola, entre outras situações constrangedoras, que levam o trabalhador ao sofrimento físico e mental. O assédio moral tem características que se apresentam sob diversas situações. Portanto, para compreender bem mais as situações de assédio moral vivenciadas pelos enfermeiros inseridos no estudo, seguem, abaixo, tabelas que apresentam condutas realizadas pelo agressor, segundo informação dos participantes da pesquisa.
Convém enfatizar que as citadas condutas foram agrupadas e correlacionadas às quatro categorias, quais sejam: deterioração proposital das condições de trabalho; atentado contra a dignidade; isolamento e recusa de comunicação e violência verbal, física e sexual.
A tabela 1 destaca as respostas dos participantes do estudo acerca das situações de agressão sofridas no trabalho na categoria deterioração proposital das condições de trabalho. Nesta pode-se observar que a situação de agressão sofrida que ocorre com maior frequência diz respeito a "manipula pessoas para assumir posicionamentos contrários aos seus interesses", seguida da constatação de que "impede seu crescimento profissional".

Tabela 1 Situações de agressão sofridas no trabalho na categoria deterioração proposital das condições de trabalho
Deterioração proposital das condições de trabalho%
Manipula pessoas para assumir posicionamentos contrários aos seus interesses47,41
Impede seu crescimento profissional40,52
Contesta sistematicamente todas as suas decisões27,59
Restringe os seus direitos só para prejudicar (férias, prêmios, horários)31,90
Delega atividades em excesso22,41
Fornece informações confusas e imprecisas22,41
Não transmite mais as informações úteis para a realização de tarefas22,41
Pede trabalho urgente sem nenhuma necessidade22,41
Força você pedir demissão22,41
Bloqueia o andamento dos seus trabalhos21,55
Não considera seus problemas de saúde19,83
Dá instruções impossíveis de executar18,97
Retira o trabalho que normalmente compete a você18,97
Priva você de acesso de instrumentos de trabalho: telefone, fax, computador, mesa, entre outros17,24
Manda você executar tarefas sem interesse16,38
Manda cartas de advertência protocoladas16,38
Induz você ao erro13,79
Atribui tarefas incompatíveis com sua saúde12,07
Atribui proposital e sistematicamente tarefas inferiores às suas competências11,21
Atribui proposital e sistematicamente tarefas superiores às suas competências10,34
Impõe horários injustificáveis10,34
Não lhe dá qualquer ocupação2,59
Fonte: Material empírico da pesquisa, João Pessoa, PB, Brasil. 2011

No que concerne à categoria atentado contra a dignidade, observou-se que as principais respostas dos participantes do estudo foram: critica seu trabalho de forma injusta e exagerada (47,41%); faz circular maldades e calúnias sobre você (40,52%); fala mal de você em público (31,03%); insinua e faz correr boato de que você está com problema de saúde (6,03%).
A tabela 2 expõe as situações de agressões sofridas no trabalho na categoria violência verbal, física e sexual. A violência verbal foi a mais apontada pela amostra estudada, com 32,76%.

Tabela 2 Situações de agressão sofridas no trabalho na categoria violência verbal, física e sexual 
Violência verbal, física e sexual%
Fala com você aos gritos32,76
Agride você somente quando estão a sós12,57
Invade a sua vida privada com ligações telefônicas, e-mails, cartas5,17
Agride você fisicamente, mesmo de leve, você é empurrada e fecha a porta em sua cara4,32
Ameaça agredir você fisicamente2,59
Assedia ou agride você sexualmente (gestos ou propostas)1,72
Faz estragos no seu automóvel0,86
Fonte: Material empírico da pesquisa, João Pessoa, PB, Brasil. 2011

A tabela 3 demonstra situações de agressões no trabalho entre o assediador e a vítima no tocante ao isolamento e à recusa de comunicação. Nesta pode-se observar que a resposta que ocorre com maior frequência diz respeito a "ignora sua presença na frente dos outros", seguida da constatação de que "interrompe quando você fala".

Tabela 3 Situações de isolamento e recusa de comunicação 
Isolamento e recusa de comunicação%
Ignora sua presença na frente dos outros55,17
Interrompe quando você fala37,07
Ameaça transferir você para outro setor para isolá-lo13,79
Não fala mais com você12,07
Coloca você separado dos outros11,21
Transfere você do setor para lhe isolar10,34
Comunica-se com você apenas por escrito9,48
Proíbe seus colegas de falar com você8,62
Fonte: Material empírico da pesquisa, João Pessoa, 2011.

