"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Igreja é condenada a pagar R$15 mil após bispo chamar funcionário de "burrinho"

Vítima sofria ofensas sempre que havia um imprevisto no programa do bispo, ele era chamado de "macaquinho" e "jegue"



Um homem que trabalhava como editor de vídeo em uma igreja evangélica será indenizado em R$15 mil depois de ser chamado de burrinho, macaquinho e jegue.
Contratado como editor de vídeo, o empregado chegou a exercer também a função de supervisor do programa do bispo e sofria essas ofensas sempre que havia um imprevisto ou algum erro na produção do programa.

Conforme informações do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), as acusações foram confirmados por testemunhas, que contaram que o bispo ria e achava graça da situação. 

A 2ª Turma do TRT-MG, que acompanhou o voto do desembargador Anemar Pereira Amaral, interpretou que o assédio moral ficou plenamente caracterizado, justificando a reparação por parte do empregador.

Por esse motivo, a sentença que julgou procedente o pedido de indenização formulado pelo reclamante foi confirmada pelos julgadores. No entanto, o valor fixado em 1º Grau foi reduzido para R$ 15 mil.

"Brincadeiras"

A defesa da igreja negou que tivesse praticado qualquer ato ofensivo à honra do funcionário e afirmou que o que ocorreu foram apenas “brincadeiras”  comuns a um ambiente de trabalho descontraído.

Mas esses argumentos não foram acatados pelo relator. Com base nas declarações das testemunhas, ele ponderou que as "brincadeiras" relatadas não condizem com a atmosfera de respeito e dignidade que deve existir no ambiente de trabalho.

Para o magistrado, a conivência do empregador com a situação é o suficiente para justificar a condenação. No caso do processo, ainda mais, já que chefe participava das brincadeiras ofensivas.

"A figura do assédio moral se caracteriza pela conduta abusiva do empregador ao exercer o seu poder diretivo ou disciplinar, atentando contra a dignidade ou integridade física ou psíquica de um empregado, ameaçando o seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho, expondo o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. Existindo prova de tais fatos nos autos, é devida a respectiva indenização reparadora", constou.

Portanto, entendendo que a igreja vulnerou valores humanos do trabalhador protegidos pela Constituição Federal, a Turma de julgadores considerou devida a indenização por dano moral.

Com informações do TRT

Fonte: O Tempo

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Cândido Pede Investigações Sobre Possível Assédio Moral no Comitê Das Bacias Turvo/Grande

Por Karla Konda

Segundo denúncia, houve demissão em massa por causa de pessoas ligadas a Vinholi


O vereador Nilton Lourenço Cândido (PTB) elaborou ontem dois requerimentos endereçados ao secretário de recursos hídricos do Estado, Edson Giriboni e ao Procurador Geral do Ministério Público do Estado para que investiguem uma denúncia divulgada em um jornal da Região de São José do Rio Preto, quanto a demissão em massa de representantes da sociedade civil do Comitê das Bacias Hidrográficas do Turvo/Grande, que teriam desistido de participar do órgão por, segundo eles, existir cooptação e assédio moral por parte dos representantes do Poder Público, principalmente os ligados ao presidente do Comitê, o prefeito de Catanduva Geraldo Vinholi (PSDB).

O jornal da região de Rio Preto divulga a informação na edição de ontem e fala que o vice-presidente do Comitê também renunciou ao cargo.

Nos documentos, lidos por Cândido, durante a sessão ordinária da Câmara de ontem, e aprovado por unanimidade dos vereadores, O parlamentar afirma que “requeiro que seja oficiado o secretário em respeito da denúncia feita pelo jornal, que consta um relato da renuncia em massa dos cargos ocupados pela sociedade civil por cooptação e assédio moral. Tendo em vista que o Comitê possui 66 municípios e é dividido em quatro grupos”, consta em um dos documentos.

E no outro requerimento leva a conhecimento o caso ao Ministério Público.

Outro lado

A reportagem de O Regional entrou em contato com o prefeito Geraldo Vinholi na noite de ontem. Por meio da assessoria, ele afirmou que ontem à tarde um membro que saiu e alegou motivos pessoais. “A vaga no comitê é das áreas de governo e não de um indivíduo. O setor de municípios e o setor de governos votaram, exercendo seu direito de voto, no prefeito Geraldo Vinholi. O que ocorreu de forma normal. Porém um dos antigos membros afirmou ter certo descontentamento com os critérios de escolha e não contra o prefeito e sua eleição”, informou.


Fonte: O Regional

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

No Sarau, pesquisadora impressiona ao relatar casos de assédio moral

O relato consistente e fundamentado de diversos episódios de assédio moral ocorridos recentemente no Brasil, tendo como vítimas trabalhadores dos mais diferentes setores (e até mesmo um alto executivo da indústria farmacêutica), causou forte impressão no debate realizado em 22/10, durante o Sarau da Adusp.


A médica e professora Margarida Barreto, que vem pesquisando o tema, explicou que nas últimas décadas, com o advento das mudanças provocadas pela reestruturação mundial do capitalismo, novas doenças ocupacionais, relacionadas ao psiquismo dos trabalhadores, ganharam espaço, entre elas a Síndrome de Burnout. O assédio moral tornou-se um fenômeno corrente, tendo como contrapartida o adoecimento mental e os suicídios de trabalhadores.

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Professora Margarida

Um dos relatos mais chocantes feitos por Margarida diz respeito a um trabalhador industrial qualificado que, encarregado de múltiplas tarefas, terminou por sofrer um grave acidente (queimadura) que desfigurou parcialmente seu rosto. Depois de um demorado esforço pessoal, apoiado pela esposa e pelos colegas de trabalho, conseguiu recuperar-se física e mentalmente, e retornou à mesma função, por decisão própria. Um ano após, uma vez findo o período legal de estabilidade, ele foi demitido pela empresa. Não suportando a demissão, suicidou-se.


Margarida frisou que a mesma lógica está instalada na universidade que, ao tratar o conhecimento como mercadoria, incentiva a competição e a “eficiência” através do produtivismo.


