"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


terça-feira, 29 de abril de 2014

Hoje foi celebrado o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho

Vários países, como o Brasil, celebram nesta segunda-feira (28) o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho. A data, estabelecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), também é conhecida como Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Isso porque em 28 de abril de 1969 uma explosão em uma mina, em Virgínia, nos Estados Unidos, matou 78 trabalhadores.

De acordo com as centrais sindicais brasileiras, o aumento dos casos de doenças e mortes relacionadas à rotina estressante de trabalho tem que ser destacado. "Assédio moral no trabalho e a violência organizacional adoecem e podem matar" é o tema das mobilizações e dos debates promovidos pelos trabalhadores este ano.

“A categoria bancária está entre as que mais sofrem os efeitos do assédio moral e da forma de gestão adota pelos bancos, que prioriza o lucro, com metas cada vez mais altas em detrimento da saúde dos funcionários”, analisou José Pinheiro, presidente do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Rondônia (SEEB-RO).

Para o sindicalista o combate ao assédio moral e ao modelo de administração do setor bancário, que causa o adoecimento, precisam passar por intervenção direta dos trabalhadores.

"Para a melhoria da saúde dos trabalhadores é necessário a participação dos empregados no processo que define a organização do trabalho, prevendo a intervenção nos ambientes de trabalho. Tudo passa pela democratização das relações de trabalho no Brasil, garantindo o cumprimento das convenções da OIT, como a 144 por exemplo", explica.

 

ASSÉDIO MORAL E DEPRESSÃO

No ramo financeiro, as doenças relacionadas à saúde mental já superam as do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, as chamadas LER/DORT.

Em 2013 foram 18.671 afastamentos de bancários por problemas de saúde. Do total de auxílios-doença acidentários concedidos pelo INSS, 52,7% tiveram como causas principais os transtornos mentais e as doenças do sistema nervoso. Isso significa dizer que, de cada dez bancários doentes, cinco são por depressão.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 a depressão passará da 4ª para a 2ª colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo. Estima-se que 121 milhões de pessoas sofram com a depressão, sendo 17 milhões somente no Brasil e, segundo dados da OMS, 75% nunca receberam um tratamento adequado.

 

SAÚDE E CONDIÇÕES DE TRABALHO

A consulta da Campanha Nacional dos Bancários de 2013, realizada pelos sindicatos, sob a coordenação da Contraf-CUT, ouviu 37.097 funcionários de bancos públicos e privados sobre diversos assuntos de interesse da categoria. O combate ao assédio moral e às metas apareceram nas principais expectativas dos trabalhadores.

Entre os entrevistados, 66,4% responderam que querem o fim das metas abusivas, 58,2% pedem o combate ao assédio moral e 27,4% assinalaram segurança contra assaltos e sequestros.

"Os bancários sofrem as consequências de um ambiente de trabalho autoritário e adoecedor. Os bancos falam tanto em equipe, mas a cobrança é individualizada, o que gera tensão e sofrimento mental para o trabalhador. O assédio moral e o ritmo intenso de trabalho causam várias doenças. É fundamental e urgente combater a origem de tudo isso, mas hoje não há espaço para diálogo nos locais de trabalho", acrescenta Pinheiro.




Fonte: Rondoniadinamica.com

Os brutos também sofrem

As importantes lições deixadas pelo
polêmico caso de assédio moral no futebol americano
Por Frederico E. Fernandes Filho
 
No refeitório da sede do time de futebol americano Miami Dolphins, o jogador Johathan Martin, 24 anos, serviu-se de comida e caminhou até uma mesa, onde havia vários de seus colegas almoçando. Quando Martin sentou-se, todos à mesa levantaram-se e deixaram-no sozinho. Furioso, Martin amassou sua bandeja, levantou-se e foi embora do clube. E não voltou mais.
 
Dias depois do episódio, ocorrido em outubro de 2013, veio à tona a informação de que o que alguns consideravam uma “brincadeira” tinha sido apenas a gota d’água num oceano de humilhações comandadas por Richie Incognito, 30 anos, colega de time de Martin. No mês seguinte, Incognito – considerado um dos jogadores mais sujos da liga – foi suspenso por prazo indeterminado.
 
Pressionada pela opinião pública, a liga de futebol americano (NFL) contratou uma investigação independente para apurar o caso. O relatório dos investigadores, de 144 páginas, foi revelado em fevereiro de 2014 e comprovou que Martin foi vítima de assédio moral praticado por Incognito e mais dois jogadores.
 
Foram ouvidas mais de 100 testemunhas e analisadas milhares de mensagens de texto que comprovaram que, durante duas temporadas, Martin (que é afrodescendente) foi ofendido quase que diariamente com insultos racistas e xingamentos impublicáveis. Ele também teve que suportar um sem-número de pesadas ofensas de cunho sexual contra sua mãe e irmã.
O relatório apontou que outro jogador, considerado homossexual, e um assistente de treinador, nascido no Japão, foram vítimas de uma série de xingamentos e humilhações do mesmo grupo de assediadores. Os veteranos também tinham o costume de obrigar os novatos a pagarem por caros jantares e festas, o que custou a Martin US$ 15mil para uma ida dos jogadores até Las Vegas.
 
Martin foi diagnosticado com depressão e pensamentos suicidas em decorrência da violência moral a que fora submetido, o que motivou sua saída do time. Em março, ele foi transferido para o San Francisco 49ers.
 
Como consequência da investigação, os técnicos Jim Turner e Kevin O’Neill foram demitidos, já que tiveram conhecimento – e inclusive participação – em alguns dos fatos. Incognito, que continua suspenso, teve um acesso de fúria com a divulgação do relatório e depredou sua própria Ferrari preta a golpes de taco de beisebol. Acabou sendo internado num hospital psiquiátrico, onde passou por tratamento contra o estresse. Críticos esportivos recomendam seu banimento do futebol.
 
Esse caso ganhou grande repercussão por diversos fatores. Além do impacto causado na sociedade pela divulgação dos detalhes sórdidos das ofensas, os acontecimentos tiveram como palco a NFL, a liga que organiza o multimilionário Super Bowl, uma das poucas datas que consegue, literalmente, parar a nação mais poderosa do mundo.
 
Todo esse escândalo acabou levantando importantes questões, como a necessidade de criação de leis contra o assédio moral no trabalho, o que é apoiado por 93% dos norte-americanos, segundo pesquisa do Workplace Bullying Institute.
 