Discussão

As atitudes relacionadas à deterioração proposital das condições de trabalho são mais difíceis de perceber. Nesse estudo observou que a situação de agressão sofrida que ocorre com maior frequência diz respeito ao agressor manipular pessoas para assumir posicionamentos contrários aos interesses da vítima, seguida da constatação de que o assediador impede o crescimento profissional do assediado.
Um estudo aponta que o agressor pode se defender justificando que agiu para melhor andamento das atividades do serviço.(6) Vale ressaltar que o propósito do assediador é o de fazer com que as pessoas percebam que a vítima é incompetente.(7) Nesses casos, são realizados procedimentos sutis, como: contestar sistematicamente todas as suas decisões, não considerar os seus problemas de saúde, retirar o trabalho que, geralmente, compete ao sujeito, dar instruções impossíveis de executar, induzindo ao erro e não transmitindo mais as informações úteis para a realização de tarefas.
O agressor manipula o trabalho da vítima utilizando-se de mecanismos como: delegação de atividades em excesso, atribuição de trabalho urgente sem nenhuma necessidade, atribuição proposital e sistematicamente tarefas inferiores ou superiores às suas competências, não atribuição de qualquer ocupação e privação do acesso da vítima a instrumentos de trabalho necessários a sua atividade profissional, entre outros.(8)
Outras formas de expressão do assédio moral apresentadas para deteriorar as condições de trabalho da vítima são as direcionadas aos direitos trabalhistas e contrapartidas laborais. Nessa seara, os autores identificam atitudes como restrição dos direitos a férias, imposição de horários injustificáveis, discriminação salarial, assim como mudanças arbitrárias de horário de trabalho.(8)
Com a vítima desacreditada pelos colegas, gestores e demais trabalhadores, o assediador manipula pessoas para assumir posicionamentos contrários aos interesses da vítima, impedindo o seu crescimento profissional e, até mesmo, advertindo-a por escrito, com a justificativa de que o profissional é incompetente e não atende às expectativas do serviço. Assim, sentindo-se desamparada, desmotivada, em intenso sofrimento psíquico, muitas vezes, a vítima desiste do emprego.
No que tange as situações de agressão sofridas no trabalho na categoria atentado contra a dignidade, constatou-se que o assediador critica o trabalho da vítima de forma injusta e exagerada (47,41%), fazendo circular maldades e calúnias a respeito da vítima (40,52%), além de falar mal dessa em público (31,03%).
O atentado à dignidade é descrito como sendo um comportamento que, normalmente, é percebido por todos, porém essas pessoas acreditam que a vítima é responsável.(7) As atitudes relacionadas a essa categoria são para desqualificá-la. Geralmente, os agressores e colegas de trabalho desqualificam, criticam, de forma exagerada e injustificada, o seu trabalho, fazem comentários depreciativos com ridicularizações públicas. A mesma ainda destaca que frases do tipo ela é muito sensível ou ele é paranoico são, frequentemente, utilizadas para estigmatizar a vítima.
Nessas situações, o agressor manipula a reputação do assediado, tendo em vista que, muitas vezes, as críticas são relacionadas a comentários injuriosos, ao profissionalismo e, até, relativos ao aspecto físico e religioso da vítima.
A violência verbal, física e sexual também é percebida no assédio moral. O estudo explica que, nessa categoria, o assédio moral apresenta-se de forma explícita, pois ameaças e agressões físicas, mesmo que de leve, podem ocorrer.(7) As situações constrangedoras e humilhantes, como por exemplo, gritos, invasão da privacidade da vítima com ligações telefônicas, e-mails, cartas, entre outras, são evidenciadas nessa categoria.
Em relação às situações de agressões sofridas no trabalho na categoria verbal, física e sexual, a violência verbal foi a mais assinalada pelos participantes do estudo, com 32,76%. Também foi bastante pontuada pelos participantes do estudo a situação em que o assediador agride a vítima somente quando estão a sós (12,57%). Esse dado também revela como o assédio moral pode ser invisível, porquanto a amostra da pesquisa aponta que situações em que o agressor age sem deixar indícios ocorrem com certa frequência e é difícil prová-las, posto que as agressões somente são cometidas quando não há testemunhas, apenas o assediador e a vítima.
A repetitividade do ato é que configura a prática do assédio moral. Ressalte-se que o assédio moral é um processo no qual há um verdadeiro massacre psíquico do trabalhador. Pode-se dizer que é um conjunto de atos interdependentes entre si, para persecução de sua finalidade destrutiva do trabalhador.(9) Assim sendo, devem-se descartar os atritos habituais, as tensões e os incidentes isolados, que são próprios das organizações modernas.(8)
De igual modo, são citados pelos agredidos como uma das formas de violência física presente no assédio moral, os empurrões, mesmo que de leve, porém de forma reiterada.No tocante ao assédio sexual, cabe destacar que as semelhanças com o assédio moral são a repetitividade das ações, as perseguições sem tréguas e o abuso do poder. No entanto, o estudo(10) afirma que são fenômenos distintos, apesar de a passagem de um para outro ser frequente. O assédio sexual pode constituir a premissa para desencadear o assédio moral, transformando em vingança do agressor rejeitado. Cumpre assinalar que o assédio sexual é caracterizado pela conduta de natureza sexual, sempre rejeitada pela vítima. O objetivo do assediador é obter vantagens sexuais. No assédio moral, a intenção é de deteriorar o ambiente de trabalho para que a vítima desista do emprego.(9)
Quanto às situações de agressões no trabalho entre o assediador e a vítima em relação ao isolamento e à recusa de comunicação, constatou-se que a situação que ocorre com maior frequência é quando o agressor ignora a presença da vítima na frente dos outros (55,17%). Nesse caso, o assediador despreza a vítima, para que os outros percebam que ela não é necessária na empresa. Essa conduta se configura por meio de mecanismos utilizados pelo agressor para estabelecer uma comunicação hostil implícita e revela que a finalidade dessa ação é a manipulação da comunicação da vítima.
Essa interrupção e recusa de comunicação se apresentam para desestabilizar psicologicamente a pessoa assediada, uma vez que, ao ignorá-la, estará isolando-a, excluindo-a, desqualificando-a de maneira sutil e subjetiva.(11)
O isolamento constitui uma fase característica do assédio moral. Trata-se de um conjunto de ações que visam a impedir o assediado da possibilidade de se comunicar e estabelecer contato social no contexto de trabalho, prejudicando, principalmente, suas interações socioprofissionais. Nesse sentido, atitudes como ignorar sua presença na frente dos outros, interrompê-la, ameaçar transferi-la, isolá-la, não falar mais com ela, comunicar-se apenas por escrito, colocá-la separada dos outros e proibir os colegas de falarem com ela são características presentes nessa fase do fenômeno em estudo.
Os resultados indicam a importância de informar aos profissionais de enfermagem sobre a existência e a ocorrência do assédio moral, e das possíveis consequências que podem sofrer as vítimas deste tipo de sofrimento psicológico. Demonstra também a importância da implementação de ações de prevenção, considerando o quanto é relevante para saúde do trabalhador à existência de um ambiente de trabalho saudável e amistoso.
Conclusão
Os enfermeiros relataram vivenciar situações de assédio moral no ambiente de trabalho que influenciam diretamente em seu desempenho laboral, saúde e estado emocional.
Colaborações 
 