A edição 48 da Revista Adusp foi lançada no Sarau, que também contou com uma bonita apresentação musical de Beatriz Raposo, docente da FFLCH. Cantora lírica, Bia interpretou composições de Villa-Lobos e Tom Jobim.
Informativo nº 316

Fonte: http://www.adusp.org.br/index.php/105-defesa-da-universidade/condicoes-de-trabalho/1076-no-sarau-pesquisadora-impressiona-ao-relatar-casos-de-assedio-moral

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Bancada do PCdoB apresenta projeto sobre assédio moral


Os vereadores Jussara Cony e João Derly, da bancada do PCdoB na Câmara Municipal de Porto Alegre, protocolaram na tarde desta quarta-feira (21) o projeto que proíbe o assédio moral a funcionários públicos municipais. A proposta visa a evitar que o Município seja conivente com essa prática e estabelece sanções além de determinar medidas para combatê-la.

A proposta altera o Estatuto dos Funcionários Públicos do Município de Porto Alegre proibindo o assédio moral no âmbito da Administração Pública Municipal. Além da tipificação dos atos de assédio, o projeto destaca as graves conseqüências sofridas pelas vítimas em sua vida pessoal e profissional, atingindo sua sanidade física e mental.

O vereador João Derly destaca que o projeto é demanda de longa data do funcionalismo e surge como um dos primeiros frutos da Frente Parlamentar dos Municipários, presidida por ele: “este projeto é fundamental na defesa e proteção dos municipários, bem como, na qualificação dos serviços públicos que nossa cidade necessita”.

Para a vereadora Jussara Cony “a aprovação da lei é estratégica para a política de proteção à saúde dos trabalhadores municipais, evitando a disseminação de doenças ocupacionais físicas e mentais decorrentes da prática de assédio moral pelos que detém cargos de chefia e, assim, efetuam o que considero abuso de poder”.

Após o protocolo, o projeto seguirá primeiro à Procuradoria da Câmara. Antes de ser levado ao plenário, o texto será apreciado em comissões da Casa.

Fonte: Vermelho

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

DEZ DICAS: para se proteger contra o assédio moral no trabalho

Gelson Netto

Definido como toda ação repetitiva ou sistematizada que objetiva afetar a dignidade da pessoa e criar um ambiente humilhante, degradante, desestabilizador e hostil, o assédio moral aterroriza a vida de milhares de trabalhadores que muitas vezes não sabem a quem recorrer ou como agir diante das situações vexatórias a que são expostos.

Entre as atitudes que caracterizam o assédio moral, estão: gritar, xingar, apelidar ou contar piadas para ofender, ridicularizar e humilhar; ordenar a realização de tarefas impossíveis ou incompatíveis com a capacidade profissional; sonegar informações indispensáveis ao desempenho das funções; repetir críticas e comentários improcedentes ou que subestimem os esforços do empregado; e isolar a pessoa em um corredor ou em uma sala.

Quem humilha ou xinga o empregado pratica crime de calúnia e difamação e pode ser condenado a indenizar o prejudicado por dano material, moral ou à imagem.

Como forma de orientar a população, o Ministério Público do Trabalho (MPT) elaborou a cartilha “Assédio Moral – Sinônimo de Humilhação”, que traz dicas importantes que ajudam no enfrentamento do problema e também podem ser úteis como estratégias de defesa. 

Algumas delas são:
1 – Anote detalhes das humilhações (dia, mês, ano, local, nome do agressor e testemunhas).
2 – Peça ajuda no trabalho e fora da empresa.
3 – Recorra a centros de referência em saúde do trabalhador.
4 – Busque apoio da família e dos amigos.
5 – Grave as agressões e xingamentos e utilize filmes de circuitos internos de TV.
6 – Guarde documentos de advertência por escrito, excesso comprovado de carga horária, obrigação de trabalhar no fim de semana, correspondências e bilhetes.
7 – Atente para os motivos da agressão, como desejo sexual não correspondido, competição exagerada e necessidade de aumentar a produtividade, tentativa de forçar pedido de demissão, necessidade de autoafirmação do chefe, demonstração de autoridade e superior que se sente profissionalmente ameaçado por subordinado mais capacitado.
8 – Reconheça os perfis do agressor, que pode ser hábil em humilhar sem perder a pose; agressivo e perverso com palavras; inseguro, complexado e intolerante; incapaz de liderar e de se relacionar com subordinados; ou falso “bonzinho”, que ganha a confiança do subordinado para depois rebaixá-lo, demiti-lo ou exigir produtividade, entre outras características.
9 – Denuncie o caso à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), ao sindicato da categoria, à Gerência Regional do Trabalho e a entidades de defesa dos direitos humanos.
10 – Procure o Ministério Público do Trabalho. O órgão mantém um site com um link (clique aqui) para denúncias. Outras formas de denunciar são por meio de telefone, carta e pessoalmente. Em Presidente Prudente, o MPT fica na Avenida Coronel José Soares Marcondes, nº 3.372, no Jardim Bongiovani, e os telefones de contato são (18) 3916-2541 e (18) 3916-2545.

Fonte: iFronteira

Saiba qual  PRT atende a sua cidade.

domingo, 25 de agosto de 2013

Republicação 14

(
Imagem Google
(Ouvidoria)

No fim da tarde, quando cheguei à minha casa, após a reunião com a Coordenadora Sra. XXX e com a gerente “O”, abri o meu e-mail encontrei uma mensagem do meu marido. 

Dizia que “diante da resposta da Sra. XXX (Relato 11), insatisfeito com o conteúdo, em especial a parte que dizia: “Na reunião ela lixou e cortou as unhas, me pareceu não estar muito interessada”. 

Considerando a resposta da empresa à grave denúncia feita, uma mudança de foco inoportuna, um aparente descaso e desrespeito, ele encaminhou à Ouvidoria Geral da Saúde do Município de São Paulo, uma das instâncias do órgão responsável pela fiscalização dos serviços contratados. 
No momento, não vira outra alternativa e fizera este encaminhamento ao Ouvidor no própria dia em que recebera a resposta da empresa, através da senhora XXX. Meu marido se surpreendeu com seu teor, incompatível com a imagem que tinha da empresa.

Eu não tinha o que contestar, estava frente a uma situação sem volta. Eu jamais poderia dizer que o meu marido estava faltando com a verdade. Fato é que ele se pautara apenas na realidade dos meus relatos e lamentos, e eu sabia que em nenhum deles havia mentido ou maximizado. 

