"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Assédio moral: até onde vai essa conduta imoral?

Por Valtermario de Souza Rodrigues*


“Deus me proteja da sua inveja; Deus me defenda da sua macumba;
Deus me salve da sua praga; Deus me ajude da sua raiva;
Deus me imunize do seu veneno; Deus me poupe do seu fim.
Deus me acompanhe; Deus me ampare; Deus me levante;
Deus me dê força; Deus me perdoe por querer;
Que Deus me livre e guarde de você.”
 (Trecho da música Reza de Rita Lee)



Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que é tão antigo quanto o próprio trabalho.

Ao começar escrever esse artigo me lembrei, carinhosamente, de Dona Maninha, minha tia-avó, falecida no interior da Bahia em 2005 aos 106 anos de idade e dona de uma sabedoria singular. Ela dizia: “Todo tempo não é um…”. Essa frase, que eu achava meio sem sentido, se aplica muito bem ao tema assédio moral.

No passado, condutas de assédio moral normalmente não se constituíam em implicações ao agressor. Atualmente, o tema está bastante divulgado e por consequência as pessoas buscam, na Justiça de Trabalho, reparação por danos causados à sua saúde física e mental, portanto, “Todo tempo não é um…”. Na época da escravidão acontecia tortura física, atualmente a tortura é psicológica, com danos, muitas vezes irreparável.

No mundo corporativo há dois ambientes distintos: o ambiente externo, voltado para o mercado, onde a concorrência está cada vez mais acirrada, e o ambiente interno, foco desse artigo, onde, também, é comum acontecer competições, concorrência, conflitos, enfim…, nesse caso entre os próprios colaboradores.

Os conflitos no ambiente empresarial ocorrem com certa frequência, afinal, são pessoas humanas convivendo em um mesmo ambiente, que carregam seus valores morais, certas peculiaridades, expectativas diferentes, anseios e objetivos distintos. Nesse jogo de interesses podemos dizer que a competição é até aceitável, desde que não transcenda os limites da ética.

Tentar puxar o tapete do colega em benefício próprio ou utilizar-se de meios escusos como a humilhação pode implicar sérios problemas para a vítima, tais como: dor, tristeza, isolamento social, sofrimento.

Um ato isolado de humilhação não é considerado assédio moral. Este se caracteriza pela ação repetitiva e sistemática, direcionada a uma determinada pessoa componente de uma equipe, durante a jornada de trabalho e degradação deliberada das condições de trabalho.

Em resumo o assédio moral se caracteriza por:

Repetição sistemática,
Intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego),
Direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório),
Temporalidade (durante a jornada, por dias e meses),
Degradação deliberada das condições de trabalho.


Marie France Hirigoyen, psiquiatra francesa e pioneira no estudo desse tema, define assédio moral no trabalho como toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se, sobretudo, por comportamentos, palavras, atos, gestos ou escritos que possam trazer danos à personalidade, à dignidade, à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho.

No Brasil, são recentes os debates sobre assédio moral. O assunto ganhou força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto, tema da sua dissertação de mestrado em Psicologia Social, defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/SP, sob o título Uma jornada de humilhações.

Na Folha de S. Paulo, em novembro de 2000, na coluna de Mônica Bérgamo, saiu a primeira matéria sobre a pesquisa brasileira. A partir de então o tema é presença constante nos jornais, revistas, rádio e televisão, em todo país.

Afinal, é possível combater o assédio moral no trabalho? Sim. A prevenção, sem dúvida, é o melhor caminho. Cabe às empresas dar aos seus colaboradores todas as condições de trabalho para o bom desempenho de suas funções (treinamento, informação, equipamentos necessários, tempo e espaço físico); fazer campanhas de conscientização de forma que os funcionários se sintam respeitados e estimulados a expressarem suas opiniões sem medo de retaliações.

Ao gestor de pessoas é de importância fundamental a habilidade na comunicação: ter cuidado com as palavras, gestos e tom de voz. Como diria o velho guerreiro, Chacrinha, quem não se comunica se trumbica, portanto, uma das características do bom líder é a capacidade de comunicar bem, fazer críticas e dar feedback sem que a pessoa que o recebe se sinta desvalorizada ou constrangida, lembrando que a crítica deve ser construtiva e sempre com foco no comportamento e não na pessoa.

Você foi vítima de assédio moral? Sentiu-se humilhado? Se a resposta for sim, você tem todo o direito de expressar seu ponto de vista em conversa direta e em particular com seu agressor. Não é interessante fazer comentários sobre o incidente com seus colegas. Fofocar não resolve o problema. O caminho é não esperar uma crise de depressão para tomar providências. Tente resolver o conflito no ato, afinal, “Todo tempo não é um…”.

*Valtermario de Souza Rodrigues é analista administrativo sênior da Distribuidora Automotiva.

Fonte: ABRH-Nacional Brasileira

Nenhum comentário:

Postar um comentário