Cahú GRP colaborou com a concepção do projeto, execução da pesquisa e redação do artigo. Costa SFG contribuiu para com a concepção do projeto, execução da pesquisa, redação do artigo e aprovação final da versão a ser publicada. Costa ICP; Batista PSS e Batista JBV colaboraram com a revisão crítica relevante do conteúdo intelectual.

Referências

1. Cahú GR, Rosenstock KI, Costa SF, Leite AI, Costa IC, Claudino HG. [Scientific production in journals online on the practice of bullying: an integrative review ]. Rev Gaúcha Enferm. 2011;32(3):611-9. Portuguese. [ Links ]
2. Azevedo AL, Araújo ST. [The visibility of moral harassment in the work of nursing ]. Rev Pesp Cuid Fundam. 2012; 4(3):2578-84. Portuguese. [ Links ]
3. Battistelli BM, Amazarray MR, Koller SH. [Mobbing at work according to operators of the law ]. Psicol Soc. 2011;23(1):35-45. Portuguese. [ Links ]
4. Cezar ES, Marziale MH. [Occupational violence problems in an emergency hospital in Londrina, Paraná, Brazil ]. Cad Saúde Pública. 2006; 22(1):217-21. Portuguese. [ Links ]
5. Dias HH, Ramos FR. [The care (lessness) in the nursing work with chemical dependents ].Texto & Contexto Enferm. 2003;12(1):44-51. Portuguese. [ Links ]
6. Nunes TS, Tolfo SR. Assédio moral no trabalho: consequências identificadas por servidores docentes e técnico-administrativos em uma Universidade Federal Brasileira. Revista GUAL. 2012;5(3):264- 86. Portuguese. [ Links ]
7. Garbin AC, Fischer FM. Assédio moral no trabalho e suas representações na mídia jornalística. Rev Saúde Pública. 2012; 6(3):417-24. Portuguese. [ Links ]
8. Guimarães LA, Rimoli AO. [Workplacemobbing: a multidimensional psychosocialsyndrome ]. Psicol Teor Pesq. 2013;22(2):183-91. Portuguese. [ Links ]
9. Fontes KB, Carvalho MD. [Variables involved in the perception of psychological harassment in the nursing work environment ]. Rev Latinoam Enferm. 2012; 20(4):761-8. Portuguese. [ Links ]
10. Guedes MN. Assédio Moral e responsabilidade das organizações com os direitos fundamentais dos trabalhadores. Rev Amantra II.2003; 4(10). Available from: http://biblioteca.planejamento.gov.br/biblioteca-tematica-1/textos/trabalho-e-previdencia/texto-9-2013-assedio-moral-no-ambiente-de-trabalho-e-a-responsabilidade-civilempregado-e-empregador.pdf. Portuguese. [ Links ]
11. Ferreira JB, Mendes AM, Calgaro JC, Blanch, JM. [Moral harassment of amnestied professionals at a public organization ]. Psicol Rev. 2006;12(20):215-33. Portuguese [ Links ]
Recibido: 07 de Febrero de 2014; Aprobado: 26 de Marzo de 2014
Autor correspondente: Graziela Ribeiro Pontes Cahú, Cidade Universitária, João Pessoa, PB, Brasil. CEP: 58051-900. grazielacahu@hotmail.com
Conflitos de interesse: não há conflitos de interesse a declarar.