É comum e recomendável que se divida com familiares e amigos o que passamos em situações adversas (é nossa rede de apoio social, fundamental como um recurso para superação). Aliás, recorrer a grupos de pares e família é tão importante como a busca de ajuda psicológica especializada. Pessoas com fortes grupos de pertencimento (família, amigos, igreja e outros) tendem a se sair melhor nas adversidades.
Dois dias depois, logo cedo, meu marido recebeu da Ouvidoria uma cópia do encaminhamento da denúncia à empresa, que fora repassada à Ouvidoria. Neste encaminhamento a Ouvidoria solicitava manifestação da empresa a respeito:
“À Senhora XXX
Encaminhamos o presente para conhecimento e manifestação sobre o resultado sobre a apuração dos fatos.Informamos também que uma cópia desta comunicação foi enviada à interessada para acompanhamento.
Atenciosamente,
Ouvidoria”
No mesmo dia, à tarde, soube por mais de um colega que a Coordenadora, Sra. XXX, estava lá para fazer reunião com a equipe do meu escalão.

A única coisa que pensei foi: Tomara que ela se lembre do que eu disse e chame as pessoas individualmente. Se ela não fizer isso, jamais saberá a verdade. 
À noite, fiquei sabendo do teor da reunião, e mais uma vez, as técnicas usadas para colher as informações de forma precisa, foram equivocadas e ineficientes. 
Colocaram todos o empregados da Unidade juntos na mesma sala. Lá, a “puxa-saco”, que gentilmente passarei a chamar de “Bajuladora”, e o “escrevente da ata” da reunião (marido da secretária da chefe “O”), levado pela Sra. XXX, impediam que os presentes se sentissem à vontade para expressassem as suas verdadeiras opiniões e sentimentos.

Nesta época recebi mensagens, escritas e verbais, do tipo:

“Por favor, amiga, me perdoe, mas eu não tive coragem de falar.”
“Falamos o que deu para falar, muita coisa ficou nas entrelinhas.”

“Com o “escrevente da ata” lá, como é que alguém vai falar?”. 
“A Bajuladora disse que vai descobrir quem é que está fazendo terapia há mais de um ano pra contar pra chefe. Eu fiquei em pânico.”
“Com a Bajuladora por perto, quem é que vai ter coragem de falar?”
Será que passa pela cabeça de alguém, que pessoas neste estado, possam de fato, se expressar livremente? É evidente que a situação arranjada para que falassem não visava obter informações que confirmassem as denúncias. A situação era intimidadora, sem garantias necessárias de não punição. 

Nesse dia escrevi uma carta aos meus colegas, pois imaginava como cada um se sentia. De certa forma eu também me sentia culpada pela situação que eles estavam tendo que enfrentar. Também sabia dos medos e dos motivos que fariam com que permanecessem calados –  essa tinha sido a regra por anos, até comigo – e não os culparia por isto. 

Recebi resposta de apenas uma das cartas. Depois soube que as pessoas estavam com medo de mim, ou de falar comigo, porque a Bajuladora divulgara que eu estava gravando tudo para mostrar à coordenadora.

Os dias foram passando e se tornando meses e cada vez mais os colegas se distanciavam. Embora me tratassem bem, eram reticentes e não voltavam a fazer contato. Parecia que eu tinha uma doença contagiosa que se passava por e-mail ou telefone. No entanto, no mesmo período recebi demonstrações de carinho e solidariedade indescritíveis de alguns.

Seguem aqui algumas transcrições:
“Bom dia. É tão ruim e vazio chegar aqui e saber que você não está. Você faz muita falta para mim. Estou orando e torcendo por você, e nunca se esqueça que os humilhados serão exaltados. Deus nunca desampara os seus verdadeiros filhos. Te amo amiga.”

"Como você está? Espero que bem. Tenho sonhado muito com você se despedindo de nós. Você faz muita falta por aqui. As coisas não são as mesmas sem você. Fique bem aonde quer que vá. Você faz a diferença e isso às vezes incomoda demais as pessoas. Bom feriado, fique com Deus. Saudades...”
“Se precisar de mim, estou do seu lado.”
"Fique firme amiga, que Jesus está juntinho de ti, e seus verdadeiros amigos também.”
A propósito, coloco aqui um relato que muito me impressionou:

Pouco mais de uma semana após iniciar minha licença médica, recebi uma ligação de alguém que relatava ter ficado impressionada com o fato de outra pessoa que ela nem sabia que “gostava” de mim – já que não me era próxima – a ter me defendido diante de fala bastante agressiva a meu respeito. Contou-me então que um novo profissional, médico, de uma determinada equipe fora até a sala de vacina, e lá entabulando conversa dizia:
 “Ainda bem que não conheci essa enfermeira que saiu. Dizem, que era o demônio. Eu soube que os médicos que saíram daqui, saíram todos por causa dela...”
A pessoa que me defendeu, segundo soube, disse-lhe que ele não estava falando da mesma pessoa que ela conhecia, porque eu não era nada daquilo que ele estava falando. Ao que ele respondeu: 

“Isso foi informação que veio de cima”.
Durante os meses em que fiquei fora, a minha recuperação foi dolorosa. Sentia muita falta dos meus colegas. Muitas vezes me senti magoada e abandonada com o distanciamento deles. 

Com as investidas “agressivas” da parte de “O”, foram-me tiradas várias fontes de satisfação na vida. Senti que minha vida me havia sido tomada. Por exemplo, o convívio com colegas de trabalho – alguns que foram se afastando por medo –  pacientes de programas e atividades construídas ao longo de anos, pautadas num vínculo afetivo propulsor de satisfação e êxito no trabalho. 

Senti-me sequestrada e isso é bastante coerente com um quadro de Ansiedade Generalizada e Síndrome do Estresse Pós Traumático. Como diz meu marido, psicólogo clínico há décadas, é inquestionável o nexo causal precipitante ou agravante destes e de outros quadros de ansiedade, que podem, lá na frente, configurar como sequela um quadro depressivo duradouro.

Quando as medicações começaram a surtir efeito, comecei gradativamente a melhorar. Já conseguia dormir melhor, os flashbacks foram aos poucos diminuindo e também a sensação de terror. Mas não desapareceram de todo. 