O episódio ainda quebrou alguns paradigmas e causou um impacto positivo na sociedade.
 
O primeiro é o de que o assédio moral deveria ser encarado como algo normal. Por incrível que possa parecer, algumas pessoas criticaram a conduta de Martin (de ter denunciado o assédio), porque ele teria violado o “código de conduta” dos vestiários. O que eles chamam de “brincadeiras” seriam algo normal no ambiente de trabalho de futebol americano, o que, por outro lado, despertou a suspeita de que tais atos estejam ocorrendo em outras equipes. Entretanto, o relatório considerou que o tratamento dispensado a Martin e seus colegas é inaceitável em qualquer ambiente, e que devem ser criadas regras para garantir o respeito aos jogadores, como profissionais e como seres humanos.
 
O segundo paradigma é o de que ser vítima de assédio moral era um sinal de fraqueza, e de que só era assediado quem se deixava assediar. A sociedade finalmente parece compreender que, se um marmanjo de 1,96m e 140 kg, como Martin, sofreu assédio moral no trabalho, qualquer pessoa pode ser vítima.


Fred Filho - Consultoria em Assédio Moral no Trabalho

segunda-feira, 28 de abril de 2014

De cada dez denúncias de assédio moral no Brasil, três são contra bancos


O assédio moral ocorre, em grande parte, por conta das metas agressivas determinadas pelas instituições bancárias.

 


Dois antidepressivos por dia, mais um remédio para dormir. São esses os medicamentos que a bancária Beatriz, de 42 anos, tem de tomar todos os dias, desde que descobriu ter fibromialgia e depressão.
A bancária foi diagnosticada com distúrbios psiquiátricas após crises de choro e dores constantes pelo corpo todo. Por este motivo, está afastada do trabalho há cerca de seis meses.
“Descobri que estava doente porque quando chegava no banco começava a chorar. Também passei a dormir mal porque acordava de madrugada pensando que algo estava acontecendo no trabalho”, recorda a bancária, que é administradora de empresas.
O motivo que levou a profissional a ficar doente é cada vez mais comum no setor bancário brasileiro: assédio moral.
Segundo levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT) a pedido do iG, das 3 mil denúncias realizadas em 2013, 30% foram de bancos. De 2012 para 2013, o número de acusações aumentou 7,4%.
O ritmo de expansão do assédio moral no Brasil é maior do que o apontado pelo MPT, de acordo com levantamento interno feito pela Confederação Nacional dos Bancários (Contraf).
Segundo a entidade, em 2011, 29% dos trabalhadores do setor pediram o fim do assédio moral. Em 2012, o número aumentou para 31%. Em 2013, para 58% – de um total de 37 mil entrevistados. Ou seja, o índice dobrou de 2011 para 2013. No caso do assédio sexual, o desconforto é menor. Apenas 3,78% dos bancários ouvidos pela pesquisa (1,4 mil trabalhadores) reivindicam o combate ao assédio sexual.
De acordo com Walcir Previtale, secretário de saúde do trabalhador da Contraf, o assédio moral ocorre, em grande parte, por conta das metas agressivas determinadas pelas instituições bancárias.
“A cobrança é cada vez mais ambiciosa. Se o trabalhador atingiu os objetivos em um mês, no próximo é cobrado para superá-los. Não há limites”, avalia o secretário, que defende a participação de funcionários na elaboração das metas.
A pressão foi um dos motivos que levou Beatriz a se sentir humilhada. “Era obrigada a fazer hora extra. Quando não podia trabalhar além do horário, falavam que tinha pouco comprometimento e argumentavam que havia muitos profissionais que nem eu disponíveis no mercado de trabalho”, relata.
A bancária foi demitida do banco após queixar-se das humilhações, mas foi afastada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a pedido do médico do trabalho durante o exame demissional.
“No banco, se você recebe duas avaliações negativas, é mandado embora. É uma pressão muito grande”, destaca.
Paralelamente à cobrança por metas, o setor bancário extinguiu 10 mil postos de trabalho em 2013, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
No entanto, em 2013, a relação entre rentabilidade e patrimônio (sigla ROE, no jargão financeiro) dos bancos fechou com 11,97%, queda de 5,06 pontos percentuais em relação a 2012, segundo a consultoria Economatica. Este indicador avalia a rentabilidade das empresas.
“O setor bancário é o único que tem ferramenta de conflito de trabalho na convenção coletiva. Temos um canal onde o trabalhador pode denunciar casos de assédio moral. O banco, ao receber a denúncia, vai retreinar o gestor ou transferi-lo para evitar que esse problema volte a ocorrer”, defende Magnus Apostólico, diretor de Relações do Trabalho da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Segundo o diretor da entidade, a federação recebeu 42 denúncias em 2011 — quando o canal foi lançado. Em 2012, 119. No ano passado, esse número aumentou para 171 – alta de 43,70% em relação a 2012.
“A alta expressiva se deve à entrada de um grande banco [no acordo] e ao maior acesso dos trabalhadores à ferramenta. Hoje, eles se sentem mais confortáveis em reclamar”, explica.
Na avaliação do diretor da Febraban, as metas não são responsáveis pelo aumento do assédio moral. Isso porque, segundo ele, o índice de rotatividade do setor é baixo.
“O setor bancário é um segmento que roda pouco e mantém as pessoas no trabalho. Nossa rotatividade é de 4,5%”, defende o executivo da Febraban. Pesquisa do Dieese mostra que o índice de rotatividade no País em 2012 (último disponível) está em 64%.
Para Ricardo Carneiro, procurador do Trabalho e gerente nacional do projeto “Assédio é Imoral”, o profissional que sofre assédio moral geralmente teme perder o emprego ao realizar uma denúncia.
Por este motivo, o MPT realizou uma campanha nacional em 2013 com foco no assédio moral dos bancários. O objetivo era que os trabalhadores se sensibilizassem e denunciassem casos de abuso a algum órgão, como o próprio MPT.
“As pessoas estão conhecendo mais o que é assédio moral e, consequentemente, defendendo com mais força os seus direitos”, destaca Carneiro.

