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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pesquisa apresentada no SindBancários mostra que assédio moral atinge 88,6% dos bancários



Uma pesquisa apresentada nesta sexta, dia 23/11, na Casa dos Bancários, para delegados sindicais de todo o Rio Grande do Sul, revela o descontrole de uma das estratégias mais nefasta dos modelos de gestão atuais: o assédio moral. Que ocorre nas unidades não é novidade e não causa mais surpresa para ninguém, entretanto é impossível não se impressionar com os números aterrorizantes revelados por uma pesquisa realizada pela doutora em psicologia Mayte Raya Amazarray.

Realizada com 598 bancários da base de Porto Alegre e Região, a pesquisa revela que 88,6% dos entrevistados sofrem com o assédio moral pelo menos uma vez por mês, enquanto 38% são coagidos no local de trabalho toda semana. “São números altíssimos e alarmantes. Pesquisas semelhantes já foram realizadas em outras categorias e países e o índice fica em 10%, o que já é considerado alto”, explica a psicóloga.

Outro dado que chama a atenção é que 50% dos entrevistados tinham histórico de afastamento ou doença contraída no ambiente de trabalho – isto em uma pesquisa em que somente funcionários da ativa puderam responder. “Vemos a marca de uma categoria doente”, analisa Mayte.

Bancários não reconhecem o assédio

O trabalho, intitulado Assédio Moral no Trabalho: Um Estudo do Fenômeno na Categoria Bancária de Porto Alegre e que garantiu o título de doutora a Mayte, faz outra revelação inquietante: a maioria da categoria bancária não sabe identificar o assédio moral. O questionário, aplicado entre julho de 2008 e março de 2009, levava questões objetivas e subjetivas e pode ser preenchido tanto pessoalmente quanto pela internet.

Nas questões objetivas, os bancários respondiam com que frequencia eram atingidos por posturas assediadoras, como ter seu trabalho desprezado por superiores, enquanto as subjetivas definiam o que é assedio moral e perguntavam se o trabalhador era exposto a estes comportamentos.

Para surpresa de Mayte, somente 35,1% dos entrevistados afirmaram, pelas questões subjetivas, sofrer com assédio moral pelo menos uma vez por mês. “Os números mostram que os bancários não sabem identificar quais são as posturas assediadoras”, complementa. 

Campanha combate postura

Há mais de uma década, o SindBancários não mede esforços para combater o assédio moral e busca formas de ajudar bancários que adoecem física e mentalmente por causa da postura coativa dos bancos. Entre as iniciativas estão o Grupo de Ação Solidária, formado por mais de 200 bancários, e o departamento de Saúde, composto por profissionais qualificados, como psicólogos e assistentes sociais, preparado para acolher a categoria e prestar toda assessoria necessária.

Os bancários ainda possuem o Tudo Tem Limite, canal direto com o trabalhador, onde podem ser feitas denuncias de irregularidades no ambiente de trabalho de forma anônima, por telefone, e-mail ou pessoalmente. Também se destacam outras iniciativas, como o lançamento do livro Teatro de Sombras, reunindo artigos sobre a violência organizacional no trabalho, assunto ainda pouco explorado pela academia.

Outros dados

- O assédio moral se mostra mais frequente a funções com alta demanda de trabalho, baixa autonomia, cansaço mental e funcionários que costumam fazer horas extras;
- O assédio moral não poupa ninguém, atingindo de maneira igual homens e mulheres. Entretanto, a pesquisa revelou que é mais freqüente com bancários jovens, que já estão adaptados a atual lógica de trabalho;
- Em 90,5% dos casos, o assediador ocupa cargo superior ao da vítima;
- As mesmas pessoas que são vítimas do assédio são testemunhas, o que revela que o assédio não é pessoal e sim uma prática de gestão;
- Quem tem histórico de doença de trabalho ou afastamento são mais assediados que trabalhadores que não possuem;
- Funcionários que participam de grupos de apoio são mais resistente ao adoecimento causado pelo assédio moral. Mayte acredita que a postura coercitiva cresce hoje em dia na mesma frequência em que a competitividade e o individualismo aumentam.

Fonte: Imprensa/SindBancários

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