Não posso deixar de prestar uma homenagem ao meu marido, grande companheiro que esteve o tempo todo ao meu lado.  Como companheiro e como profissional, usando técnicas de terapia comportamental que muito me ajudaram e continuam a ajudar no meu processo de recuperação, que segundo a psiquiatra, deve durar no mínimo um ano. Não sei o que faria sem ele, a começar pelo seu gesto de denunciar. 

Seguramente, eu não teria condições de fazê-lo, me manteria calada, negando o que se passava, tentando paliativos - como fiz por anos - como muitos de meus colegas ainda fazem. Eu os entendo. Às vezes, de tão mal que estamos, como diz meu marido:
"nós precisamos de alguém que nos carregue numa maca, sem que nos pergunte se queremos ou não; é uma questão de sobrevivência". 
Eu caminhava para um estado cada vez mais precário, de imobilização.

Uma noite sonhei que tinha voltado a trabalhar, daí entrei na unidade de trabalho e encontrei uma cliente que ficou feliz em me ver e pediu para eu atendê-la. Também eu fiquei feliz em atendê-la em uma sala próxima à entrada. Mas não via nenhum dos colegas. Só de muito longe. Parecia que os corredores eram bem mais compridos. Resolvi então ir à minha sala. Enquanto andava pelo corredor, eu ia me sentindo feia, olhava o meu avental e achava que estava todo sujo, olhava pro meu pé e estava de chinelo com as unhas grandes... e dava pra ver que todos estavam de sapato. Senti-me envergonhada, deslocada e fora de contexto. 

Comecei a me questionar se era assim que eu me sentiria quando voltasse a trabalhar. 


Mas de qualquer forma eu teria que tentar.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ASSÉDIO É CRIME: DEFENDA-SE E DENUNCIE

Por Florival Scheroki, Dr.

Antes é bom assinalar que se o assédio como entendido atualmente pela área de saúde e comportamento, não é, ainda, um crime tipificado por uma legislação federal, isto não o desqualifica como crime em sentido amplo, na medida em que traz danos sérios não tem aprovação social. Crime não é algo que deva se limitar ao estrito sentido da lei. Este texto considera o assédio como uma das formas de manifestação de violência que traz danos importantes aos indivíduos grupos e à humanidade como um todo. Atribuir uma condenação menor a alguém que tem sutis artimanhas de assediar a ponto de se tornar difícil evidenciar por meios comuns assemelha-se a dar uma pena menor a alguém que mata com um único tiro em comparação com alguém que mata com dez tiros. A violência do assédio, em alguns testemunhos, mostra que é uma morte em vida. Não é à toa que muitos optam por morrer de fato.

Uma das formas de agir do assediador é abusar de seu poder coagindo e cerceando a liberdade das pessoas, em seus direitos básicos, previstos na constituição e na declaração Universal dos Direitos Humanos. Não há como não ter medo diante dos cercos agressivos. Mas há como ter coragem para se proteger. As proteções se dão em diversas esferas. 

As ações de proteção vão desde as que se dão frente a frente com o agressor até ações coletivas na justiça. É importante que as empresas que apoiam empregados assediadores estão condenadas ao fracasso; é só uma questão de tempo. Gestores que têm estratégias de intimidação com ameaças discretas ou descaradas estão condenados a não ter empregos. Com o crescimento da educação e informação a população vai se tornando mais consciente de seus direitos. As queixas judiciais pelos danos à saúde dos trabalhadores levarão à atualização de leis que resguardam a integridade física e psíquica dos trabalhadores. Os custos com gestões autoritárias obrigarão a adaptações que evitem maiores conflitos sociais. A denúncia de maus tratos sofridos nas relações de trabalho, em especial quando de correntes de assédio moral, devem ser feitas junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Uma das formas de enfrentamento diante das agressões no trabalho é dizer, SEMPRE PUBLICAMENTE, que você está se sentindo constrangido, desvalorizado, humilhado, segregado para as pessoas quem tem comportamentos que te provocam os sentimentos que acompanham estas situações. Assinale como está se sentindo. O trabalho e as relações que nele acontecem não devem destruir sua saúde mental, social, física e familiar. Se você foi educado debaixo do chicote precisa saber que não são apenas as palmadas nas crianças que não precisam ser usadas. Outras formas de agressão também devem ser denunciadas. Você não precisa visar que vai denunciar. Vá e denuncie. A página do MPT na internet tem informações sobre como proceder. De pouco ou nada adianta você sofrer acuado, morrer aos poucos, e deixar seus filhos neste mundo para passar por situações semelhantes. Evite atribuir propósitos ao seu agressor ou aos atos dele. Isto é irrelevante para você se defender. 

Não classifique ou rotule o “assediador” com termos depreciativos. Não vai te ajudar em quase nada. O importante é que você deixe publicamente claro como se sente diante dos comportamentos dele, de modo respeitoso. Por exemplo, ao invés de dizer que ele está te agredindo, diga que está se sentindo agredido por ele. Os seus sentimentos de humilhação, medo, ansiedade, tristeza, desespero são incontestáveis. São eles que te mostram quando está ficando doente e em que situações os sintomas da doença são mais intensos, duradouros e frequentes. Por outro lado, a intenção do outro de agredir, humilhar ou ameaçar, estes não são acessíveis. Você só pode ter a certeza daquilo que sente diante das atitudes do seu chefe e é justamente seu mal- estar constante na situação que caracteriza a relação ou “nexo causal” de sua doença com os maus tratos no trabalho.

Não temos bola de cristal para dizer a alguém que estamos sendo perseguido por ele. Mas temos olhos, ouvidos e sentimentos e podemos perceber, anotar e relatar as circunstâncias em que sofremos de forma anormal. Sinalizar ao outro, chefe ou colega, que não se sente bem com o modo com fala ou te trata é fundamental para que ele reveja suas ações. Se ele não muda o comportamento sabendo do sofrimento que te provoca, isto sim pode te permitir dizer que o comportamento do agressor tem por objetivo fazer algum dano. Nem sempre dizer que não se sente bem vai levar o outro a te tratar diferente. Aí cabe buscar ajuda psicológica, médica e jurídica.

Em situações de agressão, o que importa, então,  não é a intenção de agredir e sim os danos repetitivos ou não que os comportamentos do agressor provocam. O que importa são os resultados ou consequências que os comportamentos do "agressor" provocam em você.