 Saúde

Casos de assédio moral não agridem apenas a integridade do funcionário, mas também podem causar danos à saúde física e mental do profissional, alerta Maria Maeno, médica da Fundacentro, do Ministério do Trabalho.
“As vítimas de humilhação podem ter desde mal estar e depressão, até problemas gástricos, hipertensão e anorexia. O tratamento deve ser feito com psiquiatra, medicamentos e psicólogo, e pode levar anos”, aconselha a médica.
Olhar para o trabalho de forma negativa é o primeiro sinal de que algo não está certo, afirma Maria. “A tendência de quem sofre assédio moral é ter repulsa ao trabalho. Não querer se imaginar mais dentro da empresa.”
A bancária Lúcia, de 36 anos, trabalha em um grande banco brasileiro há 15 anos. Nos últimos três, começou a sentir dores de cabeça, ter crises do pânico e ter pensamentos suicidas. O diagnóstico é depressão.
“Fui afastada algumas vezes pelo INSS. Em uma delas, quando voltei a trabalhar, me colocaram para editar tabelas durante dois meses, o que não é o meu trabalho. Disseram que estavam me fazendo um favor por eu estar empregada”, relata a operadora de atendimento.
Indignada com a situação, a bancária — que ainda está empregada — entrou com processo contra o banco em 2011 e ganhou em primeira instância. O caso, contudo, ainda corre na Justiça, uma vez que a instituição financeira recorreu.
“Não pedi demissão porque meu marido não é registrado e tenho um filho de quatro anos. Preciso do plano de saúde e do dinheiro para comer. Fiquei traumatizada e não tenho mais condições de voltar ao mercado de trabalho por conta disso”, diz.

Fonte: Tribuna Hoje

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pesquisa mostra que bons profissionais sofrem bullying por parte dos colegas

Pessoas pró-ativas são cobradas negativamente por funcionários mais acomodados



Muitos acreditam que o assédio moral, ou até mesmo o bullying, tem uma só mão de direção nas empresas e vai sempre do chefe para o subordinado. No entanto, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Bullying no Trabalho dos Estados Unidos, divulgada em 2014, mostra que o bullying no trabalho também é praticado entre colegas. De acordo com o levantamento, pelo menos 72% dos empregados norte-americanos foram vítimas, estão sendo alvo ou conhecem casos de assédio no trabalho. Do total de empregados pesquisados, ao menos 28% relataram que o bullying partiu de colegas de trabalho e não dos chefes.

— Esse é um fenômeno ainda invisível nas empresas, ou seja, quando as pessoas sofrem assédio por parte de colegas. E, por incrível que pareça, esse tipo de bullying tem geralmente a ver com o fato de a vítima ser um bom profissional, ter ótimo desempenho e começar a incomodar os funcionários, que se sentem ameaçados — explica Eduardo Carmello, diretor da Entheusiasmos, empresa especializada em gestão de talentos.

O consultor em liderança ainda assinala que em pelo menos em 90% das empresas brasileiras o empregado que faz mais, é pró-ativo e busca superar as expectativas é mal visto pelos colegas, o que leva a uma situação que fatalmente termina no bullying.

— Frequentemente escuto queixas de bons talentos nas empresas que raramente são reconhecidos e, pior, costumam ser perseguidos por outros grupos de empregados que deixam claro que o bom desempenho deles evidencia claramente o mau desempenho de todos os demais, daí porque costumam intimar os bons profissionais a "baixarem a bola" — alerta.

Outra informação surpreendente da pesquisa do instituto diz respeito ao perfil da vítima. De acordo com os dados, 37% daqueles que mais sofrem esse tipo de perseguição são considerados gentis e dotados de compaixão, outros 22% costumam ter jogo de cintura e atuam para alcançar um acordo e 19% são cooperativos. Ao contrário do que se imagina, os agressivos, com 15%, e os abusivos, com 6%, não são as principais vítimas.

— Esses dados são muito reveladores, pois evidenciam claramente as razões pelas quais muitos bons profissionais deixam as empresas, que é a falta de reconhecimento e perseguição por parte de colegas que buscam esconder sua incompetência perseguindo quem têm bom desempenho e uma visão mais humanitária da empresa — diz Carmello.

Para ele, quando um clima como esse se instala na empresa, os grandes derrotados são a própria organização e o empregado com desempenho excepcional, que se torna vítima do assédio. Nesse sentido, a empresa que não agir para conter esse problema vai perder as pessoas que fazem a diferença junto ao cliente e manter justamente aqueles acomodados, que são incapazes de gerar bons resultados.

— Como evitar que isso aconteça? É fundamental que as empresas tenham sistemas de competência e de meritocracia que reconheçam os bons empregados, que ajudem a desenvolver as pessoas medianas e que gerem consequências para aqueles que têm baixo desempenho — assinala.

Além disso, para o bom profissional, ganhar o mesmo que todos os demais e ainda ter que fazer mais do que os outros é um fator de desmotivação e a principal razão para que essa pessoa deixe a organização.

Diário Catarinense
Fonte: Contabeis

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Indenização de R$ 70 mil para vítima de assédio sexual e moral


Decisão da 5ª Câmara do TRT-SC condenou a BV Financeira S.A. a pagar R$50 mil a uma ex-funcionária, vítima de assédio sexual por parte de seu superior hierárquico. Ficou comprovado que, constantemente, ele convidava a moça para "sair depois do expediente" e, diante das constantes recusas, insistia por meio de mensagens por celular. Uma delas dizia: você só não é promovida porque não quer...

Durante a instrução, o juiz Luciano Paschoeto, da 1ª Vara do Trabalho de Florianópolis, confirmou a existência de seis mensagens no telefone da autora, recebidas do aparelho usado pelo seu superior, na época dos fatos, conforme foi informado pela própria empresa.

Para os desembargadores, as menções explícitas ou implícitas, com a promessa de vantagem ou de vingança, para obter favores sexuais caracterizaram o assédio. Considerar que a empregada, para manter o emprego, deveria praticar ato sexual com seu superior hierárquico é desprezar, por completo, a sua dignidade, equiparando-a a uma prostituta - diz o voto do desembargador-relator José Ernesto Manzi.

A autora da ação também vai receber - pela cobrança de metas de forma abusiva, com ameaças de demissão por não atingi-las - R$ 20 mil de indenização por assédio moral. A medida constitui abuso de direito, conforme previsto pela Súmula nº 47 do TRT-SC.

A sentença havia fixado as indenizações em R$ 5 mil pelo assédio sexual e outros R$ 5 mil pelo assédio moral. Cabe recurso da decisão ao TST.

