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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pelo fim do assédio moral. Solidariedade aos demitidos do grupo RBA

No início desta semana a Família Barbalho, detentora da maior parte das ações da Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA) demitiu quatro dos jornalistas que participaram da greve organizada pela categoria em setembro passado. O movimento popularizado de “revolta dos gatos pingados” durou sete dias e iniciou pela intransigência das chefias do Jornal Diário do Pará e Diário Online (DOL), que não aceitavam a negociação prevista pela data base do Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor/Pa).

Casa de ferreiro, espeto de pau

Durante todos os momentos em que se tentou negociar e dialogar, o grupo chefiado pelo filho do Senador Jader Barbalho, Jader Filho, se manteve desrespeitoso com os trabalhadores que heroicamente levam informações das mais variadas áreas de nosso Estado.

Os salários brutos chegavam a somar pífios R$ 1.000,00, mesmo para os que tinham nível superior, sem contar a precariedade de equipamentos como coletes, computadores, cadeiras e ausência de espaços adequados de copa e refeitório na redação do jornal que no ano de 2013 lançou a irônica peça publicitária de ser o “Jornal mais premiado do Pará”.

A ousadia e coragem dos profissionais garantiu vitórias

A ousadia dos profissionais da RBA surpreendeu toda a sociedade paraense, desde 1987 não se tinha registro de uma luta como esta entre os produtores de notícias do Pará. A vitória veio, não à altura do exigido na pauta de reivindicação, mas com a marca de quem conhece seus direitos.

Dois reajustes estão firmados entre Sinjor e RBA para reajuste salarial, sendo que ao final se obterá um aumento de 50%, além do acordo coletivo para trabalhadores que garantirá a aquisição de equipamentos condizentes às necessidades para a realização do trabalho interno e externo dos profissionais da empresa.

Assédio moral mancha a liberdade de imprensa

Uma sequência de episódios absurdos fomentaram a organização dos trabalhadores. Primeiro a resistência da empresa em negociar; depois a tentativa de camuflagem dos problemas existentes, aliada ao silêncio de falsos dirigentes sindicais que nunca contribuíram para o andamento da melhoria das condições trabalhistas dos jornalistas ali contratados.

Antes do início da greve, a jornalista Cris Paiva (produtora da TV RBA) foi demitida porque decidiu de forma individual e espontânea publicar em uma rede social seu contra cheque, que comprovava os baixos salários. Ainda durante o movimento a trabalhadora foi readmitida.

O repórter do Caderno Cultural do Jornal Diário do Pará, Leonardo Fernandes, foi outro escolhido pelo grupo para sair pela porta de trás. Sem condições de apresentar críticas plausíveis ao desempenho profissional do jornalista a empresa alegou que existiam problemas de ordem pessoal entre Jáder Filho e Leonardo.

Outros dois jornalistas pediram dispensa. Ambos aprovados no processo seletivo organizado pela chamada “Escola Diário”. Eraldo Paulino seguiu para trabalhar em outro Estado, Tiago Julio está de licença saúde.

Nesta segunda-feira (18), a imprensa marrom deste Estado deu mais uma prova de que a elite que domina as esferas de poder na nossa sociedade não está de brincadeira. Adison Ferreira, Amanda Aguiar, Cris Paiva e Felipe Melo foram demitidos justamente quando foi dado fim ao acordo de estabilidade firmado em 23/09. Todos participaram do movimento grevista. Aos demais colegas sobrou a instalação e a sombra de não poder exercer a liberdade de expressão.

O Sintepp, por princípio, presta total solidariedade aos trabalhadores em comunicação do Grupo RBA e se coloca a disposição para contribuir nos parâmetros legais que forem possíveis para impedir que tal arbitrariedade prossiga.

Não há conquista sem luta!

Fonte: Sintepp


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