As intenções das pessoas são inacessíveis, mas as consequências de um comportamento são visíveis. Assim, as atitudes de assédio não são invisíveis. A visibilidade depende de você ter informação para identifica-las. Elas são claras pelos resultados que provocam em cada um que se sente “assediado”.

Isto é bastante. Contudo, quem te faz sentir-se pequeno, incompetente, perseguido, ansioso, com insônia e outras dores, precisa saber que você se sente assim quando ele tem alguns comportamentos, sejam eles de que tipo for.

Os comportamentos são descritíveis e se alguém fica ciente, informado de que certo comportamento faz outro sentir-se humilhado, pode tomar algumas atitudes de revisão de condutas e/ou pedir desculpas publicamente, de tal modo a restabelecer a harmonia na comunicação. 

Se alguém se recusa a se retratar e/ou a rever seus comportamentos, mesmo depois da explicitação de como você se sente dele (a), isto reforça fortemente a hipótese de que o "agressor" mantém as tais atitudes para causar as consequências danosas. Costuma-se, no senso comum, identificar nisto a intencionalidade ou desejo. São as relações entre ações num certo contexto que permitem identificar a função do que costumamos chamar de violência intencional.  A intencionalidade não está na cabeça das pessoas e sim nas suas ações concretas, repetidas ou não, com uma determinada pessoa. São muitas as formas de ação que podem cumprir a função de intimidar, mesmo as que não são dirigidas diretamente a uma pessoa.

Dizer publicamente como o comportamento do outro repercute em você deve estar associado a outras ações para que sejam eficientes. Isto é válido para os contextos de trabalho, família, escola, amigos e outros. Assim temos mais chance de transformar uma cultura em que todos somos vítimas em algum momento.

Florival Scheroki graduou-se psicólogo pela USP há 30 anos, tornou-se Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Doutor em Psicologia Experimental também pela USP. Tem sido um crítico e estudioso de mudanças nas diversas instituições modernas, entre as quais e de modo particular na do trabalho, onde, como clínico, os casos de Assédio Moral têm-lhe chamado atenção especial. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Indenização por Assédio Moral

Assédio moral é uma conduta abusiva que atenta contra a dignidade, honra, imagem ou integridade psicológica do empregado. Esta conduta abusiva pode se manifestar de diversas formas: palavras, gestos, ordens, atitudes, etc. Assim, o assédio moral se dá por qualquer ato do empregador pelo qual o trabalhador seja exposto a uma situação constrangedora, degradante ou humilhante, gerando dano emocional ao empregado.

No Brasil, embora existam leis dispondo sobre o assédio moral contra o funcionário público, ainda não há uma lei específica relativa ao assédio moral contra o empregado, ou seja, o trabalhador de instituições privadas, registrado em Carteira de Trabalho. Há, contudo,  diversos projetos de lei em trâmite no Congresso Nacional que buscam coibir a prática do assédio moral contra o empregado.

Embora exista esta lacuna em nosso sistema jurídico, esta falta de lei específica não dá, de forma alguma, margem ao empregador para incidir em qualquer forma de assédio moral contra seu empregado.

No Direito Brasileiro, aquele que comete assédio moral contra o empregado tem sim obrigação de indenizar. Isto porque, a Constituição Federal, base de todo o sistema jurídico, estabelece que o princípio da dignidade humana é fundamento de nossa República (art. 1º), e que a honra e imagem das pessoas são invioláveis, sendo assegurado o direito a indenização pelo dano moral decorrente de sua violação (art. 5º, X da CF).

Além disso, o Código Civil estabelece que o dano moral, no qual se inclui o assédio moral trabalhista, é um ato ilícito, e que qualquer que o comete tem a obrigação de indenizar o agredido (art. 186 e art. 927 do CC).

Assim, o empregador que cometer assédio moral contra seu empregado, será obrigado a indenizá-lo por meio de pagamento em dinheiro, com o intuito de reparar as consequências do assédio moral. E vale ressaltar que esta indenização não exclui o pagamento pelo empregador de todas as demais verbas trabalhistas.

Fonte: Portal iTrabalhistas

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Questionário sobre assédio moral


Destinado às vítimas de assédio moral no trabalho


"Considera-se que a pessoa vítima de assédio moral foi exposta a atitudes hostis (tais como práticas vexatórias, humilhação, isolamento, discriminações, constrangimentos) de uma ou várias pessoas, com freqüência e por um período longo, numa relação de força desfavorável que torna qualquer tipo de defesa difícil"



Marque as situações de assédio moral que você já passou 


Seu chefe / Sua chefe:

Não lhe cumprimenta mais e não fala mais com você
Atribui a você "erros imaginários"
Bloqueia o andamento dos seus trabalhos
Manda cartas de advertência protocolada
Impõe horários injustificados
Enche de trabalho
Pede trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade
Dá instruções confusas e imprecisas
Ignora sua presença na frente dos outros
Fala mal de você em público
Manda você executar tarefas sem interesse
Faz circular maldades e calúnias sobre você
Transfere você do setor para lhe isolar
Não lhe dá qualquer ocupação; não lhe passa as tarefas
Retira seus instrumentos de trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
Proíbe seus colegas de falar/almoçar com você
Agride você somente quando você está a sós com ele
Insinua e faz correr o boato de que você está com problema mental ou familiar
Força você a pedir demissão
Prejudica sua saúde

Para preencher o questionário completo clique aqui.

Fonte: Assédio Moral no Trabalho. Chega de Humilhação!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ACUSAR EMPREGADO SEM PROVAS RESULTA EM DANO MORAL


Imagem Google
Acusar o empregado por delito, sem a devida prova e, ainda por cima, dar ampla divulgação ao fato, pode configurar motivo suficiente para anular demissão por justa causa e determinar o pagamento de indenização por dano moral. Este é o resultado de um julgamento de recurso na Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro Vieira de Mello Filho.

O caso iniciou com a demissão de um empregado de uma transportadora do Rio de Janeiro. Sob o argumento de que ele teria confessado, em depoimento à polícia, sua participação em esquema montado para desvio de mercadoria, a empresa o dispensou por justa causa. Em ação movida contra a transportadora, o ex-empregado obteve sentença favorável, determinando a anulação da justa causa e o pagamento de indenização por dano moral.