A BV Financeira integra o grupo do Banco Votorantim, posicionado entre os dez maiores bancos em atuação no Brasil pelo critério de ativos totais.

A BV Financeira tinha sido apontada pelo Great Place to Work Institute (GPTW) como a 22ª melhor empresa para se trabalhar no Brasil - conforme publicou a revista Época em sua edição de 22 de agosto de 2009.

Em 9 de janeiro de 2009, o Banco do Brasil anunciou, por R$ 4,95 bilhões, a compra de 49,9% das ações ON do Banco Votorantim, mantendo o Grupo Votorantim no controle acionário do banco.

O advogado Fabiano Ayres D'Avila atua em nome da reclamante. (Proc. nº 0008302-40.2012.5.12.0001 -

Fonte: JusBrasil

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mantida decisão que condena município por assédio moral

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, manter sentença que condenou o Município de Sertão a indenizar por danos morais, no valor de R$ 8 mil, um funcionário público por perseguição política.

A decisão de 1º Grau foi proferido pelo Juiz Antonio Luiz Pereira Rosa, da Comarca de Getúlio Vargas.

O trabalhador, que exercia cargo de motorista, permaneceu sem designação de atividade, relegado a um pátio no local de trabalho durante os períodos de eleição e reeleição do então Prefeito da cidade, Aldemir Sachet.

Os magistrados entenderam comprovado nos autos que tal situação gerou constrangimento para o reclamante e teve motivação política, visto que este demonstrou ter posição político-partidária contrária a Sachet.

No acórdão, a Desembargadora Isabel Dias Almeida (Relatora) e os Desembargadores Jorge Luiz Lopes do Canto e Luís Augusto Coelho Braga (Presidente) votaram por negar a apelação de ambas as partes, julgando a responsabilidade do município como objetiva e mantendo o valor fixado da indenização.

Processo nº 70039793419
 
Fonte: JURISTAS

terça-feira, 22 de abril de 2014

A segurança no trabalho contra o assédio moral

Por EDUARDO GASTAUD 

Os efeitos patológicos causados por assédio moral no trabalho têm sido tema de amplo debate entre as grandes empresas, públicas e privadas, que se preocupam com a segurança e a saúde mental e física de seus funcionários. Atualmente, a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções tem sido mais comum. O resultado dessa prática pode levar a graves danos à saúde física e mental, podendo evoluir à incapacidade laborativa e, consequentemente, na demissão, desistência do emprego ou, em caso mais extremo, na morte.

Neste caso, o superior hierárquico e a empresa serão responsabilizados pela degradação deliberada das condições de trabalho. Isso porque a empresa é a responsável por oferecer condições de trabalho adequadas a todos os trabalhadores, individual ou coletivamente, caso sejam vítima de situações vexatórias, no exercício de sua função, por um superior hierárquico. Cabe à empresa custear e implementar um programa de prevenção, proteção, informação, formação e segurança contra as práticas de assédio moral, criando espaços de confiança nas suas imediações, onde o trabalhador possa ser escutado com respeito e com a garantia de sigilo da confidência.

A Lei 10.224/01 introduziu o artigo 216-A no Código Penal, tipificando o assédio sexual como crime. A pena prevista é de detenção de um a dois anos, aumentada de um terço se a vítima for menor de idade. Já o assédio moral, embora não faça parte expressamente do ordenamento jurídico brasileiro, não tem sido tolerado pelo Judiciário. O Superior Tribunal de Justiça (STF) já tem uma ampla jurisprudência em casos de assédio moral e sexual contra servidores públicos. Nos últimos anos, a corte recebeu diversos casos de abusos cometidos por agentes do estado contra colegas de trabalho, subordinados ou público em geral.
 

É interessante destacar como o setor de Segurança do Trabalho nas organizações pode auxiliar na melhoria ou, até mesmo, na extinção deste tipo de situação constrangedora no dia a dia das empresas. Isso porque um dos mais importantes papéis e funções dos profissionais de segurança é exatamente de trabalharem como guardiões e fonte do conhecimento aos trabalhadores e liderança. Quando assim o fazem, destacam a forma preventiva que uma tarefa ou atividade deve ser realizada e, dessa forma, ao contrário do que muitos pensam, estes profissionais estão desenvolvendo a cultura dos trabalhadores na melhor forma de realizar uma atividade, seja em segurança, qualidade e produtividade. 

Assim, estão capacitando, motivando as equipes, construindo uma cultura de ajuda mútua entre os trabalhadores e suas lideranças na realização de suas rotinas e atividades laborais e auxiliando a extinguir nas empresas essa cultura retrógrada de assédio moral.

EDUARDO GASTAUD
Consultor Empresarial, gestor de Segurança & Saúde Empresarial 

Fonte: FATONOTÓRIO

segunda-feira, 21 de abril de 2014

IX Conferência Internacional sobre Assédio Moral no trabalho // Milão

A Associação Internacional sobre Assédio Moral (IAWBH) vai organizar na Università Degli Studi di Milan, de 17 a 20 de Junho de 2014, a 9ª Conferência Internacional sobre Assédio Moral.

 O Assédio Moral enquanto risco laboral de natureza psicossocial tem vindo a desencadear um interesse crescente quer por parte da comunidade académica quer por parte de profissionais que exercem a sua atividade no âmbito da segurança e saúde no trabalho.
Deste modo, e no sentido de “Promover a Saúde, Dignidade e Justiça no Trabalho” vai ser realizada a 9ª Conferência Internacional sobre Assédio Moral nos próximos dias 17 a 20 de Junho de 2014 na Università Degli Studi di Milan, organizada pela Associação Internacional sobre Assédio Moral (IAWBH).
Para ter acesso à página do evento e a informação mais detalhada carregue aqui:

 

Informacões Adicionais:
Daniela Fano (ergonomia@unimi.pt)

Local: Milan, Università Degli Studi  
Data de início:
17-06-2014 
Data de fim:
20-06-2014 
Destinatários: Profissional;Público em geral 
Fonte: ACT
     

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Assédio de toga

Funcionários do Poder Judiciário de vários Estados acusam juízes de praticar humilhações e perseguições. Como servidores públicos não podem ser demitidos, as contendas viram batalhas judiciais

 

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)
 

Dos juízes espera-se equilíbrio, serenidade e, sobretudo, justiça nos atos e tomadas de decisão. Parte dos servidores do Poder Judiciário, porém, tem se deparado com magistrados autoritários e prepotentes, que perseguem e assediam moralmente os funcionários. Uma pesquisa inédita no País, realizada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro e obtida por ISTOÉ, é um indicador do ambiente ruim dos tribunais brasileiros. A enquete revelou que 44,5% dos servidores do Tribunal de Justiça do Estado entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio moral. “Começamos a perceber um número cada vez maior de servidores afastados por problemas psicológicos”, afirma Alzimar Andrade, coordenador-geral do Sind-Justiça. “Esse quadro é agravado porque os juízes assediadores se sentem em uma classe superior, repleta de poder, e têm uma espécie de garantia de não punição.” O levantamento também apontou que 45% dos funcionários ouvidos disseram que já foram ofendidos ou humilhados no atendimento a advogados ou a partes de um processo (leia abaixo).
 
