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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Servidores do Itamaraty protestam contra assédio moral


Cerca de 80 funcionários do Ministério das Relações Exteriores, organizados pelo sindicato da categoria, o Sinditamaraty, protestaram na tarde desta quinta-feira (21) contra supostos casos de assédio moral dentro do órgão.

Segundo o sindicato, o ato foi motivado pelas últimas denúncias registradas no Consulado do Brasil em Sidney (Austrália), em que pelo menos dois funcionários relataram agressão moral por parte do cônsul. Eles escreveram uma carta relatando os abusos que teriam sido cometidos pelo diplomata.

“Segundo essa carta, pela manhã ele [o cônsul] está atacado. Ele grita, ele xinga, ele briga, ele tripudia. Em voz alta, xingando palavrões mesmo. E, à tarde, com a mesma pessoa com quem ele gritou , ele já está bonzinho, tratando bem e até elogiando o trabalho”, afirma Lilian Maia, advogada da Associação Internacional dos Funcionários Servidores Locais do MRE no Mundo (AFLEX).

A assessoria do ministério informou que esta não é a primeira denúncia recebida pelo MRE contra o mesmo diplomata. “O cônsul em questão já havia tido problemas em outro posto, o Consulado-Geral do Brasil em Toronto”, diz o Itamaraty.

A passeata teve início no anexo 2 do MRE e seguiu para a frente do Palácio do Itamaraty. Os manifestantes ainda fizeram um minuto de silêncio em frente à janela do gabinete do ministro.

O presidente do Sinditamaraty, Alexey von der Broocke, esteve presente na manifestação. Ele pede que o ministério mude a forma como apura as denúncias de assédio.

“O que se busca aqui é que o processo de investigação tenha lisura, seja transparente. Esse caso de Sidney é um ponto de partida. Se isso não se resolver satisfatoriamente, nós vamos buscar Ministério Público, CGU”, declarou o presidente.

Para Broocke, a investigação de uma denúncia deveria ser feita não apenas por um membro do MRE, mas também por um representante do sindicato. “Nunca, absolutamente, deu em nada [as apurações]. Sempre houve negociações que resultaram no apaziguamento da questão. Então, o assédio continua”, observa.

Os manifestantes afirmam ter protocolado um manifesto no gabinete do ministro Antônio Patriota, pedindo mais rigor na apuração das denúncias.

“Os vários relatos verbais e escritos de servidores e auxiliares locais evidenciam atos de assédio no Itamaraty como prática corriqueira e recorrente. É vergonhoso ver servidores públicos concursados perpetrarem atos de perseguição sistemática contra outros colegas”, diz o manifesto.

Número de denúncias

Segundo o secretário-geral do Sinditamaraty, Rafael de Sá, é difícil saber exatamente a quantidade de funcionários assediados dentro do MRE. “Elas tem medo de denunciar os agressores”, acrescenta. O secretário-geral contabiliza que só neste ano pelo menos duas vítimas de assédio já se apresentaram no sindicato para prestar queixa.

“Há um desrespeito por parte dos diplomatas em relação às outras categorias do serviço exterior brasileiro. Eu já presenciei várias cenas de assédio”, conta uma servidora que não quis se identificar.

As denúncias de assédio moral contra Américo Fontenelle, Cônsul-Geral do Brasil em Sidney, foram recebidas pelo MRE no início de fevereiro. O funcionário diplomático do MRE responsável por apurar as denúncias já está em Sidney realizando as investigações.

Fonte: Brasil meu Brasil

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