Fonte: ScieloBrasil

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Você é vítima de assédio moral no trabalho? Defenda-se!



Por Álvaro Ferreira da Costa

Muito se fala sobre o assédio moral, mas poucos trabalhadores realmente sabem o que caracteriza a prática e como proceder se for vitimado.

O assédio moral é tão antigo quanto o trabalho! Resumidamente, a prática consiste na exposição do trabalhador a situações humilhantes caracterizadas por violência psicológica. Tal prática acontece repetidas vezes dentro do ambiente de trabalho e, geralmente, quando o funcionário está executando suas tarefas.

Dessa forma, algumas situações específicas podem ser consideradas assédio moral, como xingamentos, principalmente na frente de outros colegas; impor metas inatingíveis; negar folgas quando os outros funcionários são liberados; apelidar o empregado; excluir o funcionário do convívio dos outros; entre outras situações.

A principal causa de o funcionário ser vítima do assédio moral é o desejo que o agressor tem de vê-lo desligado da empresa. Assim, cria-se um ambiente insustentável em volta do trabalhador para ele pedir a demissão e a empresa não ter que arcar com os custos da demissão sem justa causa.

Os trabalhadores devem estar atentos aos sinais! O assédio moral, além de prejudicar o outro profissionalmente, pode trazer danos psicológicos, como a depressão, e até físicos.

A vítima do assédio moral deve anotar com detalhes todas as situações constrangedoras a que foi submetida; pedir ajuda de colegas que testemunharam o fato; evitar conversar com o agressor sem testemunhas; e procurar o Sindicato.

Quando comprovado, os tribunais trabalhistas reconhecem o assédio e fazem com que os empregadores paguem indenizações à vítima. O Sindigráficos pede aos gráficos da base que procurem o Sindicato caso isso esteja acontecendo em sua empresa, seja com o próprio trabalhador ou colega. Os trabalhadores merecem respeito e um ambiente de trabalho harmonioso.

  Álvaro Ferreira da Costa, Presidente do Sindicato dos Gráficos de Barueri e Região.
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O assédio moral nas relações de trabalho como agente violador dos direitos humanos

Jhéssica Luara Alves de Lima


Resumo: O presente artigo objetiva fazer um estudo sobre o assédio moral no âmbito das relações de trabalho, sob uma ótica voltada para os direitos humanos. O assédio moral atua como um agente violador de direitos e garantias fundamentais. O assédio moral tem por finalidade banir à vítima do ambiente de trabalho através da pressão psicológica. Apesar de possuir alguma similitude, o assédio moral não se confunde com o assédio sexual. Constata-se o assédio moral quando do estudo do direito humano e do trabalho, e sua relação com o mundo globalizado. Com a elaboração do presente estudo concluiu-se que o assédio moral no ambiente de trabalho constitui um processo vitimizador, cujas consequências ultrapassam as demarcações éticas aceitáveis em uma sociedade civilizada, onde o trabalho é considerado um dos direitos mais sagrados atribuídos ao ser humano.

Continue lendo AQUI.
 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Muitas ações trabalhistas são provenientes de assédio moral

Problema deve ser denunciado


A rotina de muitos trabalhadores é envolvida por estresse. Algumas pessoas se sentem desmotivadas a ir pro trabalho só de pensar em possível assédio moral. “Profissionais que desrespeitam os colegas usando de artifícios maldosos que causam abalos emocionais são alguns dos casos que acabam gerando o aumento do número de ações trabalhistas por assédio moral”, comentou o advogado especialista em direito empresarial, Mauro Scheer Luís.


Segundo o advogado, para que uma conduta do empregador seja considerada assédio moral, em primeiro lugar, de fato deve existir um abalo moral ao empregado, não um simples aborrecimento. O abalo ocorre quando efetivamente há uma desestruturação emocional da “vítima”. Porém, é preciso observar que o empregador cobrar do empregado a concretização das metas inerentes ao seu cargo, ou alterar sua função dentro da empresa, são condutas que não implicam necessariamente na configuração de assédio moral.