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O assédio no serviço público tem peculiaridades. Em uma empresa privada, o chefe descontente pode demitir o trabalhador, algo que não ocorre com funcionários concursados. “O que se negocia são os benefícios e a independência interna do servidor”, afirma o professor de sociologia do direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro Fernando Fontainha. Isso permite, por exemplo, a perseguição de um profissional até que ele decida se exonerar da vida pública. Frequentemente, trava-se uma guerra judicial entre as partes, como ocorreu com a funcionária do Tribunal de Justiça de Minas Gerais Flávia Felício Silva, 42 anos. Ela afirma ter sido perseguida pelo juiz Roberto Ribeiro de Paiva Júnior enquanto trabalhou como escrivã judicial na Comarca de Uberlândia em 2007. “Além do meu trabalho, eu era obrigada a fazer despachos para o juiz, que é atribuição dos estagiários, e trabalhava das 7h às 22h”, relata. Flávia conta que engordou 30 quilos em quatro meses e, quando chegou ao limite, foi conversar com o juiz. “Ele disse que ninguém falava ‘não’ para ele e que eu veria quem mandava”, conta.

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BATALHA

Flávia e o juiz Roberto Ribeiro de Paiva Júnior travaram uma guerra judicial: ele entrou com cinco processos administrativos contra ela e todos foram arquivados.

Naquele momento, segundo Flávia, os maus-tratos vieram à tona. Ela foi proibida de entrar no gabinete de Paiva Júnior. “Eu ouvia dele que eu fedia e era gorda e irresponsável”, diz. Por ter cometido uma falha em um processo que resultou em prejuízo financeiro para as partes, ela tomou uma suspensão de cinco dias. Diante disso, a servidora entrou com um mandado de segurança contra o juiz e a atitude do magistrado foi considerada inconstitucional pelo TJ-MG. O caso virou uma disputa judicial. Flávia fez uma representação contra Paiva Júnior na Corregedoria-Geral do Estado e o juiz entrou com cinco processos administrativos contra ela, todos arquivados. A Corregedoria, por sua vez, determinou que o juiz a tratasse com dignidade. Em 2009, Flávia foi transferida de vara. Procurado por ISTOÉ, o Fórum de Uberlândia informou que o juiz está de férias.
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Tratamentos humilhantes repetitivos podem comprometer a identidade, as relações afetivas e a capacidade de se adequar ao ambiente de trabalho, muitas vezes sem que a pessoa tenha consciência. No Rio de Janeiro, o caso da oficial de Justiça Márcia Elisa Barroso, 38 anos, chegou ao extremo. A funcionária atirou-se do sexto andar do seu prédio, em novembro passado, após ter sido removida de local de trabalho contra a sua vontade, o ápice de uma série de problemas, segundo ela. Márcia fazia parte de um grupo de 12 servidores que, em 2011, abriu um processo administrativo para denunciar o assédio moral praticado pela chefia da Central de Mandados do Fórum de Alcântara, em São Gonçalo, e pedir remoção coletiva. “Todos sofriam com o tratamento da diretora da Central e a juíza nos acusava de fazer motim”, diz. Segundo Márcia, o tempo era restrito para cumprir o número de mandados exigidos, a diretora colocava os funcionários uns contra os outros no momento de definir plantões e quando alguém não dava conta do trabalho ela humilhava e gritava com a pessoa na frente de toda a equipe.
Em julho de 2012, Márcia passou a trabalhar em Niterói, mas em novembro passado foi novamente transferida para São Gonçalo. “Entrei em profunda depressão”, diz ela, que não se lembra direito do dia em que resolveu pular da janela. A servidora sofreu traumatismo craniano, uma série de fraturas, ainda está de licença médica e atualmente precisa de um andador para se locomover. O TJ-RJ nega que tenha havido assédio moral. A juíza Renata de Souza Vivas Pimentel, da Central de Mandados de Alcântara, afirmou que a remoção ocorreu em razão da abertura de um presídio na região, o que aumentaria a demanda de trabalho no Fórum local.
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GRUPO

Márcia e outros 11 servidores abriram um processo administrativo para denunciar o assédio moral praticado no Fórum de Alcântara, em São Gonçalo (RJ)
No Poder Judiciário, a disparidade de forças parece mais evidente. “O servidor vive um embate com uma pessoa que possui muito mais poder”, diz Roberto Dias, professor de direito constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Assim, quando o funcionário vai atrás de seus direitos, ele corre o risco de ser malvisto pelos outros juízes e prejudicar a continuidade de sua carreira pública.” A chefe de cartório Nara Pereira, 52 anos, hoje trabalha em Criciúma (SC), mas ainda teme que sua carreira seja prejudicada pelo juiz Lírio Hoffmann Júnior, com quem trabalhou no Fórum de Orleans (SC). Em 2012, ela apresentou uma representação contra ele na Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Estado, alegando maus-tratos e perseguições no ambiente de trabalho.
Os desentendimentos começaram logo no início da relação profissional. “Ele começou a incitar os estagiários contra mim e a me desautorizar diante deles. Também queria que eu o ajudasse a prejudicar seus desafetos”, conta. “Percebi que se tratava de assédio moral quando fui trancada em uma sala e uma servidora falou que eu estava sendo observada.” Nara relata ainda que a funcionária lhe disse que sua função era dar andamento nos processos para acelerar a promoção do juiz. Na denúncia à Corregedoria, Nara acusou Hoffmann de ameaçar abrir uma ação administrativa contra ela, o que de fato ocorreu. De acordo com o desembargador do TJ-SC, Ricardo Roesler, a representação aberta por Nara foi “arquivada por inconsistência de provas e o processo disciplinar continua em tramitação na presidência do Tribunal de Justiça”. Hoffmann afirmou desconhecer alegações sobre assédio moral. “Nossa relação de trabalho era boa, mas não posso dar mais informações sobre o que motivou o processo administrativo”, disse o juiz.
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Numa área célebre pela morosidade e com uma demanda de maior rapidez da sociedade, as disputas tendem a se acentuar. “O índice de servidores públicos com problemas de saúde é cada vez mais elevado”, diz Paulo Blair de Oliveira, professor da Universidade de Brasília (UnB) e juiz do trabalho há 20 anos. “Por que o tema assédio se tornou tão premente agora? Porque a sociedade exige uma solução com velocidade digital para as suas solicitações e o Judiciário ainda trabalha em ritmo analógico.”

