"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


domingo, 11 de agosto de 2013

Republicação 12

Dou de cara com a porta aberta e a Sra. XXX sentada do outro lado da mesa. E para minha surpresa...


Imagem Google




...“O”, sentada ao lado de uma cadeira vazia, em frente à mesa, com as costas viradas para a porta.

Falei bom dia e me sentei na cadeira ao lado. As duas terminaram o assunto e a Sra. XXX falou que me chamara ali por causa da carta do meu marido.

Pra mim o constrangimento era grande por ter que falar de coisas dolorosas na frente de “O”. Tremia por dentro e por fora e disse que não era fácil falar na frente dela. Mas a Sra. XXX disse que era melhor, porque assim se esclarecia logo as coisas.

Reuni todas as minhas forças. Disse que embora não tivesse autorizado o meu marido a falar por mim, entendia sua posição de preocupação com a minha saúde, já que por muitas vezes eu lhe contara o que acontecia lá, e ele ficava de “cabelo em pé”, já que trabalha também com Comportamento Organizacional, e ficava abismado com os meus relatos. Disse que ele já me vira chorando, passando a noite no PS com dor no peito colhendo enzimas e fazendo eletro, e agora com a alteração de pressão arterial, ele resolverá dar um basta, fazendo a denúncia à empresa.

Eu disse que de fato “O” era muito agressiva, gritava com as pessoas e que nos fazia muito mal. Afirmei que tinha colega que estava em terapia há mais de 1 ano por causa dela, e que se fosse dado oportunidade das pessoas falarem individualmente, ela iria descobrir muitas coisas. Não citei nome de pessoa alguma.

A Sra. XXX perguntou se alguma vez eu falara a “O” como me sentia, afirmei que sim quando ela gritara comigo me mandando estudar (Relato1). 

“O” apenas ouvia em silêncio, eu não dirigia o olhar a ela, pois me sentia extremamente desconfortável com sua presença.

A Sra. XXX disse que nós duas éramos ótimas profissionais e que aquilo poderia ser de grande crescimento para nós duas. Em momento algum ela demonstrou compreender que aquela não era uma questão apenas pessoal, e sim uma questão coletiva, já que “O” fazia mal a muitas outras pessoas.

A Sra. XXX falou sobre o dinheiro do Bingo, que de fato não podíamos receber  por atendermos SUS (Relato 8), mas nada do que ela disse, tinha o tom e a cor da agressividade de “O”. Eu disse que jamais teria feito isso, se achasse que estava errado, ou que isso seria um problema, até porque tinha sido eu mesma que relatara o fato na reunião da Sede da Empresa, e que a iniciativa fora do grupo, e que isso não era pré-requisito para participar do Bingo. 

O que descobri depois é que “O” usa a história do Bingo, para justificar tudo que aconteceu e acontece. Ela diz que eu fiquei mau por ter sido “repreendida” por haver “cobrado” do grupo, etc... Coisa totalmente sem fundamento.

Falei sobre a bronca recebida por conta da reunião na Sede da Empresa e que eu não achava justo, termos sido chamados para falar, e depois sermos agredidos por isso. “O” se mantinha calada. 

A Sra. XXX procurou ser apaziguadora e perguntou-me se eu achava que depois de tudo, ainda havia condição de trabalhar com “O”. Antes que eu abrisse a boca “O” interveio dizendo: “Eu acho que não! Porque eu não vou mudar, ela também não vai mudar... e ela está sofrendo muito”. Quanta gentileza... se preocupar com o meu sofrimento. 

“O” também disse que eu trabalhava de forma muito individual, que não lhe levava problemas, que ela não sabia o que acontecia no meu setor. A Sra. XXX então disse que esta era uma falha de “O’, já que o meu setor também fazia parte da empresa e como gerente ela deveria ter procurado se aproximar e saber o que estava acontecendo. 

Justifiquei o fato de não levar problemas, porque não acho que a gerente ganha para ficar na sala do RH fornecendo lápis e caderno a quem precisa. Para mim o que era uma qualidade, passou a ser um defeito.

A minha função era buscar resolver as coisas, e levar apenas o que eu achasse que dependia dela para ser resolvido. A Sra. XXX então perguntou se eu achava que tinha alguma coisa que deveria mudar. Fiquei parada um pouco pensando porque “O”dissera que eu também não sabia falar, que eu era muito dura. Eu respondera a isso dizendo que podia até ser que eu fosse de certa forma agressiva (embora eu de fato não acredite que sou), mas que eu não estava acostumada a ser tratada com agressividade, e que isto me causava muito mau. 