“É importante deixar claro que o assédio moral não é constituído por um simples ato isolado, único. É uma prática repetitiva de atos ofensivos e humilhantes à dignidade da pessoa dentro do ambiente de trabalho, durante um período prolongado. Tal conduta pode ser realizada pelo superior hierárquico (chefe), mas também tem sido comum a ocorrência do chamado assédio horizontal, que ocorre quando profissionais do mesmo nível hierárquico provocam um abalo emocional nos seus parceiros de trabalho. É o caso que ocorre, por exemplo, quando um grupo de colegas de trabalho imputa a outro colega um apelido difamatório”, exemplificou Scheer.


Já ocorreram inúmeras condutas que a Justiça considerou assédio moral, tais como: diminuir o tamanho da mesa de trabalho dos funcionários que não cumprem metas e conceder “premiações” a funcionários que não cumprem metas como castigos e objetos depreciativos.


Contudo, nem sempre a prática de assédio moral é de fácil comprovação, pois muitas vezes ocorre de forma dissimulada, visando minar a autoestima da “vítima”. Mas, é preciso lembrar que é o empregado que tem o ônus da prova, ou seja, ele deve provar os fatos que alega, os quais configurariam assédio moral.


Indenização


Para assegurar a justiça em casos de assédio moral, a Constituição Federal prevê que a honra do cidadão dever ser preservada e, caso seja violada, deve haver indenização por isso. “Também tem sido comum o ajuizamento de ações por parte do Ministério Público do Trabalho contra empresas que constantemente são acusadas de promover assédio moral. Nesses casos, o MTP acaba solicitando uma indenização altíssima, que será convertida ao Fundo do Amparo ao Trabalhador”, diz o especialista.


Os valores da indenização costumam variar de casos a caso, isto porque eles são arbitrados pelo juiz, na análise de cada caso concreto, levando-se em conta, dentre outros: a necessidade do ofendido; a capacidade do ofensor; o grau de culpa; a extensão dos danos e a duração dos atos ofensivos.


“Também já vimos casos em que a empresa foi condenada a contratar profissionais para fazerem palestras aos gestores, ensinando-os o que é assédio moral e como ele deve ser evitado. Por isso, é essencial que as empresas tenham políticas e treinamentos que criem uma cultura organizacional de respeito aos direitos individuais. Dentre as ações preventivas estão a criação de canais de comunicação para recebimento de denúncias, adoção de Códigos de Ética, entre outras iniciativas. O ideal para qualquer empresa é a prevenção, preparando-se para lidar com situações adversas, evitando que o caso chegue à Justiça”, conclui Scheer.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

TRT julga 951 processos de assédio moral entre janeiro e maio em MS


Assédio moral é desequilíbrio na relação de trabalho, diz psicóloga.
Reportagem do Bom Dia MS desta terça-feira mostrou alguns casos.


O Tribunal Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul (TRT-MS) julgou 951 processos em que constavam casos de assédio moral entre janeiro e maio de 2014. Em 2013, foram julgados 4.173 processos. Reportagem do Bom Dia MS desta terça-feira (3) mostrou alguns casos de assédio moral. Assista Aqui

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Rede Kinoplex pode pagar R$ 1 mi por assédio moral a funcionários

Trabalhadores denunciam que não podem sentar e não recebem hora extra.
Eles dizem ainda que não usam Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

 

O Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) ajuizou uma ação civil pública na Justiça do Trabalho contra a rede de cinemas Kinoplex por danos morais coletivos. Se condenada, a empresa pode pagar R$ 1 milhão por submeter seus funcionários a irregularidades no ambiente de trabalho.

Em depoimentos colhidos pelo MPT, ex-empregados do Kinoplex relataram que eram proibidos de trabalhar sentados, mesmo após longos períodos em pé, tinham que pedir permissão para usar o banheiro e também manuseavam máquinas, a exemplo de uma pipoqueira, sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Além disso, de acordo com o MPT, gerentes da empresa ainda repreendiam os funcionários na presença de clientes e incentivavam o pedido de demissão por parte de funcionários “insatisfeitos”. Os trabalhadores denunciam ainda a falta de pagamento de horas extras por parte da rede Kinoplex.

Diante das irregularidades, o Ministério do Trabalho Público do Trabalho pediu na Justiça do Trabalho, em caráter liminar, que a rede de cinemas seja proibida de realizar qualquer desconto salarial relacionado à reposição de estoques, que efetue o pagamento devido de horas extras e conceda intervalos intrajornadas. O MPT pede ainda que a empresa providencie assentos ergonômicos e EPIs para os empregados e que não pratique nenhuma conduta de assédio moral. O descumprimento das obrigações pode acarretar multa de R$ 100 mil.

A reportagem do G1 entrou em contato com a assessoria de comunicação do Kinoplex que informou que a rede ainda não foi notificada oficialmente da ação civil pública. De acordo com a assessoria, só será tomada alguma medida após essa notificação. 

