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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Como tratar o assédio moral nas empresas?

Especialistas afirmam que o treinamento ético e a mediação de conflitos podem ajudar as empresas a lidar com o assunto.


Escrito por Marianna Moreira

Nós nos relacionamos com diversas pessoas de formação cultural, religiosa, moral e sexual diferentes da nossa. Em um mundo globalizado, interação é palavra de ordem. No universo empresarial isso não é diferente. Várias empresas são multinacionais e, na busca por profissionais qualificados ou de um emprego melhor, estrangeiros e brasileiros devem trabalhar em equipe.

Diante desse cenário de diversidade, os líderes, gestores e empresários devem estar atentos ao ambiente de trabalho para manter a qualidade, a harmonia e o equilíbrio e, ainda, evitar problemas futuros, como os casos de assédio moral entre seus colaboradores.

Segundo a psicóloga, Júlia Ramalho Pinto, Mestre em Administração de Empresas e coach, assédio moral é o constrangimento constante do trabalhador de tal forma que acabe comprometendo a dignidade, a saúde física, mental ou a própria carreira profissional. Esses constrangimentos podem ser ameaças constantes de demissão, ofensas pessoais, sobrecarregas de horário, impedimento que os colegas se relacionem com a vítima, entre outros.

Somente no Brasil, aproximadamente 39,5% dos trabalhadores sofrem com abuso verbal e humilhações no ambiente de trabalho. Isso reflete não apenas na saúde da vítima, mas também no ambiente organizacional, causando desmotivação, estresse e baixa produtividade. 

“Não há dúvidas que um ambiente de trabalho agradável contribui muito para a qualidade de vida do colaborador, de seu trabalho e, consequentemente, para a lucratividade de uma empresa. Pressões, estresse e cansaço podem fazer parte do dia-a-dia do trabalhador, mas, humilhação e constrangimento constante, além de ser crime, é pouco eficiente como gestão. Se o gestor agir de forma mais colaborativa e respeitosa ele terá mais criatividade, leveza e provavelmente resultados melhores”, alerta a psicóloga.

Treinamento

Problemas como esse desestrutura o ambiente de trabalho. Para evitar e, até mesmo, identificar situações de constrangimento entre funcionários, a Estação do Saber Coaching e Mediação, em Belo Horizonte (MG), desenvolveu um treinamento para líderes em ética com foco nos relacionamentos e no assédio moral.

Segundo Júlia, empresários e gestores são constantemente chamados a tomar decisões nas quais, consciente ou inconscientemente, os valores que orientam suas vidas e seu estilo são impressos nos relacionamentos. Por isso, um treinamento com esse foco pode contribuir não só com a postura diante de um individuo com educação e pensamentos diferentes, mas, também, nas decisões que esses gestores devem tomar com relação à empresa.

“Devemos estimular essas pessoas a olharem 360 graus sobre o impacto de suas ações e decisões. Nos treinamentos que ministro sobre o tema, sempre procuro ampliar a forma como esses gestores enxergam suas decisões e refletem sobre as consequências”, diz Júlia.

Quando o assédio toma proporções maiores

Quando o assédio moral ultrapassa as fronteiras da empresa e se transforma em ação judicial, a mediação pode ser uma ferramenta para solucionar o problema e/ou evitar maior transtorno para as partes.

Segundo a psicanalista e mediadora da Estação do Saber, Rita Andréa Guimarães de Carvalho Pereira, a mediação é uma alternativa milenar, agora institucionalizada, que traz uma mudança de paradigma na resolução de conflitos, permitindo, assim, a reestruturação das relações.

“Tendo a escuta como alternativa, a mediação possibilita aos participantes, através da construção de narrativa, a chance de reverem suas verdades, promovendo flexibilidade e empatia. Auxiliados pelo mediador, os colaboradores desarmam suas resistências, permitindo-se falar de suas dificuldades, enxergando o outro e a demanda da mediação de outra forma. A partir da mudança de padrões comportamentais, linguísticos e relacionais contribui-se para uma solução satisfatória para todos”, afirma.

Para a mediadora, muitas vezes, nesses casos de assédio moral no trabalho, falta sensibilidade e comunicação entre as partes. “Em muitos casos, uma conversa e um pedido de desculpas soluciona esse tipo de problema. Falta sensibilidade do ‘agressor’ de não perceber que sua atitude atinge negativamente o outro e não há comunicação da ‘vitima’, muitas vezes por medo, em expressar aquilo que o incomoda. A mediação faz essa ponte entre vitima e agressor”, explica Rita.

(*) Marianna Moreira é jornalista da Assessoria de Imprensa Estação do Saber: Ampla Comunicação

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