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domingo, 14 de outubro de 2012

Assédio Moral e Seus Impactos no Clima Interno da Empresa


Por CELSO BAZZOLA

Embora no tema abordado neste artigo seja frequente considerar apenas os riscos trabalhistas que o ato de assédio moral pode causar, o presente texto tem como objetivo ampliar o campo de visão para empresários, executivos, gerentes, gestores, lideres e equipes, sejam eles de RH ou não, quanto aos danos psicológicos ocasionados pelo assédio moral que podem impactar diretamente nos resultados das empresas.

Nota-se que avaliar o assunto com a importância que deve ser tratada ainda é um desafio para muitos profissionais que convivem em equipes e grupos de trabalho. Este fenômeno chamado assédio moral vêm ganhando repercussão nos meios de comunicação, sindicatos, áreas jurídicas, acadêmicos e até na psicologia, demonstrando o quão é importante sua discussão.

Heinz Leymann, doutor em psicologia,  é mundialmente conhecido por seus estudos comportamentais sobre mobbing ou "assédio moral" nos locais de trabalho. Leymann define o mobbing como uma situação na qual uma pessoa ou grupo de pessoas exercem violência psicológica, sistemática, recorrente por um tempo prolongado sobre outra pessoa no local de trabalho. O objetivo dos perpetradores do mobbing seria destruir as redes de comunicação da vítima ou vítimas, sua reputação, perturbar seu trabalho e conseguir que a pessoa ou pessoas acabem abandonando o trabalho.  Os trabalhos do autor mostraram que o mobbing podia ter consequências importantes para as vítimas, como mudanças significativas no comportamento, aumento na incidência de suicídios, aumento no número de demissões, e até estresse pós-traumático.

Pesquisas recentes comportamentais e o levantamento histórico de ações trabalhistas demonstram que o assédio moral vem aumentando a cada ano com consequências negativas na qualidade e resultados das empresas. Entretanto, deve ser realizada uma análise criteriosa desses dados, pois a questão deve ser avaliada através de dois enfoques que afetam sensivelmente o ambiente de trabalho. Por um lado, esta o prejuízo financeiro causado pelas  ações trabalhistas por assédio moral e, por outro, o dano psicológico causado pela assédio moral realizado a um colega, que nada mais é que um ato de incomodar a prática dos bons costumes e tranqüilidade, que refletem diretamente no resultado e credibilidade da empresa.

Quanto aos impactos na esfera trabalhista que o assédio moral pode ocasionar, deve primeiro ser enfatizado que ele somente será caracterizado se as ações de exposição do trabalhador assediado à situação humilhante e constrangedora seja repetitiva e prolongada durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Outra característica, ainda que não definidora, é este ocorrer em relações hierárquicas autoritárias que visam desestabilizar a vitima, ou equipe, para que trabalhe excessivamente por resultados e que acaba em muitos casos na desistência ou pedido de demissão do assediado. Porém, o assédio moral não ocorre apenas de forma vertical (de cima para baixo). Ele pode ocorrer entre colegas de mesmo nível hierárquico, com as mesmas consequências para a empresa.  Também como saldo importante para a empresa é a praticada cada vez mais comum do assediado acionar um processo trabalhista contra o empregador.

Riscos trabalhistas são frequentes para uma empresa, seja pela falta de habilidade dos seus profissionais em entender os riscos, ou pela direção da empresa que não dá importância aos atos de desrespeitos entre os colegas de trabalho. Porém, mesmo parecendo inofensivos, atos de desrespeitos no ambiente de trabalho podem causar danos irreparáveis à vitima e, consequentemente, à empresa, que se torna responsável direta pelo ato.

Deve ser salientado que todas as ações trabalhistas, por assédio moral ou por outras causas, é sempre responsabilidade do empregador, mesmo que causada por um simples colaborador. A justiça entende que o empregador é o representante de todos seus empregados e estes seus prepostos  e, por isso, muitas ações já foram julgadas procedentes a favor do trabalhador assediado. Isto coloca em alerta às empresas devido aos altos custos processuais e impactos na produtividade, além de ferir sua imagem perante o mercado. É claro que ocorrem também ações inversas, nas quais o suposto assediado perdeu a causa por não ter havido comprovação da caracterização do ato, porém o risco da empresa de perder uma causa de assédio não é baixo. Portanto, realizar uma administração preventiva e responsável em relação ao assédio moral  garante para empresa maior segurança nas questões legais, o que reduz seus custos com passivos trabalhistas desnecessários, aumentando sua capacidade de investimento em ações que agregam valor a todos os stakeholders da empresa.

Em relação ao impacto psicológico do assédio moral, que é tão ou mais importante que a questão trabalhista, a análise deve considerar o respeito à dignidade humana previsto em nossa Constituição Federal. O assédio moral pode ser caracterizado como um ato de terror psicológico que afeta diretamente a saúde emocional e física da vitima. De fato, segundo especialistas, o assédio moral pode ser responsável por doenças cardíacas, depressão, gastrite, entre outros, que geram afastamentos constantes nos postos de trabalhos.

É obvio que os problemas mencionados acima afetam diretamente a produtividade laboral, causando prejuízos, embora que ocultos, nos resultados finais. Vários indicadores como o  absenteísmo causado pelos afastamentos por doença, falhas na produção, perdas de matéria prima ou retrabalhos e acidentes de trabalho, quando somados,  causam  diminuição expressiva da produtividade e o resultado final.

Entender melhor os efeitos que o assédio moral pode causar nas relações internas e externas trabalhistas da empresa torna-se fundamental para os profissionais que constantemente se relacionam com suas equipes e colegas de trabalho e, principalmente, para abordagem da área de Recursos Humanos no tema. Podemos dizer que conhecer as causas e efeitos do assédio moral ajudará no desenvolvimento das relações entre empresa, sindicato e colaboradores, além de garantir um ambiente saudável para todos. Se aproximar destas ações para entendê-las e identificá-las requer um incansável trabalho para os profissionais de Recursos Humanos. Além de servir de exemplo para toda sociedade, portar a bandeira e conduzir ações que promovam esta mudança comportamental nas empresas requer habilidade, sendo um ato de coragem e de respeito ao bem mais preciso de uma empresa: o seu colaborador.

Pelo menos duas ações podem ser tomadas pelas empresas para que seus colaboradores, em diversos níveis, busquem a maturidade, envolvimento e o comprometimento para questão, além de orientá-los de como agir e evitar atos de desrespeito e assédio que muitas vezes não são observados. Uma delas é a ação corretiva através do incentivo a denúncia e formação de comissão interna multidisciplinar e a outra é a ação preventiva com a aplicação de treinamentos comportamentais e desenvolvimento do código de ética e conduta interna da empresa, sendo demonstrado a todos o que se espera.

As questões expostas neste artigo tiveram a finalidade de alertar aos que convivem em grupos, sejam eles na empresa ou não, sobre os riscos e problemas do assédio moral. Também teve como objetivo demonstrar tendências e práticas inseridas em nossas empresas, salientando a necessidade de focar o respeito, crescimento humano, desenvolvimento empresarial e de relações trabalhistas, o que torna o ambiente de trabalho mais agradável, além do resultado empresarial final.

CELSO BAZZOLA - Consultor e professor universitário e de pôs graduação, especialista em desenvolvimento de projetos em Gestão de RH, realizando treinamentos direcionados a relações trabalhistas, legislação do trabalho e cultura e clima organizacional. Contato: celso@bazz.com.br

Fonte: ABTD

Um comentário:

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