Fonte G1

terça-feira, 17 de junho de 2014

Após sofrer assédio moral por anos, deficiente sai de emprego e cria empresa de sucesso na internet

O empreendedorismo pela internet foi o caminho que uma empresária de Campinas (SP) seguiu para superar o assédio moral e o preconceito por ser deficiente. Mirela Goi, 39, abriu uma loja on-line de sucesso depois de ter sido discriminada no trabalho. "Tive o azar, ou sorte, de ter uma chefe que não me via como alguém capaz. Convivi com esta situação sem nunca desistir até ser demitida", afirmou à Marie Claire.

A empresária, que tem paralisia causada pela poliomielite, afirma ter sofrido dois anos o assédio de sua superiora, mas usou a dificuldade em benefício próprio. Em 2009, ela fundou a Ma Sweet Cases, uma empresa que vende forminhas de bolo. "Encarei a realidade e vi que para me sobressair precisava travar uma batalha. Quando surgiu a oportunidade de ter meu negócio, decidi gastar toda minha dedicação em algo próprio. Acreditei que dependeria muito mais de mim do que da aprovação de chefes. E tem dado certo", disse.

Atualmente com ganhos na faixa de R$ 30 mil por mês, a empresa vende para o Brasil e países como Estados Unidos, Portugal e Emirados Árabes. Os pedidos geralmente são para festas de casamento, aniversário, debutante, boda e batizado.

No ano passado, a empresa vendeu seus produtos para mais de 550 clientes, número superado já nos primeiros meses de 2014. A meta é dobrar as encomendas a cada 12 meses. O resultado positivo se deve às redes sociais. "Meu negócio só foi possível devido à internet. Estou sempre atenta às mudanças. Leio muito sobre novas plataformas, novas tendências", conta. A página da empresa no Facebook reúne mais de 25 mil fãs.

Mas alcançar o sucesso não foi nada fácil. Mirela foi diagnosticada com poliomielite na infância e, por conta da doença, também foi vítima de discriminação em outras fases. “Quando saí da minha primeira faculdade, me deparei com um mercado totalmente despreparado. Eu trabalhava sem esperanças, pois a deficiência acabava sendo um problema dentro das empresas, tanto por falta de adaptação, como pelo preconceito", disse.

SUPERAÇÃO

Anos depois, Mirela enfrentou novamente uma instituição de ensino para estar mais preparada como empresária. O curso de relações públicas foi feito nas horas livres em que cuidava do negócio.

Foi nessa época em que a empreendedora aprendeu a conciliar a Ma Sweet Cases com suas tarefas como mãe da menina Maysa, 4, e também como esposa. "Às vezes, aproveito horas mais calmas para fazer algo pessoal ou para a família. Isso ajuda a quebrar a pressão e dá energia para fazer novos trabalhos."

Agora que conquistou sua independência financeira, Mirela aconselha pessoas que passam por problemas semelhantes aos quais enfrentou. Para ela, deve-se buscar um trabalho que traga satisfação pessoal. "As mulheres com alguma deficiência podem realizar muitas coisas. É necessário encontrar suas qualidades e se empenhar. Todos temos algo que pode ser importante para outras pessoas. Se fizerem esse algo se sobressair, nada será empecilho", conclui.

Thiago Baltazar - Revista Marie Claire

(fonte, acesso em 03/06/2014)
 
Colaboração Fred Filho

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Denúncias de assédio moral precisam ser apuradas

Na segunda-feira passada, 9 de junho, a AFBEPA, na pessoa da Presidenta Kátia Furtado, foi até  a Superintendência de Desenvolvimento de Pessoas-SUDEP, solicitar que aquela Superintendência apure o mais urgente possível algumas denúncias de assédio moral, ocorridas dentro de algumas Unidades de Trabalho do Banpará.
A SUDEP informou que ouvirá todos os funcionários envolvidos nas denúncias, ou seja, tanto vítimas quanto assediadores, e, que após, se for o caso, abrirá o devido Procedimento Administrativo Disciplinar - PAD. 
A AFBEPA tem uma grande preocupação com os inúmeros problemas de relacionamento interpessoal denunciados, principalmente a forma de tratamento dado por certos gestores aos seus subordinados. Segundo ouvimos, é humilhante e muitas das vezes aos berros, a forma como esses gestores se dirigem aos seus subordinados, quando chamam à atenção por qualquer falha, eles gritam e o fazem na frente de outras pessoas.
Entendemos que é preciso ter cuidado com isso, as pessoas que agem da forma acima descrita precisam de urgente tratamento, e o Banpará precisa investir tanto em prevenção como em remediação, descobrir o que está acontecendo na vida desse ou dessa agressora. Vemos que uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas como psicólogo, terapeuta, médico do trabalho, psiquiatra etc, é necessária. 


"Medidas punitivas não resolvem o problema. Ao contrário, pioram", afirma Kátia Furtado. O Banpará deve buscar trabalhar os casos já existentes de assédio moral e agir de forma preventiva contra este crime que contribui para o adoecimento no ambiente do trabalho.

