"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Relato 27 (A imperícia da perícia)


Esse é um grave problema atual e somente quem sofre ou sofreu assédio moral entende e sabe o que é. 

Estou afastada do trabalho há mais de um ano por esse motivo. Após vários anos sofrendo e já ter recorrido a tratamento psiquiátrico no qual fui diagnosticada com depressão e que sabia que não era, continuei trabalhando até não suportar mais, pois já estava com exaustão, crises de pânico e não dormia mais. 

O que eu quero deixar registrado aqui é que uma das grandes dificuldades que tive foi com os médicos psiquiatras, em um ano eu ainda não tinha melhorado, já havia passado por 7 profissionais, nenhum me entendia, parecia que eu estava falando invenções da minha cabeça, quando falava em assédio moral parecia que eles criavam uma barreira e acredito que imaginavam que teria a justiça envolvida e não queriam se comprometer. A única coisa que diziam é que eu estava com depressão e me medicavam. 

Nesse período tive duas psicólogas que me diagnosticaram com "Síndrome de Burnout", e que eu concordava com elas, pois era uma consequência do assédio moral sofrido. 

Cheguei a ouvir as seguintes pérolas dos psiquiatras: "se você não pode trabalhar, peça demissão." "não posso dizer que você está doente por causa do trabalho, eu não estava lá, eu não presenciei os fatos relatados por você." "Síndrome de Burnout não é reconhecida pela psiquitria" "Síndrome de Burnout é doença exclusiva de corretor de imóveis". "Síndrome de que?" ( esse não sabia o que era Burnout). 


Também, fui diagnosticada por um deles com o CID F-45.0 - Transtorno de Somatização - que é caracterizado por sintomas físicos, para os quais não se consegue encontrar uma explicação adequada, estando associados a sofrimento psicológico, procurando auxílio em vários profissionais de saúde. 

Fiquei muito indignada com isso, em momento nenhum procurei por médicos de outra área, apesar de eu ter alguns sintomas físicos como dores de cabeça, tonturas, náuseas  taquicardia, dores no peito, sabia exatamente que a causa disso era emocional e desde o início procurei profissionais da área psiquiátrica. Acredito que para ele eu era uma pessoa que tinha mania de doença, que todos os dias criava uma doença nova e saia a procura de um médico.

Saía das consultas pior do que estava. Como iria pedir demissão se estou doente por causa do trabalho, a empresa é responsável por isso, é obrigação dela manter um ambiente de trabalho saudável. 

Depois de um ano a situação estava pior, tinha juntado o problema de saúde com a busca por um profissional que não existia, pelo menos na minha região, e ainda sabia que chegaria um dia que o INSS iria suspender o benefício e eu não estaria em condições de voltar a trabalhar. Isso estava me torturando. 

Eu estava ficando desesperada com a situação. Já estava disposta a procurar um médico que entendesse de doenças do trabalho em SP, mais de 600 km de onde moro, pois aqui no meu estado já não tinha mais esperança. 

Resolvi fazer uma última tentativa e consultei com um psiquiatra indicado por uma amiga e tive uma surpresa, pois ele me entendeu e logo no inicio da conversa disse que eu estava com "Burnout". 

Fiquei muito feliz, nem acreditava que havia encontrado o profissional que precisava. Quando comentei com ele que os outros médicos disseram que a psiquiatria não reconhece o Burnout ele disse que os colegas infelizmente estão totalmente desatualizados, que grande parte de seus pacientes atualmente, estão com doenças mentais oriundas do trabalho. 

Eu pesquiso assédio moral há bastante tempo, tenho muito conhecimento do assunto, já fiz uma monografia a respeito e tive todas essas dificuldades quando tive de enfrentar o problema. 

Com isso, imagino as dificuldades de uma pessoa humilde que fica anos sofrendo sem ter consciência do que está acontecendo com ela, que precisa do emprego para sobreviver e tem de se submeter a esse tipo de tratamento desumano e quando resolve pedir ajuda não encontra profissionais que entendam do assunto. 

Além disso, quem precisa ficar afastado pelo INSS sofre mais humilhações e muito estresse, pois você não tem uma doença que o perito possa enxergar ou que comprove por exames, eles acreditam que você está fingindo e isso deixa a pessoa mais abalada emocionalmente. 

Atualmente tomo medicação e faço terapia e estou me recuperando, mas cada vez que tenho de passar pela perícia é uma tortura para mim e volto a ficar mal novamente. 

Nunca imaginei que um dia teria que recorrer a psiquiatras e tomar as medicações controladas e o pior de tudo é que estou passando por isso por causa de uma pessoa, que sinceramente não deveria ser chamada de pessoa, mas sim de monstro. 

6 comentários:

  1. OI AMIGA!!!
    SEI MUITO BEM E PASSO POR TUDO ISSO , SEI DESSA HUMILHAÇÃO NO INSS, TODOS ACHAM QUE QUEREMOS NOS "DAR BEM" FICANDO EM CASA E RECEBENDO BENEFÍCIO, AS PESSOAS ACHAM QUE FAZEMOS "CORPO MOLE" VAGABUNDOS QUE QUER GANHAR SEM TRABALHAR. ESSES SÃO OS PRÉ-JULGAMENTOS. SUPORTAMO O ASSÉDIO MORAL DENTRO E FORA DA EMPRESA. NÃO É FÁCIL E PIOR QUE A LEI TAMBÉM NÃO É TÃO RIGOROSA COMO DEVERIA SER.
    É UM PROBLEMA QUE AS AUTORIDADES , AS EMPRESAS E A LEI SÃO OMISSOS EM PUNIR ESSES "MARGINAIS".
    PREFEREM NOS CRUCIFICAR A FINAL SOMOS UM EM UM MILHÃO QUE DENUNCIA OS ABUSOS.
    BJS

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    1. É a mais pura verdade, os assediados pagam pela omissão de muitos que poderiam fazer a diferença.

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  2. Entendo muito bem o que você passou ,ser acusada de ter uma doença;
    e no meu caso que ops médicos disseram que eu era apta e minha chefia me inabilitava contra os laudos médicos.

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    1. Todos podem imaginar...
      Sentir, só aqueles que de fato passaram na pele, sabem o peso da falta de um diagnóstico adequado.
      Entretanto, ter um diagnóstico médico adequado e tê-lo questionado e ignorado pelo empregador... sem dúvida é desesperador.

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  3. É triste, muito triste "a imperícia dos peritos" e a não isenção dos "médicos do trabalho" que deveriam ser denominados de "médicos do patrão".

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    1. Realmente jlm, só temos a lamentar e lutar contra a forma como muitos profissionais não se atualizam, e outros que se prestam a tamanho desserviço ao trabalhador.
      Gratos por seu comentário!
      Volte Sempre.
      Assediados

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