"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


terça-feira, 16 de julho de 2013

O Assédio Moral e Sexual na Petrobrás e a necessidade das mulheres na luta sindical

O VII Congresso Nacional dos Petroleiros da FNP trouxe o debate sobre a situação das mulheres no Sistema Petrobrás, discutindo o Assédio Moral e Sexual e a importância da participação das mulheres na atividade sindical. A mesa “Assédio Moral e Sexual contra as Mulheres Petroleiras” teve um debate acalorado, que girou em torno da polêmica discussão sobre a situação da mulher na sociedade e refletiu sobre o papel fragmentador que cumpre o machismo, que atua como uma forma de enfraquecimento da luta sindical.

Sobre a importância da presença das mulheres no sindicato, a representante do Movimento Mulheres em Luta (MML) - que é ligado a CSP-Conlutas –, Silvia Ferraro, foi categórica “a classe trabalhadora tem dois sexos. A luta contra a exploração é indissociável da luta contra a opressão. Se os homens não compreenderem que a luta da classe é uma luta de homens e mulheres, não seremos vitoriosos”. A companheira também chamou a atenção direta dos companheiros homens “cada vez que um trabalhador faz uma piadinha machista e trata as mulheres como um objeto sexual e não como um membro de sua classe, ele enfraquece nossa luta”, afirmou. Foi exposto que as mulheres representam 17% da categoria petroleira e que isso precisa se expressar no ativismo sindical da categoria.

Sobre o assédio sexual contra as mulheres petroleiras, Raira Copolla, que faz parte da Coordenação do Departamento de Mulheres do Sindipetro-LP, declarou que “a categoria é extremamente composta por homens e isso gera um ambiente bastante machista. Também sabemos que muitas mulheres são terceirizadas, possuindo um posto de trabalho bem mais precário que as próprias do Sistema, o que gera uma exposição maior aos assédios”.

Raira também falou sobre a desigualdade de direitos entre terceirizadas e petroleiras da Petrobrás. “Existem hoje mulheres que mesmo grávidas ou amamentando continuam expostas a elementos químicos que são extremamente prejudiciais às suas condições”, denunciou.

A coordenadora do Sindipetro-LP fez um chamado aos petroleiros: “se os sindicatos e a FNP não levantarem de fato as demandas das mulheres, elas não vão se incorporar à luta sindical. É importante pensar em como trazer as mulheres para as assembleias e para o sindicato, isso irá fortalecer a nossa luta”.

Fabíola Falefe, que também é Coordenadora de Mulheres do Sindipetro-LP, seguiu o mesmo eixo das outras debatedoras. “A empresa divide os trabalhadores entre mulheres e homens, entre terceirizados e próprios, tudo para enfraquecer a luta por nossos direitos, por isso, precisamos nos unir, porque nossa luta é a mesma”. Para Fabíola, A FNP precisa levar à frente as bandeiras das mulheres, associadas às demais pautas da categoria.

Companheiras de vários sindicatos e bases expuseram pontos de vista e deram depoimentos que ilustram o machismo existente no ambiente de trabalho, que se materializa em assédio moral e sexual, tendo como maior expressão a relação com as chefias, mas que, infelizmente, não deixa de fora os próprios colegas de trabalho homens.

A debatedora do MML, Silvia Ferraro, também fez um apanhado geral sobre a conjuntura de lutas do país relacionando com a participação das mulheres trabalhadoras e estudantes que reivindicam seus direitos.

O debate levantou alguns dados importantes sobre a situação da mulher no Brasil e na Petrobrás e sua contradição frente ao papel que cumprem, hoje, duas mulheres importantes do cenário político nacional: a presidente do país, Dilma Roussef e a presidente da Petrobrás, Graça Foster. Ou seja, o papel de poder ocupado por essas representantes não mudou nem a condição da trabalhadora da Petrobrás, nem a condição de vida das jovens estudantes e trabalhadoras pobres do país.

O caso da demissão da companheira Ana Paula (Oposição NF)

A companheira Ana Paula, da Oposição do Norte Fluminense, relatou o processo sistemático de assédio que sofreu durante sua gravidez, que acabou culminando com o extremo de entrar em trabalho de parto na sala da gerência que lhe perseguia. Ela denunciou que mesmo com o reconhecimento pelo INSS que o fato representa acidente de trabalho, a empresa a demitiu e ainda sustenta uma postura intransigente diante da luta pela reintegração ao Sistema Petrobrás.

Fonte: SINDIPETRO AL/SE

Nenhum comentário:

Postar um comentário