Foto: Kelsen Fernandes/Ag. Istoé; L. Adolfo

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Debate na Difusora emociona PM ao falar de assédio moral e suicídio na Bahia

23 militares se mataram de 2012 até o momento, diz Aspra
O apresentador Oziel Aragão e os convidados (Foto: divulgação)
              
A Aspra Itabuna esteve na Rádio Difusora Sul da Bahia na tarde de ontem (10) e participou do Programa “O Crime não Compensa” apresentado por Oziel Aragão.Na oportunidade, estiveram presentes a Psicóloga Bárbara Andrade e Psicólogo da Aspra, Edevaldo Sousa Gomes.
Os convidados debateram os temas polêmicos: assédio moral e suicídio, crimes que vem ocorrendo na Bahia com frequência.
Durante a entrevista,um ouvinte que é policial, emocionou-se ao tentar denunciar práticas assediadoras que ocorrem na PM-BA.
“Nesse sentido, na condição de Coordenador da Aspra Itabuna, coloco o nosso serviço de acompanhamento psicossocial à disposição desse ouvinte e colega”.
O apresentador, em solidariedade ao ouvinte, à Pm-BA e a todos que sofrem com o assédio, declarou: “Eu apoio os policiais militares e bombeiros da Bahia. Valorização já!”

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Confira a relação de eventos sobre assédio moral

• 09/04 a 29/05 - São Paulo, SP - Peça de teatro "Bull", do inglês Mike Bartlett, no Tuca Arena, com direção de Eduardo Muniz. Informações.
• 24/04 - São Paulo, SP - Palestra com Dra. Margarida Barreto, no Fórum Trabalhista Rui Barbosa. Informações.
• 25/04 - São Paulo, SP - Encontro Sempre Cruzeiro do Sul, com José Luis de Lira e Walmir Cedotti, no campus São Miguel. Informações.
• 1.ª semana de maio - Belém, PA - Palestra “Assédio Moral e Sexual”, com Arleth Rose Guimarães, na Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais. Informações.
• 7 a 10/05 - Buenos Aires, Argentina - II Congresso Internacional de Mobbing e Bullying. Informações.
• 17 a 20/06 - Milão, Itália - 9.ª Conferência Internacional de Bullying e Assédio no Trabalho. Informações.

Colaboração: Fred Filho (Consultoria em Assédio Moral no Trabalho)

terça-feira, 15 de abril de 2014

MPT instaura procedimento de combate ao assédio moral nos bancos

 

A Procuradoria Regional do Trabalho da 18ª Região instaurou Procedimento Promocional (PROMO) com o objetivo de promover políticas públicas visando o combate do assédio moral, sendo que a atividade bancária será o primeiro setor de atividade a ser trabalhado quanto ao tema.

Durante audiência no Ministério Público do Trabalho em que estavam presentes representantes do Sindicato e da ASBAN, a procuradora-chefe, Dra. Janilda Guimarães de Lima, informou que o órgão pretende, juntamente com os representantes dos trabalhadores e das empresas, realizar uma jornada de discussões nas quais os trabalhadores e ocupantes de cargos de chefia nos bancos sejam levados a refletir a respeito dos maléficos efeitos do assédio moral interpessoal e organizacional na vida das pessoas (trabalhadores e familiares), na vida das empresas e na sociedade, já que todo trabalhador que fica adoecido, se for beneficiado da Previdência  Social, passa a ser mais custo para a sociedade brasileira.

A titular do MPT em Goiás também esclareceu que precisará da ajuda das entidades para a realização do primeiro workshop ou seminário sobre o assunto, previsto para acontecer em fevereiro de 2015.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Goiás, Sergio Luiz da Costa, afirmou de pronto que a nossa entidade sindical se dispõe a trabalhar em parceria no projeto proposto pelo MPT, tendo em vista que assédio moral atualmente é um dos maiores problemas enfrentados pela categoria bancária e que serão colhidas sugestões junto aos bancários quanto as idéias para realização do evento.

O representante da ASBAN, José Caetano Sobrinho, afirmou que levará a proposta à apreciação da Presidência para posterior manifestação quanto a possibilidade de trabalho em conjunto.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Assédio (in) moral nos ambientes corporativos

Assédio moral é a conduta tipificada por apresentar comportamentos abusivos frequentes e intencionais que vão desde palavras a gestos, que possam prejudicar de alguma maneira a integridade física ou mental de um funcionário.

As condutas mais frequentes que caracterizam o assédio moral são: dar instruções confusas e imprecisas aos trabalhadores, atribuir erros imaginários, colocar apelidos, ridicularizar os subordinados, entre tantas outras... São vitimados dessa conduta ofensiva, principalmente, aqueles que: não têm salários altos, os mais competentes que seus agressores, os tímidos, ou seja, todos em sentido geral que de alguma forma sentem-se oprimidos por chefes superiores.

Embora não seja um problema novo, os assédios morais, a cada dia, ganham destaque negativo nos ambientes de trabalho. A maioria dos trabalhadores são “reféns” dos salários que irão servir como fonte de sustento familiar, formando o ciclo vicioso, no qual prevalecerá à ética do dominador sobre o dominado.

Contudo, não é apenas através do poder jurídico e das leis que iremos encontrar meios de solucionar o problema. É preciso que desenvolva uma conscientização dos assediados para que possam despertar para não omissão de tal fato. Todavia, há muitas barreiras que separam os assediados das supostas soluções, dentre os tantos, o medo se destaca como estanque.