Para fundamentar sua decisão, o juiz da 19ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro levou em conta, principalmente, três fatores. O primeiro: a impugnação do documento apresentado pela empresa, contendo o depoimento do empregado, que alegou tê-lo assinado sob ameaça de tortura. O segundo fator: a falta de identificação e assinatura das autoridades que ouviram o depoimento. Terceiro: o fato de que a empresa não atendeu determinação para apresentar, em 30 dias, cópia de inquérito ou ação penal contendo provas conclusivas sobre suas acusações.

Em recurso da empresa, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) reformou a sentença parcialmente: manteve a anulação da justa causa, mas excluiu a condenação por dano moral. Isso levou o autor da ação a entrar com recurso, na tentativa de retomar a sentença original. Após vê-lo rejeitado pelo TRT, ele apelou ao TST, apontando violação de dispositivos constitucionais e do Código Civil.

Para fundamentar seu voto, o relator da matéria, ministro Vieira de Mello Filho, considerou a própria decisão do TRT, segundo a qual a demissão por justa causa exige prova “robusta e insofismável”, especialmente quando a acusação se refere a ato de improbidade, que gera graves conseqüências na vida do acusado. O ministro acentua que o TRT usou a mesma linha de julgamento para anular a justa causa (em benefício do empregado) e revogar a reparação por dano (em benefício da empresa). Assim, conclui, o juiz esqueceu-se das “graves conseqüências” que mencionara.

Para Vieira de Mello, a postura da empresa foi agravada ao permitir que suas acusações ou desconfianças – não comprovadas – fossem divulgadas entre os colegas de trabalho do empregado, violando direitos constitucionalmente previstos, como a honra e a imagem. 

“Tal atitude denota, no mínimo negligência da empregadora no trato de tais questões, já que em algumas ocasiões é a própria reclamada que dá publicidade às acusações para servir de exemplo aos demais empregados, o que não restou provado neste caso”, assinala. (AIRR-2111/1999-019-01-40.8).

Fonte: Guia Trabalhista Online

domingo, 18 de agosto de 2013

Republicação 13

(Passando pelo Médico do Trabalho)

Durante os últimos três anos sofri várias agressões no trabalho e passei a me sentir muito insegura e sempre com medo, pois mesmo buscando fazer sempre o melhor, a sensação era de que nunca era o suficiente, e que sempre havia um desejo por parte da gerência em encontrar algum defeito ou imputar-me culpa, por coisas sem sentido do tipo: 
"Você demora demais fazendo seu grupo, por isso ninguém vem!" (os outros grupos feitos na unidade,  também tinham baixa adesão)  
"Você ficou três horas fazendo grupo, que absurdo..." (o tempo estabelecido para o grupo é de duas horas; às vezes por esperar um pouco mais para iniciar, acabava compensando no final e passando um pouco do horário previsto) 
"Você assustou a médica, por isso ela foi embora" (que foi embora por diversas outras questões pessoais) 
"Você fala demais"... 
“Todo mundo entrega a produção de X% antes das férias menos você” (isso em apenas 1 semana de trabalho, até mesmo se esta semana tivesse um feriado ou curso, e consequentemente apenas quatro dias ou menos de trabalho).

Isso sem falar nos olhares de repreensão sempre presentes. 

Também vi muitos colegas de todos os escalões serem agredidos por atitudes ou verbalmente por ela. Deboches e piadinhas quando se ia "pedir" uma folga mesmo tendo banco de horas suficiente para muito mais, como se fosse um favor, eram frequentes. 



Vi medo, choro, insegurança e até desespero algumas vezes... Durante esse tempo, vários foram demitidos por coisas pequenas, ou porque simplesmente não caíram nas graças dela. Os demais estavam sempre apreensivos, porque em geral sempre um, era o foco do momento, e ninguém sabia quem seria o próximo.


No decorrer do tempo, embora eu nem sempre tenha relacionado os fatos ao stress sofrido, ganhei peso, tive queda intensa de cabelos, procurei tratamento dermatológico, cheguei a passar uma noite no PS com dores no peito colhendo enzimas e fazendo ECG, dores intensas no pescoço e ombros que me fizeram buscar a Acupuntura. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

SRTE debate assedio moral


Superintendência informa que 87% das denúncias dizem respeito ao assédio moral



A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) realizou o 1º Ciclo de Debates Sobre Assédio Moral e Discriminação nas Relações do Trabalho, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindpd), na quinta-feira (18/07).

O evento reuniu cerca de 300 pessoas, entre lideranças políticas, sindicais e empresarias, advogados e profissionais de recursos humanos de instituições públicas e privadas. Para o superintendente, Luiz Antonio Medeiros, “o assédio moral não pode acontecer impunemente. O Ministério do Trabalho tem que ser o grande protagonista das relações de trabalho no país e essas palestras servirão de guia para nossas ações”.

De acordo com dados divulgados no 1º Ciclo de Debates, do total de denúncias de discriminação que chegam à SRTE/SP, 87% dizem respeito ao assédio moral. Os recordistas de denúncias são os setores de telemarketing e serviços. Para Jaudenir da Silva Costa, coordenador da Comissão de Igualdades de Oportunidades de Gênero, de Raça e Etnia, Pessoas com Deficiência e Combate à Discriminação da SRTE/SP, “o assédio é um tema que envolve uma modificação profunda nas relações do trabalho e nas relações humanas”.

Segundo o coordenador, do total de pessoas cujas denúncias chegam à Superintendência, 26% tem ensino superior, 43% possuem ensino médio e 18% o ensino fundamental, o que mostra que o assédio atinge indiscriminadamente todas as classes sociais e ramos de atividade. “Fazemos um trabalho de mediação para encontrar o caminho da dignidade da vítima, pois quem procura atendimento já chega desestabilizado, machucado e com a saúde degradada”, relatou Jaudenir.



