"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Servidores/as da saúde denunciam assédio moral praticado pelo governo de Minas


Audiência pública debateu corte de ponto, perseguições de grevistas e práticas antissindical


Escrito por: Rogério Hilário, com informações da ALMG

Munidos de contracheques, cartazes, narizes de palhaço e gritando palavras de ordem, centenas de trabalhadores e trabalhadoras da saúde lotaram o auditório da Assembleia Legislativa, na quinta-feira (23/08), na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos. A reunião foi convocada por causa das denúncias de assédio moral sofrido por servidores e servidoras que aderiram à greve realizada em junho. A categoria, dirigentes do Sind-Saúde/MG e da CUT-MG questionaram os representantes do Executivo estadual sobre as perseguições a grevistas, o corte de ponto e as práticas antissindicais do governo do Estado.

De acordo com a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), Neuza Freitas, não há sequer vale-transporte para os servidores da Fundação Hospitar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).  "Os enfermeiros são responsáveis por muitos pacientes, muito mais do que o Conselho Regional de Enfermagem recomenda. Lutamos por uma redução de carga horária sem redução do salário. Queremos melhorias nas nossas condições de trabalho. Por isso, fizemos a greve. E o que recebemos em troca do governo? A Tropa de Choque na porta do João XXIII. Companheiros agredidos dentro do hospital. Demissões de contratados por telefone, sem aviso prévio, algo claramente contra a lei. Corte do ponto dos grevistas. E a possibilidade de isso prejudicar nossa avaliação de desempenho”, disse. Ela afirmou também que o fato de o governo ter repassado o reajuste de salários apenas aos médicos foi o que provocou a greve.

A presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), Beatriz Cerqueira, ressaltou que todas as afirmações feitas pelos profissionais estão devidamente documentadas, comprovadas também por meio de fotos e contracheques. “O governo trata mal o servidor público. Ele agenda reuniões para falar que tem diálogo, mas na verdade as negociações não trazem resultados efetivos. Temos uma prática antissindical no Estado. Minas Gerais é o ente federado que mais persegue seus trabalhadores. Não há respeito à Constituição, porque a greve é um direito legítimo.”

Beatriz Cerqueira lamentou, ainda, a ausência da secretária de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Renata Vilhena, e do presidente da Fhemig, Antônio Carlos de Barros Martins, no que ela chamou de “estratégia do governo”. “Retiram o primeiro escalão das negociações, para evitar desgaste. Mandam representantes que são restritos pelos cargos e que não poderão, efetivamente, fazer nada.”

Segundo o diretor do Sind-Saúde/MG Renato Barros, houve acordo do governo apenas com a Fundação Ezequiel Dias, Fhemig e Hemominas, não tendo sido discutida ainda a situação da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e da Escola de Saúde Pública. "Pedimos uma reunião para isso e ainda não fomos atendidos. Mas precisamos, acima de tudo, da reposição dos salários cortados e da suspensão das ameaças sofridas pelos grevistas. Sem isso, provavelmente iremos à greve novamente!”, alertou. Outro diretor do Sind-Saúde, Reginaldo Tomaz de Jesus, também manifestou insatisfação com o fato de as negociações com o governo não serem colocadas em prática.

O técnico de Gestão de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Victor Pereira, ressaltou o fato de que as equipes nos postos de saúde e hospitais são multidisciplinares, englobando enfermeiros, técnicos e auxiliares. “É injusto apenas os médicos terem reajuste. É muita desigualdade. E o paciente depende de todos. Como pode termos nossos direitos trabalhistas negados? Carregamos o SUS nas costas! Não há macas, não há cadeiras. E as fundações é que são beneficiadas”, desabafou.

Compromisso

A diretora central de Carreiras e Remuneração Luciana Meireles Ribeiro, que representou a secretária Renata Vilhena, assumiu o compromisso de encaminhar as reivindicações dos servidores à secretária e disse que as denúncias apresentadas são graves e a Seplag tem todo o interesse em apurar as irregularidades. Ela disse também que será publicada em breve a regulamentação da Lei Complementar 116, de 2011, que trata do assédio moral aos trabalhadores do serviço público.

O superintendente de Gestão de Pessoas em Educação da Saúde, Renato Raso, negou que servidores que tenham participado da greve estejam sendo perseguidos e afirmou que denúncias nesse sentido serão todas apuradas. Ele afirmou também que o corte no ponto realmente aconteceu e que a recomposição salarial será feita na medida em que as horas não trabalhadas forem sendo repostas. Ele ainda informou que já estão sendo discutidas propostas de alteração nas carreiras da categoria.

O vice-presidente da Fhemig, Wagner Ferreira, disse não ter conhecimento sobre as denúncias de assédio moral e colocou-se à disposição para que se chegue a uma solução pacífica e satisfatória para todos. “Vou apurar, juntamente com SES e Seplag, isso que vocês estão dizendo. Quem me conhece como servidor do João XXIII sabe que nunca me omiti. Sempre fui aberto ao diálogo.” Ele ainda assegurou que todas as denúncias de assédio moral serão respondidas pessoalmente dentro de 72 horas.

Fonte: CUT

5 comentários:

  1. Boa Tarde,

    De um modo geral, por que área da saúde é "alvo" para desenvolver esse tipo de comportamento da chefia. o Assédio Moral no trabalho abrange quase todas as áreas da saúde pelo que percebo nos relatos do blog.
    Deveria ser um ambiente "saudável" ou curativo e não ambiente doentil, em todos os sentidos......pacientes,médicos e funcionários;
    alguém pode me esclarecer?
    obrigado

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bons questionamentos Anônimo!
      Vamos ver se alguém encontra uma boa explicação para isso.
      De fato o ambiente deveria ser mesmo sudável e curativo, mas ao invés disso é terreno fértil para as mais atrozes e torturantes manifestações de assédio moral no trabalho.
      Um grande abraço
      Assediados

      Excluir
  2. Sou servidor público e estou vivendo um "inferno astral" por conta de perseguição no meu ambiente de trabalho. Estou sendo acusado de insubordinação grave em exercício sem que há provas irrefutáveis disso. Mas, por conta dos chefe mor ser muito bem relacionado e me enxergar como alvo, tudo está indicando abertura de processo disciplinar administrativo com vistas à exoneração. Como posso me defender desse tipo de assédio quando os superiores do meu superior bebem cerveja juntos final de semana. A quem apelar?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Por gentileza escreva para assediados@gmail.com nos informando em que cidade você se encontra.
      Atenciosamente
      Assediados

      Excluir
  3. Bom dia
    Aposentadoria por invalidez dentro dos trâmites normais, e ex-colegas, chefes não aceitam e continuam assediando mesmo não estando mais trabalhando há anos. Espalham sobre a vida pessoal e até seguem na rua e interferem em lugares onde o inativo frequenta, criando uma rede de intriga e jogou a sociedade contra o ex-servidor. Passando inclusive para imprensa de forma velada, pelas costas difamam e causam terrorismo psicológico. Há anos acontece isso e se houver algum questionamento deveria ser por um processo no MP que desse direito de defesa, o que não ocorre..

    ResponderExcluir