Além disso, é muito difícil comprovar uma conduta assediadora, pois, não basta alegar o assédio moral é preciso comprovar, o que aumenta ainda mais o medo dos trabalhadores de serem demitidos e terem suas fichas ”sujas” por uma “justa causa”.

Uma medida plausível seria gravações feitas pelas vítimas, guardar bilhetes e atestados psicológicos ou psiquiátricos que constem os abusos e os efeitos pessoais maléficos, e sempre ter testemunhas de confiança presente. Caso seja, órgãos públicos recorrer à corregedoria relatando o fato.

O nexo causal que é a relação entre causa e efeito pode ser nesse caso, em especifico, os danos nos trabalhadores provocados pelo assédio moral. O principal dano é um ambiente inóspito de trabalho que é velado pelo medo e opressão, nesse processo a dignidade física e moral fica prejudicada consequentemente, prejudicará o desempenho individual e coletivo dos trabalhadores assediados.

Portanto, as condutas de assédio moral nos ambientes corporativos é degradante às vitimas. E mesmo não sendo um problema novo é muito polêmico e pouco discutido em nossa sociedade. Com poucas publicações sobre o tema essa é a razão de que é preciso ampliar mais as explicações por parte das associações e sindicatos em prol de desmistificar esse assunto.

(Luciano T. Spicacci, servidor público estadual, escritor e professor -E-mail: luts2009@hotmail.com /Facebook: lucianospicacci@hotmail.com)

Fonte: DM.com.br

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Servidores de Goiatuba denunciam assédio moral

SINDJUSTIÇA foi conferir de perto relatos de servidores sobre pressões excessivas oriundas de magistrados, de advogados e até de partes das ações judiciais


“Eu quero que o servidor tenha paz e tranquilidade para trabalhar”, afirmou o presidente Fábio Queiroz, empossado há pouco mais de 30 dias, aos servidores de Goiatuba, em mais uma audiência do projeto Giro pelo Interior. Atendendo ao chamado dos filiados, o Sindicato dos Servidores e Serventuários da Justiça do Estado de Goiás (SINDJUSTIÇA) esteve no Fórum Desembargador Emílio Fleury de Brito e ouviu relatos preocupantes de situações vivenciadas na comarca. O encontro ocorreu na última sexta-feira (21.03) e, além do presidente, também contou com a participação da assessora jurídica do sindicato, a advogada Rúbia Bites.

Na audiência, os servidores relataram a interferência direta de advogados e partes nos processos, que exigem celeridade além dos prazos judiciais legalmente estabelecidos por nível de urgência. “Passei por um caso em que a parte ligava no fórum para me pressionar com o argumento de que era amiga da magistrada. Logo em seguida, a própria juíza solicitou o andamento imediato no processo”, contou uma servidora que, por medo de retaliação, não quis se identificar.

Além disso, é de conhecimento geral que, no final de 2013, representantes da seção local da OAB-Goiás reuniu-se com juízes para questionar o trabalho desenvolvido pelos servidores de Goiatuba. “Eles alegaram má vontade e morosidade, porque estão acostumados que atendamos aos seus pedidos imediatamente, desrespeitando qualquer urgência. No momento em que não conseguimos tal agilidade, eles passam a reclamar e a pressionar”, opinou outro servidor. Inclusive, foi relatado situação em que uma outra servidora foi ofendida verbalmente por um advogado devido a este motivo.

Para solucionar a situação, o presidente Fábio Queiroz solicitou ao delegado sindical da comarca,  Murilo Silveira e Pimentel, o agendamento de uma audiência com o diretor  do foro, o juiz Olavo Junqueira de Andrade, e com o presidente da seção de Goiatuba da OAB Goiás,  Fernando Marques Pires. Neste momento, serão apresentados todos os casos em busca de retratação e  de melhora no ambiente de trabalho dos servidores. “Temos que modificar este pensamento de abuso contra os servidores nas comarcas do interior. Além de sobrecarregados, estes ainda toleram maus tratos. Vamos lutar para eliminar isso”, afirmou.

Fábio Queiroz esclareceu aos servidores que as situações de assédio moral estão sendo combatidas, mas que, infelizmente, ainda são comuns no interior. “Sabemos que denunciar, em comarcas menores, é difícil, pois, como todos se conhecem, existe a marcação pessoal. Mas, a situação está se modificando. De 2011 para cá, o SINDJUSTIÇA já reduziu em 60% os casos de assédio moral nas comarcas. Já denunciamos advogados, promotores, juízes e há casos que chegaram até ao Conselho Nacional de Justiça. Se for preciso, aqui não será diferente. Defender vocês é papel do sindicato”, afirmou.

A pressão excessiva, somada ao acúmulo de processos e o déficit de recursos humanos, tem gerado estresse e doenças. “Cada um de nós está fazendo o trabalho de quatro ou cinco pessoas. Para se ter ideia, estou com um problema na coluna por carregar processos pesados e há casos aqui de problemas emocionais”, revelou a escrevente Roberta Aparecida de Sousa.

Ponto eletrônico

A situação do ponto eletrônico em Goiatuba não é diferente das demais comarcas do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), tendo sido um dos assuntos tratados na comarca durante visita de representantes do SINDJUSTIÇA. Computadores e sistema lentos obrigam os servidores a chegarem antes e a saírem depois do horário para conseguir fazer o registro. “Ainda há ocasiões em que não conseguimos fechar o sistema e ficamos com registro de falta. Mesmo abonada, esta é uma falha, pois cumpri toda a minha jornada de trabalho”, ponderou a porteira judiciária Geni Santos. O SINDJUSTIÇA está tomando nota de todos os problemas relacionados ao ponto eletrônico e, no momento, prepara ação para reportar o TJGO.

Demais problemas

Em Goiatuba, o déficit de servidores tem feito com que escrivães e escreventes façam os cálculos das custas finais dos processos, função que não pertence a esta categoria. Como não têm conhecimentos necessários, eles enfrentam dificuldades para exercer a atividade, o que acaba alimentando ainda mais as cobranças. “Quando prestei o concurso, entre as funções do escrivão não estão o cálculo de custas. Sou graduado em Direito e não tenho a obrigação de ser exímio em matemática. Além disso, não estamos recebendo gratificação pela execução do trabalho”, afirmou Murilo Silveira e Pimentel. O SINDJUSTIÇA irá levar esta situação à Corregedoria Geral da Justiça do Estado de Goiás (CGJGO). Além disso, levará também a ocorrência de lentidão do Sistema de Primeiro Grau (SPG), que tem comprometido o rendimento de servidores.