Assessoria de Comunicação Social/ MTE

Com informações do Serviço de Comunicação da SRTE/SP

(61)2031-6537/2430 – acs@mte.gov.br

Fonte: Sinditestrs

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

III Seminário Catarinense de Prevenção ao Assédio Moral no Trabalho


 

Sejam bem-vindos!
O assédio moral no trabalho é uma prática desumana que degrada as relações interpessoais e organizacionais. Situações de humilhação, constrangimentos, violências, deterioração proposital das condições de trabalho, atentados contra a dignidade são característica da ocorrência do assedio moral. Os seus efeitos nocivos podem comprometer a saúde e a vida dos trabalhadores, bem como o desempenho organizacional.
Para debater com a sociedade civil a necessidade da prevenção e do combate a estas formas de violência, será realizado no dia 30 de Setembro e 1 de Outubro de 2013 em Florianópolis/SC, o III Seminário Catarinense de Prevenção ao Assédio Moral no Trabalho, a partir da proposição do Fórum de Saúde e Segurança do Trabalho (FSST/MPT 12ª região) em conjunto com as instituições que o compõem.
O objetivo principal do Seminário é divulgar o tema assédio moral no trabalho, por meio de palestras com pesquisadores referenciais no Brasil, discutir o problema em mesas redondas, e apresentar relatos de investigação científica, casos e experiências.
Esperamos a presença de trabalhadores, empregadores, gestores, acadêmicos e membros da sociedade de forma geral, para que este seminário possa além de apresentar informações relevantes sobre o assédio moral, transformar a percepção do seu participante em relação a esta forma de violência presente no ambiente de trabalho. Para tanto, convidamos a todos a se inscrever como participante, ou relatando pesquisas desenvolvidas ou experiências vivenciadas.
Deste modo, contamos com a presença de todos para prestigiar este importante evento.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

R$ 2 MIL POR ASSÉDIO MORAL

Trabalhadora é indenizada após ser ofendida pelas patroas na frente dos colegas de trabalho. De acordo com o juiz, provas demonstraram prática de assédio moral por parte das patroas.


Uma trabalhadora que afirma ter sido constrangida e ofendida pelas patroas na frente dos colegas de trabalho será indenizada em R$ 2.000. A decisão é do juiz Marco Antônio da Silveira, que atua na 39ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte.

Segundo a empregada, ela foi advertida de forma vexatória na frente dos funcionários da empresa após cometer um equívoco. Ela teria dispensado os membros da sua equipe de trabalhar em um sábado, fato que foi admitido pela própria trabalhadora, que confessou ter interpretado erroneamente as regras de uma campanha de cumprimento de metas.

Segundo o magistrado, "ninguém discute a possibilidade de o empregador gerenciar o trabalho de seus empregados. Contudo, há larga distância entre tratar do assunto reservadamente ou fazer isso diante de terceiros". De acordo com o juiz, a análise da prova oral demonstrou a prática de assédio moral por parte das patroas da empregada, que chamaram sua atenção na frente das colegas. 

As partes recorreram da sentença, mas esta foi mantida pelo Tribunal.

Fonte: O Tempo

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Schin é condenada a pagar R$ 700 mil por assédio moral

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - A Brasil Kirin, empresa dona da marca de bebidas Schin, foi condenada a pagar indenização de R$ 700 mil por assédio moral. O valor deverá ser revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O juiz Roberto Benavente Cordeiro, da 4ª Vara do Trabalho de Guarulhos (SP), determinou ainda que a empresa apure as reclamações e tome medidas efetivas para acabar com as práticas abusivas.

Em inquérito civil, conduzido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Guarulhos, constatou-se que os gerentes desrespeitavam os funcionários, com gritos e xingamentos, para cobrar o alcance das metas estipuladas pela empresa. Havia até ameças de que caso o desempenho não fosse satisfatório, os empregados poderiam ser enviados para outra região. “As cobranças envolviam gritos e utilização de palavras como 'safado' ”, informou o MPT na fundamentação da ação contra a Kirin.

O juiz determinou que a empresa divulgue internamente os canais de reclamação existentes. Segundo o texto, a Kirin deverá deixar claro para seus funcionários, em especial nos cargos de gerência e direção, que vai apurar as reclamações e punir os responsáveis pelas práticas de assédio.

Procurada pela Agência Brasil, a Brasil Kirin disse que não se manifesta sobre processos judiciais ou administrativos que estejam em trâmite.

Edição: Fábio Massalli

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domingo, 11 de agosto de 2013

Republicação 12

Dou de cara com a porta aberta e a Sra. XXX sentada do outro lado da mesa. E para minha surpresa...


Imagem Google




...“O”, sentada ao lado de uma cadeira vazia, em frente à mesa, com as costas viradas para a porta.

Falei bom dia e me sentei na cadeira ao lado. As duas terminaram o assunto e a Sra. XXX falou que me chamara ali por causa da carta do meu marido.

Pra mim o constrangimento era grande por ter que falar de coisas dolorosas na frente de “O”. Tremia por dentro e por fora e disse que não era fácil falar na frente dela. Mas a Sra. XXX disse que era melhor, porque assim se esclarecia logo as coisas.

Reuni todas as minhas forças. Disse que embora não tivesse autorizado o meu marido a falar por mim, entendia sua posição de preocupação com a minha saúde, já que por muitas vezes eu lhe contara o que acontecia lá, e ele ficava de “cabelo em pé”, já que trabalha também com Comportamento Organizacional, e ficava abismado com os meus relatos. Disse que ele já me vira chorando, passando a noite no PS com dor no peito colhendo enzimas e fazendo eletro, e agora com a alteração de pressão arterial, ele resolverá dar um basta, fazendo a denúncia à empresa.

Eu disse que de fato “O” era muito agressiva, gritava com as pessoas e que nos fazia muito mal. Afirmei que tinha colega que estava em terapia há mais de 1 ano por causa dela, e que se fosse dado oportunidade das pessoas falarem individualmente, ela iria descobrir muitas coisas. Não citei nome de pessoa alguma.

A Sra. XXX perguntou se alguma vez eu falara a “O” como me sentia, afirmei que sim quando ela gritara comigo me mandando estudar (Relato1). 

“O” apenas ouvia em silêncio, eu não dirigia o olhar a ela, pois me sentia extremamente desconfortável com sua presença.

A Sra. XXX disse que nós duas éramos ótimas profissionais e que aquilo poderia ser de grande crescimento para nós duas. Em momento algum ela demonstrou compreender que aquela não era uma questão apenas pessoal, e sim uma questão coletiva, já que “O” fazia mal a muitas outras pessoas.

