"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Assédio moral em TI: fábricas de software

Por Henrique Lobo Weissmann Serpa de Andrade

INTRODUÇÃO

Um software é bem mais que um conjunto de instruções a serem executadas por um computador: é o fruto de um processo complexo composto por atributos tecnológicos e humanos, sendo o segundo o foco deste trabalho. Para que um projeto seja realmente bem sucedido, mais que um bom design é necessário que as pessoas que o constroem possuam boas condições de trabalho a fim de obter sucesso no caminho que começa com uma necessidade e termina com um cliente bem atendido por um sistema computadorizado. O sucesso vai além da mera entrega: deve incluir também a satisfação de todos os membros da equipe na execução do projeto. 

Dentre as possíveis formas de se produzir software, no Brasil se popularizou bastante a partir da década de 1990 as chamadas fábricas de software, que são empresas com foco no desenvolvimento de software customizado para o público em geral, normalmente sem foco em um nicho específico de mercado. Apesar de suprir bem uma fatia significativa do mercado, tal como será exposto neste trabalho o ambiente da fábrica de software muitas vezes propicia a ocorrência do assédio moral, cujo evitar é um dos maiores desafios da administração atual. 


Esta pesquisa se motivou pela minha percepção de que claramente há algo de errado com o modo como lidamos com o ato de produzir software em fábricas. Percepção baseada na minha própria experiência e, ainda mais importante, dos inúmeros relatos com os quais tomo conhecimento vindos de amigos, grupos de discussão na Internet, blogs e toda forma de comunicação que rodeia este segmento do mercado.

Uma percepção isolada não é suficiente para motivar alguém a escolher como tema do seu trabalho de conclusão de curso em Ciência da Computação uma área aparentemente tão distante como o Direito. A decisão pelo tema se deu por acaso: o sócio da minha esposa, Rafael Moraes estava defendendo sua dissertação de mestrado intitulada “O Assédio Moral e a Política Empresarial de Metas” que chegou às minhas mãos por acaso. Lendo aquele trabalho imediatamente minha percepção isolada tomou cara: tive um insight que tornou claro pra mim que nosso ambiente de trabalho muitas vezes não facilita a ocorrência do fenômeno do assédio moral: implora por ele.


Conforme lia a dissertação de Rafael Moraes (e seu subsequente livro homônimo eram muito claros os paralelos entre o fenômeno por ele descrito e as situações que chegavam à mim por vias direta e indireta. Claro: um único texto ainda não era suficiente para que eu pudesse ter certeza do que estava acontecendo. Isto iniciou uma pesquisa bibliográfica extensa que virou minha visão e postura profissional de ponta-cabeça. O trabalho de conclusão de curso caiu como uma luva para que eu pudesse responder ao seguinte questionamento: como ocorre o assédio moral em fábricas de software? Fábricas de software propiciam a ocorrência do assédio moral? 

Esta aventura intelectual mostrou-se surpreendente para mim conforme auto criticava minha própria postura profissional e também as que observava em colegas e nos relatos que recebia. Ficava claro que o assediador muitas vezes não se tornava assediador por livre iniciativa, mas sim era levado a isto a partir da cultura empresarial, mercado ou inúmeros outros fatores. 

Ao analisar o conceito de fábrica de software tive uma série de surpresas.Tal como será exposto neste trabalho, aquela percepção de que muitos tem de que o termo não é apropriado confirma-se. Para tal fiz uma análise histórica que me levou a 1969 quando o termo é cunhado pela primeira vez com sucesso na Hitachi japonesa,não surpreendentemente com um significado bastante distinto conforme está exposto neste trabalho. 

Apenas uma pesquisa bibliográfica não me saciava: precisava também observar o fenômeno se concretizando. Para isto publiquei e divulguei na Internet um formulário no qual os trabalhadores de fábricas de software pudessem relatar suas experiências a fim de que fosse possível traçar um perfil do assediado e assediador estatisticamente. Talvez tenha sido a parte mais emocionante desta jornada acadêmica quando percebi claramente o medo que as pessoas têm de tratar o assunto. Enquanto os posts no meu blog http://devkico.itexto.com.br gerava milhares de acessos, observei apenas dezenove relatos fornecidos pelo formulário, incluindo algumas “pseudo-ameaças” para que eu não levasse a cabo este trabalho ou tornasse-o público. Infelizmente dado o pequeno número de relatos não foi possível satisfazer o objetivo de ter uma estatística melhor sobre o fenômeno ainda, porém já estou articulando uma nova estratégia que me levará ao sucesso neste objetivo,espero, em muito breve.

Continue lendo AQUI.

Nenhum comentário:

Postar um comentário