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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Assédio degrada o ambiente de trabalho, dizem especialistas da área

Constrangimento, humilhação, situações vexatórias, desqualificação profissional com grandes ou pequenos gestos caracterizam um dos grandes males do ambiente de trabalho: o assédio. Especialistas em Direito do Trabalho definem que o assédio, seja ele moral ou sexual, é um espécie de degradação do ambiente de trabalho, que por determinadas condutas abusivas, às vezes desenfreadas, de superiores hierárquicos sobre os seus subordinados, torna impossível a continuidade da relação trabalhista.
 
O mestre em Direito do Trabalho e professor da pós-graduação da PUC-SP, Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, explica que o assédio moral é caracterizado, principalmente, pela violação da dignidade profissional de um trabalhador. “Este tipo de assédio pode ocorrer de forma sutil, num gesto como um simples ‘balançar de cabeça no sentido negativo’, desde que reiterado quando manifestada uma opinião sobre um trabalho em reunião, ou mesmo um sorriso carregado de cinismo, também em reiteradas vezes, por um colega de trabalho. E também de outras formas como a retirada aos poucos de funções que antes eram delegadas para determinado empregado; passar a não convidar determinado empregado para frequentar reuniões que outrora participava; retirada de instrumentos de trabalho; transferências de setor; entre outros”, exemplifica.
 
Freitas Guimarães salienta que essas atitudes, quando reiteradas, demonstram, por meio de ordens e gestos, que aquela pessoa, seja chefe ou colega de trabalho, não contribui em nada para o sucesso do ambiente de trabalho. “Essas atitudes criam um desgaste no íntimo do trabalhador assediado, muitas vezes até fisiológico, o que pode provocar uma série de problemas para a empresa e para o trabalhador”.
 
A advogada Rosanne Maranhão, sócia do Braga e Balaban Advogados, que também é mestre em Direito Político e Econômico, destaca que o assédio é um tipo de violência que expõe os trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes. “Esses atos visam humilhar, desqualificar e desestabilizar, emocionalmente, a relação da vítima com a organização e o ambiente de trabalho”.
 
Perfil
 
O perfil do assediador, segundo os especialistas, é de um superior, ou seja, aquele chefe que agride o subordinado. Entretanto, um colega também pode agredir outro colega, quando este, por exemplo, ganha uma promoção. “Geralmente, os assediadores são pessoas com sentimento de grandeza, prepotentes, arrogantes, egocêntricos etc. Em suma, são indivíduos que não admitem ser questionados ou censurados e, na maioria das vezes, são insensíveis, inescrupulosos e invejosos”, revela Rosanne Maranhão.
 
A advogada trabalhista Renata Macedo do Lago, do escritório Rodrigues Jr. Advogados, avalia que um fato recorrente é o assédio de chefes inseguros a seus subordinados, temendo que estes lhe tomem o cargo. “No caso do assédio sexual, os assediadores são, em sua maioria, homens e as vítimas, geralmente, mulheres. Mas é evidente que o assédio pode ser perpetrado tanto de mulheres contra homens como entre as mulheres e entre os homens”, aponta.
 
Para Rosanne Maranhão, entre as vítimas, em sua maioria, estão os trabalhadores honestos, perfeccionistas e que não faltam ao trabalho. “Os empregados mais solitários, sensíveis, portadores de alguma deficiência ou com problemas de saúde podem ser um bom alvo de assédio. Ainda não podemos esquecer aqueles que têm orientação sexual ou crença religiosa diferente daquela do agressor e das mulheres casadas, grávidas ou com filhos pequenos”, lembra a advogada.
 
Fonte: A Tribuna

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