A Sra. XXX falou sobre o dinheiro do Bingo, que de fato não podíamos receber  por atendermos SUS (Relato 8), mas nada do que ela disse, tinha o tom e a cor da agressividade de “O”. Eu disse que jamais teria feito isso, se achasse que estava errado, ou que isso seria um problema, até porque tinha sido eu mesma que relatara o fato na reunião da Sede da Empresa, e que a iniciativa fora do grupo, e que isso não era pré-requisito para participar do Bingo. 

O que descobri depois é que “O” usa a história do Bingo, para justificar tudo que aconteceu e acontece. Ela diz que eu fiquei mau por ter sido “repreendida” por haver “cobrado” do grupo, etc... Coisa totalmente sem fundamento.

Falei sobre a bronca recebida por conta da reunião na Sede da Empresa e que eu não achava justo, termos sido chamados para falar, e depois sermos agredidos por isso. “O” se mantinha calada. 

A Sra. XXX procurou ser apaziguadora e perguntou-me se eu achava que depois de tudo, ainda havia condição de trabalhar com “O”. Antes que eu abrisse a boca “O” interveio dizendo: “Eu acho que não! Porque eu não vou mudar, ela também não vai mudar... e ela está sofrendo muito”. Quanta gentileza... se preocupar com o meu sofrimento. 

“O” também disse que eu trabalhava de forma muito individual, que não lhe levava problemas, que ela não sabia o que acontecia no meu setor. A Sra. XXX então disse que esta era uma falha de “O’, já que o meu setor também fazia parte da empresa e como gerente ela deveria ter procurado se aproximar e saber o que estava acontecendo. 

Justifiquei o fato de não levar problemas, porque não acho que a gerente ganha para ficar na sala do RH fornecendo lápis e caderno a quem precisa. Para mim o que era uma qualidade, passou a ser um defeito.

A minha função era buscar resolver as coisas, e levar apenas o que eu achasse que dependia dela para ser resolvido. A Sra. XXX então perguntou se eu achava que tinha alguma coisa que deveria mudar. Fiquei parada um pouco pensando porque “O”dissera que eu também não sabia falar, que eu era muito dura. Eu respondera a isso dizendo que podia até ser que eu fosse de certa forma agressiva (embora eu de fato não acredite que sou), mas que eu não estava acostumada a ser tratada com agressividade, e que isto me causava muito mau. 

Também disse que ela não demonstrava disposição em me ouvir, já que eu relatava os fatos com muitos detalhes e eu percebia que não a agradava. Esse era um dos motivos de eu levar apenas a ela apenas o que julgava necessário, além do fato de termos horários diferentes na empresa. Muitas vezes quando eu precisava falar alguma coisa com ela, não era possível pois ela já havia ido embora. Falei então que mudaria o fato de levar ao conhecimento de “O” apenas o que eu julgava necessário e levaria também as coisas resolvidas.

A Sra. XXX sugeriu então que eu usasse as minhas folgas para descansar e que na semana seguinte voltasse para falar com ela o que havíamos resolvido. Argumentei que era época de fechamento na unidade e que seria difícil folgar.

A Sra. XXX tinha compromisso e tivemos que interromper a reunião. Saímos da sala e “O” saiu para outro lado do corredor enquanto eu fui para o meu carro. Eu realmente tinha a intenção de voltar ao trabalho, mas estava me sentindo em péssimo estado físico e emocional. Sentia-me esgotada como se tivessem sugado toda a minha energia. 

Meu rosto e meus olhos não paravam de queimar, e na minha garganta não passava nem água. Pensei em pedir ajuda a alguém e liguei para uma colega. Contei a ela tudo que acontecera e de quão mau eu estava me sentindo e ela me aconselhou a não retornar ao trabalho do jeito que eu estava. Achei que aquele era um bom conselho e avisei meus subordinados, disse-lhes o que estava acontecendo e que por isso eu não retornaria, mas que eles fizessem tudo da melhor forma como sempre faziam, e que não comentassem nada do que estava acontecendo, pois eu não estava bem e não sabia o que aconteceria.

Fui embora e depois de um atendimento médico e um atestado de 7 dias, achei que aquele seria tempo suficiente para sentir-me melhor, e mesmo tendo um atestado do dia seguinte de 15 dias, encaminhei à empresa apenas o de 7, acreditando piamente na minha recuperação. Ambos os médicos me encaminharam para o psiquiatra e prescreveram medicação, que eu não quis de jeito algum usar.

Liguei para marcar consulta com psiquiatra, mas esta é uma especialidade difícil de conseguir vaga quando se está de fato precisando muito. E pra complicar estávamos em uma semana que tinha um feriado. Marquei mesmo assim, em uma psiquiatra indicada pela segunda médica que me atendera. Entretanto a cada dia que passava eu me sentia pior, muito diferente do que eu imaginara que aconteceria no decorrer dos 7 dias do primeiro atestado. Pensar em ir ao meu posto de trabalho ou à Sede da Empresa, me deixava aterrorizada. 

Para levar o atestado no trabalho, pedi ao meu marido que fosse entregar, mas só de ir com ele no carro, pois ele não sabia como chegar lá, meu coração parecia que ia sair pela boca, e se eu pudesse, teria saído correndo dali. Mostrei a ele como chegar lá e pedi que, por favor, me deixasse em outro lugar distante, porque eu não queria de forma alguma passar nem perto, de tão mau que me sentia. Mesmo o carro dele tendo vidros totalmente escuros, eu não me sentia segura, era como se a qualquer momento “O” pudesse me atacar novamente. 

O meu sono era, ou melhor, não era... Simplesmente eu não conseguia dormir, e quando dormia acordava aterrorizada com os pensamentos recorrentes e cenas das agressões infligidas por “O” ao longo dos anos. 

No sétimo dia cheguei ao meu limite, cai em pranto convulsivo e pedi ao meu marido que arrumasse um psiquiatra urgente, pois eu não suportava mais e não aguentaria esperar até a data que conseguira marcar na semana seguinte  com a psiquiatra. Meu marido fez algumas ligações e conseguiu uma médica que pode fazer um encaixe e me atendeu no final daquele dia. 

A consulta durou 1h e pude falar das coisas que tão mal estavam me fazendo. A médica foi extremamente sensível ao meu sofrimento e prescreveu-me duas medicações controladas. Não havia mais como fugir da realidade, eu estava de fato muito doente e teria que me render aos fármacos, coisa que nunca havia feito uso na minha vida.