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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A ameaça invisível do assédio moral


Por ANA DEMOLINER – ana.demoliner@pioneiro.com
 

Nem sempre é fácil identificar e, principalmente, provar que a situação está acontecendo. No entanto há formas de se fazer isso e também de denunciar.


Metas impossíveis de cumprir, ameaças constantes quanto à perda do emprego, controle de tempo e de idas ao banheiro. Essas e outras práticas constrangedoras em ambientes de trabalho são difíceis de comprovar e, por isso, consideradas “invisíveis”. Mas prejudicam cada vez mais a saúde dos trabalhadores.

Com o passar do tempo, as humilhações recorrentes chegam a desencadear depressão. Nas empresas, os danos também aparecem: queda de produtividade, gastos com empregados em licença-saúde e custos judiciais de processos trabalhistas, entre outros.

Para se ter uma ideia da incidência, em Caxias do Sul, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) recebe, semanalmente, a média de cinco denúncias de assédio moral. O problema, relata Vanius Corte, gerente regional do MTE, é que nem todas as reclamações se caracterizam de fato no problema, e outras são difíceis de comprovar.

_ Às vezes, o assédio é escancarado, como uma denúncia que recebemos de uma empresa que fazia um mural com o “jumento do mês”, ou seja, humilhando o funcionário com menos produtividade no período. Mas, no geral, é um problema difícil de se comprovar _ diz Vanius.

O gerente explica ainda que só se caracteriza como assédio moral uma prática constrangedora recorrente. Uma única agressão verbal, portanto, pode até ser enquadrada como dano moral, mas não assédio. A maioria dos casos constatados ocorre em empresas menores, em que chefes e subordinados se relacionam por um período de tempo maior.
O comércio, especialmente as lojas de pequeno e médio porte, costuma liderar a lista de reclamações.

_ Precisamos estimular esse debate para que todos entendam até onde vai o poder do chefe com o subordinado e quando isso extrapola os limites _ salienta Assis Melo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos.

Ricardo Garcia, procurador do Ministério Público do Trabalho em Caxias, ressalta que o mal-estar é a palavra-chave para definir as situações em que pode se enquadrar o assédio moral.

_ Esse tipo de problema contamina a empresa toda e tende a se manifestar sempre que não houver um ambiente sadio e democrático _ afirma Garcia.

Como saber se estou sendo vítima?

Todos podem ser vítimas
 
l O assédio moral se evidencia mais em relações hierárquicas autoritárias (de um ou mais chefes, dirigidas a um ou mais subordinados). Mas pode se verificar também entre colegas e, excepcionalmente, na modalidade do subordinado em relação ao chefe.

Atitudes que podem indicar assédio
 
* Ameaçar constantemente o trabalhador, amedrontando-o quanto à perda do emprego.
* Repetir a mesma ordem para realizar tarefas simples, centenas de vezes, até desestabilizar emocionalmente o subordinado.
* Sobrecarregar de tarefas ou impedir a continuidade do trabalho, negando informações.
* Desmoralizar publicamente.
* Rir, à distância e em pequeno grupo, direcionando o ato ao trabalhador.
* Querer saber o que se está conversando.
* Ignorar a presença do trabalhador.
* Desviar da função ou retirar material necessário à realização da tarefa, impedindo sua execução.
* Trocar o trabalhador de turno de trabalho sem prévio aviso.
* Mandar executar tarefas acima ou abaixo do conhecimento do trabalhador
* Dispensar o trabalhador por telefone, telegrama ou correio eletrônico, estando ele em gozo de férias.
* Espalhar entre os colegas que o trabalhador está com problemas nervosos.
* Sugerir que o trabalhador peça demissão devido a problemas de saúde.
* Divulgar boatos sobre a moral do trabalhador.

O que fazer se for assediado
 
* Anotar, com detalhes, todas as humilhações sofridas: dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam os fatos, conteúdo da conversa e o que mais achar necessário.
* Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que sofrem humilhações do agressor.
* Evitar conversar, sem testemunhas, com o agressor.
* Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas.

Onde denunciar
 
* Superintendência Regional do Trabalho e Emprego _ Na Avenida Mauá, 1013, terceiro andar, sala 312, Centro da Capital, (Porto Alegre - RS) existe um plantão de atendimento.
* No Sindicato da sua categoria, relate o acontecido.

Fonte:  Espaço do Trabalhador

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