A Superintendente pediu também que os bancários denunciem os casos para aquela Superintendência de Pessoal.


Clique AQUI para saber mais sobre assédio moral.

Fonte: afbepacoragem

domingo, 15 de junho de 2014

Republicação 25 Parte 4

Relato 25 (O Preço de uma Decisão) 4/4


Pedi demissão no mesmo mês por não suportar mais tantos abusos e iniciei o cumprimento do aviso prévio. 

No penúltimo dia do aviso prévio os meus patrões me chamaram no escritório. Disseram que eu era boa funcionária, que aquilo tudo fora uma “fase" e que passara, que eles queriam meu bem, e tinham uma proposta a me fazer.


Eles me dariam férias para eu "descansar", mas além da proposta, tinha um “favor”.  As férias seriam apenas no papel, mas eu continuaria a trabalhar normalmente, porque eles iriam demitir outra podóloga, e o Instituto não poderia ficar desfalcado. Eu ficaria para dar “suporte técnico”. Propuseram também que para todos os efeitos ficasse como se eu tivesse vendido 10 dias das minhas férias.


Mais uma vez eu cedi às suas propostas. Assinei as férias, mas não usufruí, continuei trabalhando.

Nesse período não me foi permitido assinar a folha de ponto, apenas nos 10 dias “vendidos”. O pagamento? No holerite constava pagamento de R$3.800,00, (das férias) mas na verdade só recebi R$1.900,00. Como sempre, com chegue nominal da empresa que eu sacava na boca do caixa no mesmo Centro Comercial. Quanto ao pagamento do meu trabalho nas “ferias”, não houve pagamento algum. Pagaram-me apenas a comissão de 30% dos 10 dias “vendidos”.

Foram descontadas algumas dívidas e mesmo assim, ainda fiquei devendo R$800,00. Insisti muito que descontassem logo toda a minha dívida, pois não queria dever mais.

Eles se recusaram a receber, alegando que era para eu pagar depois e para não me preocupar. Disseram que em alguns meses haveriam mudanças na forma de registrar os funcionários e que eu poderia ganhar o dobro do salário e que estavam aguardando apenas acertar alguns “detalhes” com o contador, o advogado e Sindicato. O Sr. "P" chegou a dizer que estava cansado de tantos processos trabalhistas, por isso ele estava estudando uma forma para não ser processado.

Durante o período que passei trabalhando naquele Instituto, cheguei a pedir demissão umas três vezes, mas sem sucesso, pois eles falavam que era besteira minha. Diziam que eu não conseguiria nenhum lugar para ganhar “tão bem assim”, e sempre vinham com alguma proposta ou alguma história para me convencer.

Um deles era espírita e me dizia que tinha um espírito que falava com ele, que lhe “soprava no ouvido”, e este espírito ou mentor mandava mensagens para mim. Por exemplo: que não era para eu voltar para São Paulo, e que eu tinha que me distanciar da minha mãe e da minha família.


Eu me sentia enfraquecida psicologicamente e não tinha mais força para lutar nem argumentar sobre tudo aquilo, afinal era a religião dele, algo que não dá para se discutir.

Desde março os problemas de saúde física também começaram a surgir. Sentia fortes dores nos braços, pescoço, ombro, cansaço, desânimo, dores de cabeça constante, perda de peso, não sentia vontade alguma de comer e comecei a ir com mais frequência aos médicos. Quando me davam atestado eu os entregava na empresa, mesmo sabendo que não iria receber pagamento algum, já que mesmo com carteira assinada, eu só ganhava os 30% de comissão pelos serviços prestados.

Em junho avisei a Sra. "P" para diminuir a minha quantidade de atendimentos diários, pois eu não aguentava mais de tanta dor nos braços. Pedi que não agendassem para mim procedimentos longos (alguns atendimentos chegavam a durar 2 horas), pois eu não conseguiria  fazê-los ao menos por enquanto, até que eu passasse por exames que já estavam agendados pelo Posto de Saúde no Hospital Público para o  mês seguinte.

Todas as recepcionistas foram avisadas, pois os podólogos não tinham acesso à agenda eletrônica, muito menos a contato pessoal com clientes fora dali (sujeito a punição, com advertência e até suspensão), pois o cliente era do Instituto e não do podólogo. Pedi que quando algum cliente insistisse em passar comigo que fossem avisados que eu não podia atendê-los temporariamente, em procedimentos longos, devido a problema de saúde.

De nada adiantou, pois mesmo assim agendaram comigo um procedimento de 2 horas o qual me recusei a fazer. Fui orientada atender a cliente e “fazer o que desse”, pois a cliente era “minha”, o que para mim era inadmissível. Não trabalho de qualquer jeito, prefiro não atender, a iniciar um procedimento que sabidamente tinha consciência de que não teria condição de executar adequadamente, podendo causar à cliente um problema por imprudência e até imperícia.