Outra situação relatada foi a constante indisponibilidade para férias. Segundo servidora, há dois anos ela tem suas férias negadas. A advogada Rúbia Bites esclareceu que, nestes casos, os servidores devem fazer o requerimento de férias e entregar ao magistrado. “Caso não seja liberado, os filiados podem acionar o sindicato para medidas cabíveis”, garantiu.




Fonte: sindjustica.com

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Fiscais flagram trabalho análogo à escravidão em cruzeiro da MSC

Segundo MPT, trabalhadores cumpriam jornada de até 11 horas diárias, eram humilhados e sofriam assédio sexual

 

 O Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou nesta terça-feira (1º) 11 trabalhadores em situação análoga à de escravo em um cruzeiro da MSC, no Porto de Salvador. 
Segundo o MPT, os profissionais eram empregados da MSC Crociere, empresa que explora cruzeiros marítimos, e estavam a bordo do navio MSC Magnifica, que esteve na cidade baiana entre 8h e 17h. 
A equipe cumpria jornadas de trabalho de até 11 horas diárias, sofria assédio moral, dentre outras irregularidades, na análise do MPT.
As denúncias feitas por trabalhadores do navio vinham sendo apuradas desde o início do mês, quando uma primeira inspeção foi feita na embarcação no Porto de Santos, litoral paulista.
"Nos depoimentos, os 11 trabalhadores relataram que ficaram sujeitos a jornadas de trabalho de 11 horas ou mais, sem direito a folgas, e que sofriam constantemente assédio moral, com cobranças excessivas, humilhações, punições e até assédio sexual", destaca nota do MPT.
MPT
Polícia Federal entra no navio MSC Magnifica, em Salvadora, na Bahia
A força-tarefa que realizou o resgate dos trabalhadores é composta por MPT, Ministério do Trabalho e Emprego, Defensoria Pública da União e Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com o apoio da Polícia Federal.
Procurada, a MSC Crociere informa, em nota, que está em total conformidade com as normas de trabalho nacionais e internacionais e está pronta para colaborar com as autoridades competentes.
"A MSC repudia as alegações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, do qual não recebeu nenhuma prova ou qualquer auto de infração", acrescenta a empresa.

Fonte:  IG


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Seminário debaterá assédio moral em Teresina dia 11 de abril

Os danos causados pelo assédio moral à saúde do trabalhador, bem como as consequências jurídicas cabíveis ao empregado neste tipo de situação, serão temas de um seminário realizado pelo Sindicato dos Técnicos da Fazenda Estadual do Piauí (Sintfepi).  O evento contará com palestras e acontece no dia 11 de abril, sexta-feira, de 8h às 12h, no auditório da Escola Fazendária, no Centro Administrativo, zona Sul de Teresina.
 
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o assédio moral caracteriza-se pela exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas, durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.  
 
Flaviano de Santana, diretor administrativo do Sintfepi, explica que os casos de assédio moral são comuns tanto na esfera pública quanto privada e precisam ser combatidos, daí a necessidade de debater o tema. “Queremos esclarecer sobre as formas de assédio moral e reforçar que esse mal deve ser denunciado, pois implica em danos à saúde emocional e física do trabalhador, que fica em situação de vulnerabilidade”, afirma Santana.
 
O seminário acontecerá no horário de 8 às 12h. O primeiro palestrante será o Dr. Robert Weiber, que possui especialização em Medicina do Trabalho pela Universidade Estácio de Sá/Rio de Janeiro (RJ). Ele vai falar sobre os “Danos do Assédio Moral na saúde do trabalhador” e, em seguida, debaterá o tema com a deputada estadual Juliana Moraes Sousa e a técnica judiciária e especialista em Direitos Humanos, Maria Madalena Nunes.
 
Já a segunda palestra será com o advogado Fábio Veloso, que vai abordar as “Consequências jurídicas do Assédio Moral”. Os debatedores desta mesa serão Ednaldo Rodrigo Brito da Silva, Procurador do Trabalho da 22ª Região, e o advogado Agostinho Ribeiro Neto.
 
As inscrições para o seminário são gratuitas e o evento é aberto ao público em geral, com vagas limitadas. Os interessados podem se inscrever somente através do site do Sintfepi (www.sintfepi.org.br), até o dia 10 de abril. Mais informações pelo telefone (86) 8807-8198.
 
 
PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
 
Assédio Moral: Danos e Consequências
Data: 11 de abril de 2014, sexta-feira.
Local: Auditório da Escola Fazendária, no Centro Administrativo, zona Sul de Teresina.
Realização: Sindicato dos Técnicos da Fazenda Estadual do Piauí (Sintfepi).
 
 
7h30 às 8h – Credenciamento;
 
8h – Abertura;
 
8h30 – Palestra I: Os danos do Assédio Moral na saúde do trabalhador
 
Dr. Robert Weiber Martins Dantas – Médico do Trabalho
Médico Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, Pós-Graduado pela University Of Miami School Of Medicine/ Miame – Flórida, Miami Children’s Hospital/Miami – Flórida, University Of Califórnia/San Diego-Califórnia, Especialização em Medicina do Trabalho pela Universidade Estácio de Sá/Rio de Janeiro.
 
Debatedora: Juliana Moraes Sousa - Deputada Estadual do Piauí
 
Debatedora: Maria Madalena Nunes - Técnica Judiciária, diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Piauí (Sintrajufe-Piauí) e Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), Graduada em História e Direito, com especialização em Direitos Humanos.
 
9h50 - Coffee Break
 
10h30 – Palestra II: Consequências Jurídicas do Assédio Moral
 
Dr. Fábio Renato Bonfim Veloso - Advogado
Bacharel em Direito, especialização em Direito Tributário e Legislação de Impostos pela Universidade Estácio de Sá/Rio de Janeiro. Professor. Advogado e assessor jurídico do Sintfepi. Indicado pelo Tribunal de Justiça do Piauí em Lista Tríplice para o cargo de Jurista do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE/PI).

Debatedor: Ednaldo Rodrigo Brito da Silva - Procurador do Trabalho da 22ª Região, primeiro substituto do Procurador-Chefe, suplente da Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho e delegado da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho.
 
Debatedor: Agostinho Ribeiro Neto – Advogado e assessor jurídico do Sintfepi.
 
12h – Encerramento

redacao@cidadeverde.com