Também disse que ela não demonstrava disposição em me ouvir, já que eu relatava os fatos com muitos detalhes e eu percebia que não a agradava. Esse era um dos motivos de eu levar apenas a ela apenas o que julgava necessário, além do fato de termos horários diferentes na empresa. Muitas vezes quando eu precisava falar alguma coisa com ela, não era possível pois ela já havia ido embora. Falei então que mudaria o fato de levar ao conhecimento de “O” apenas o que eu julgava necessário e levaria também as coisas resolvidas.

A Sra. XXX sugeriu então que eu usasse as minhas folgas para descansar e que na semana seguinte voltasse para falar com ela o que havíamos resolvido. Argumentei que era época de fechamento na unidade e que seria difícil folgar.

A Sra. XXX tinha compromisso e tivemos que interromper a reunião. Saímos da sala e “O” saiu para outro lado do corredor enquanto eu fui para o meu carro. Eu realmente tinha a intenção de voltar ao trabalho, mas estava me sentindo em péssimo estado físico e emocional. Sentia-me esgotada como se tivessem sugado toda a minha energia. 

Meu rosto e meus olhos não paravam de queimar, e na minha garganta não passava nem água. Pensei em pedir ajuda a alguém e liguei para uma colega. Contei a ela tudo que acontecera e de quão mau eu estava me sentindo e ela me aconselhou a não retornar ao trabalho do jeito que eu estava. Achei que aquele era um bom conselho e avisei meus subordinados, disse-lhes o que estava acontecendo e que por isso eu não retornaria, mas que eles fizessem tudo da melhor forma como sempre faziam, e que não comentassem nada do que estava acontecendo, pois eu não estava bem e não sabia o que aconteceria.

Fui embora e depois de um atendimento médico e um atestado de 7 dias, achei que aquele seria tempo suficiente para sentir-me melhor, e mesmo tendo um atestado do dia seguinte de 15 dias, encaminhei à empresa apenas o de 7, acreditando piamente na minha recuperação. Ambos os médicos me encaminharam para o psiquiatra e prescreveram medicação, que eu não quis de jeito algum usar.

Liguei para marcar consulta com psiquiatra, mas esta é uma especialidade difícil de conseguir vaga quando se está de fato precisando muito. E pra complicar estávamos em uma semana que tinha um feriado. Marquei mesmo assim, em uma psiquiatra indicada pela segunda médica que me atendera. Entretanto a cada dia que passava eu me sentia pior, muito diferente do que eu imaginara que aconteceria no decorrer dos 7 dias do primeiro atestado. Pensar em ir ao meu posto de trabalho ou à Sede da Empresa, me deixava aterrorizada. 

Para levar o atestado no trabalho, pedi ao meu marido que fosse entregar, mas só de ir com ele no carro, pois ele não sabia como chegar lá, meu coração parecia que ia sair pela boca, e se eu pudesse, teria saído correndo dali. Mostrei a ele como chegar lá e pedi que, por favor, me deixasse em outro lugar distante, porque eu não queria de forma alguma passar nem perto, de tão mau que me sentia. Mesmo o carro dele tendo vidros totalmente escuros, eu não me sentia segura, era como se a qualquer momento “O” pudesse me atacar novamente. 

O meu sono era, ou melhor, não era... Simplesmente eu não conseguia dormir, e quando dormia acordava aterrorizada com os pensamentos recorrentes e cenas das agressões infligidas por “O” ao longo dos anos. 

No sétimo dia cheguei ao meu limite, cai em pranto convulsivo e pedi ao meu marido que arrumasse um psiquiatra urgente, pois eu não suportava mais e não aguentaria esperar até a data que conseguira marcar na semana seguinte  com a psiquiatra. Meu marido fez algumas ligações e conseguiu uma médica que pode fazer um encaixe e me atendeu no final daquele dia. 

A consulta durou 1h e pude falar das coisas que tão mal estavam me fazendo. A médica foi extremamente sensível ao meu sofrimento e prescreveu-me duas medicações controladas. Não havia mais como fugir da realidade, eu estava de fato muito doente e teria que me render aos fármacos, coisa que nunca havia feito uso na minha vida.

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