Senti-me mais uma vez usada e desrespeitada como profissional e como ser humano. Considerei aquilo também um desrespeito à cliente que estaria pagando por um procedimento quase R$ 100,00 e merecia um atendimento de qualidade. E mesmo que fosse R$ 1,00 lhe devíamos respeito. Mas a sensação era de que os proprietários só pensavam nos lucros, e uma das suas máquinas de fazer dinheiro, era eu, doente ou não.

Indignada fui até o Sr. "P" e disse que não dava mais, e que eu iria embora. A reação dele foi: -“De novo? amanhã você conversa com a Sra. “P”, você deve ter arrumado outro emprego”. Respondi que não, que estava era cansada mesmo.

Sentia-me exaurida, sugada, sem forças. Sabia que precisava de ajuda, pois minha saúde física e emocional estava aos pedaços, mas onde procurar, e onde encontrar ajuda?

No dia seguinte não voltei a empresa como havia sido orientada pelo dono. Sabia que se voltasse lá, mais uma vez a história se repetiria. Eles viriam com uma proposta, um pedido de favor, uma mensagem do além ou outra coisa qualquer, e a minha vida continuaria nas mãos deles.


Lembrei-me do Sindicato da Saúde (não existe Sindicato de Podólogos aqui, e a situação de regulamentação da profissão no Brasil ainda depende de decisões de instâncias superiores) e decidi que iria procurar ajuda lá. Fui recebida com muito carinho por uma funcionária, a Heloisa, eu chorava muito, mal conseguia falar. Contei a ela, ao advogado e ao Diretor do Sindicato toda a minha história, eles pediam que eu me acalmasse e me orientaram a não voltar à empresa naquele dia, pois o meu estado emocional estava abaladíssimo. Pedi a eles que fossem lá comigo para formalizar minha demissão, pois sabia que se eu fosse sozinha eles iriam me convencer a ficar, como sempre, e ainda tinha os R$800,00 da dívida sem fim.


Fui recebida com muito carinho por uma funcionária, a Heloisa, eu chorava muito, mal conseguia falar. Contei a ela, ao advogado e ao Diretor do Sindicato toda a minha história, eles pediam que eu me acalmasse e me orientaram a não voltar à empresa naquele dia, pois o meu estado emocional estava abaladíssimo. Pedi a eles que fossem lá comigo para formalizar minha demissão, pois sabia que se eu fosse sozinha eles iriam me convencer a ficar, como sempre, e ainda tinha os R$800,00 da dívida sem fim.

Recebi do Sindicato da Saúde um apoio incrível, na pessoa de seus funcionários, de todos os escalões. Não posso deixar de expressar aqui os meus sinceros agradecimentos.

A minha história ainda não acabou, sei que demorei muito a entender o abuso deles para comigo. Não entendia que eles me queriam devendo sempre, para terem poder de barganha sobre mim. Eu achava que tudo era "normal”, procurava me convencer a cada dia de que  para se conseguir ‘algo na vida’ precisava me sujeitar à empresa para a qual eu trabalhava. Passei a achar que as atitudes de abuso dos proprietários eram “normais”, era o que acontecia em qualquer empresa. Dava à empresa o melhor de mim, ajudava em tudo que era possível e imaginável, da faxina ao controle de estoque.

A ficha só começou a cair quando fui ficando cada vez mais doente e percebi o descaso deles para comigo e as exigências absurdas para eu trabalhasse, mesmo assim.


Felizmente tenho mania de guardar as coisas, bilhetes, contratos, e-mails, tudo mesmo. Por isso acabei de descobrir aqui no blog, que possuo muito mais provas do que vivi e sofri do que provavelmente os meus patrões imaginam. Felizmente também poderei contar com o testemunho de vários ex colegas que já se disponibilizaram a isso.

Depois que entendi toda a exploração que sofri, passei um período de grande sentimento de culpa. Como pude a essa altura da minha vida, ter me deixado levar por tal situação? Sentia-me uma verdadeira ‘toupeira’, ‘cega’ ‘burra', 'idiota’... Coisas que definitivamente sei que não sou.

Vou ficar muito feliz quando puder voltar aqui, pra contar a vocês o resto da minha história. E mesmo que por algum motivo eu não volte, ou demore muito a voltar, já terá valido a pena, se eu tiver conseguido abrir os olhos de você que me lê, para algumas situações que possam cruzar um dia o seu caminho.

Quando a “esmola” for muito grande, você que não é santo, desconfie!


Um grande abraço,


"Y"


P.S. Assediados

Embora Assédio Moral no Trabalho, não escolha raça, cor, religião ou classe social, profissões que ainda não contam com o devido reconhecimento de legislações trabalhistas, certamente deixam seus profissionais em situação de desvantagem, e muitas vezes a mercê de atitudes desrespeitosas e abusivas como as descritas neste caso.

Desejamos que providências sejam tomadas para que cada vez menos, tenhamos que ouvir relatos tão desumanos.