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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Transtornos Mentais e o Ambiente do Trabalho / Assédio Moral e Organizacional


...Os transtornos mentais não são doenças de fácil diagnóstico para os Médicos do Trabalho, e até para os Peritos, que na sua grande maioria, ou quase totalidade, não são Psiquiatras. Se o Psiquiatra do trabalhador não estabelecer diagnóstico claro e bem relatado, as coisas se tornam cada vez mais difíceis. O papel do médico não é “defender” o trabalhador (isso é papel do advogado) e sim trazer provas, que possam fazer a diferença para estabelecer o nexo causal.


 Muitas manifestações e agravos à saúde do trabalhador, não necessitam de fatores desencadeantes para manifestar-se. Uma única coisa que aconteça, pode por si só, ser determinante para causar o transtorno. Para o Dr. Fontana-Rosa, assistir a algo, como por exemplo, algum tipo de  violência dirigida à colega, por superior hierárquico, pode ser determinante para  a manifestação de algum transtorno mental.


Tendemos a questionar quando alguém apresenta algum transtorno mental, sobre sua situação familiar. Entretanto, para o mesmo especialista, pessoas que vivem em famílias conturbadas, podem manter-se perfeitamente bem no trabalho. O trabalho pode inclusive, ser a única fonte de prazer e satisfação na vida daquela pessoa. Entretanto, uma mudança de chefia, novas metas e pressões no trabalho, podem desestabilizar e adoecer este trabalhador. E qualquer coisa que incida sobre um trabalhador e que possa afetar sua saúde, tornando-a comprometida, é de responsabilidade da empresa, que deveria promover um ambiente de trabalho saudável. Para o especialista, uma das causas de agravamento dos quadros de transtorno mental são o retorno ao mesmo ambiente, atividade e conflitos. 

Muitas vezes nos perguntamos, porque algumas pessoas resistem aos maus tratos de suas chefias sem apresentar transtornos, enquanto outras se desestabilizam e se desestruturam? São apenas pessoas resistentes que encontraram mecanismos internos de adaptação às adversidades no trabalho. O grande problema é que nesse caminho, muitos são adoecidos, descartados e até mortos.

O custo do Assédio Moral à vida do trabalhador é imensurável, mas esses custos também recaem sobre as empresas, com passivos absurdos e muitas vezes desestabilizastes para elas próprias.

Para o Dr. Roberto Heloani, Assédio Moral é uma “constelação de danos morais”. Ambientes preconceituosos e onde práticas humilhantes não são combatidas, tornam-se verdadeiras “sementeiras” para o crescimento e desenvolvimento do Assédio Moral. O respeito no local de trabalho é uma meta a ser cumprida. Empresas sérias trabalham com prevenção ao Assédio Moral.

Assédio Institucional consiste em gestão que se baseia em humilhação e manipulação. É quando o assédio “não é direcionado a um, mas a qualquer um”. É administrar usando como instrumentos de trabalho, o medo o stress e a injúria, instrumentos de tortura capazes de afetar e até destruir a dignidade humana. 

Quando uma pessoa assume um cargo de chefia, certamente com as recompensas, também surgem as cobranças, e é neste momento que pessoas com “elementos   particulares de maldade” se manifestam como cruéis assediadores.

Muitas instituições mantêm seus gestores, mesmo tendo conhecimento dos seus métodos de assédio, pois os mesmos são eficazes aos interesses da instituição. Entretanto a lógica do resultado é antiética, e a “produção” a qualquer custo, deve ser combatida. Não dá para viver em um ambiente desses, acreditando que isso é normal.

Para a Dra. Iara Alves Cordeiro Pacheco, os peritos do trabalho, além do exame físico e psicológico, deveriam visitar as empresas a fim de verificar as verdadeiras condições de trabalho.

Ao passo que muitas questões se tornam cada vez mais claras, nos questionamos mais profundamente sobre o que mantém tais práticas. Mentes doentias? Interesse desmedido apenas no lucro, desvinculado dos danos causados ao trabalhador?  

Como pontuado pelo Dr. Raimundo Simão de Melo, Procurador Regional do Trabalho, é o capitalismo que é selvagem, ou o ser humano que o administra?


Não é possível culpar máquinas por causar acidentes, da mesma forma que não podemos culpar uma empresa, por acidentes e danos no sentido literal da palavra. Já que uma empresa são os homens e mulheres que a administram, consequentemente estes se tornam responsáveis pelas escolhas que fazem. Ao optar por mentes perversas que simplesmente satisfazem metas de produtividade desejadas, tais administradores deveriam ser responsabilizados criminalmente pelos danos causados a aqueles que deveriam proteger.  
É pensando nisto que cada um de nós, que por algum motivo está envolvido em questões de Assédio Moral no Trabalho, precisamos nos unir, nos fortalecer, alimentando-nos com as experiências dos outros, cobrando aos nossos legisladores posturas mais duras e coerentes com a gravidade dos danos causados por tais práticas.

O Assédio Moral precisa ser tipificado como crime!

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