"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Relato 18 (O Retorno - parte 2)



Relato 18 - (O Retorno - Parte 1)


Nesse mesmo dia, assim que terminou a reunião, voltei ao atendimento. Recebi um caso do qual tive dúvidas quanto aos encaminhamentos a seguir, então fui procurar a responsável pelo setor. Seguindo a orientação que acabara de receber da chefe, de lhe passar TUDO, fui até a sua sala e perguntei o que fazer, visto que a responsável estava fora da unidade. Ela disse que eu ligasse para a responsável para perguntar, pois alguns casos estavam tendo encaminhamentos diferentes. Então, fui até a sala da responsável e falei com sua auxiliar que estava lá, que prontamente disse que ligaria para ela, e que esta certamente lhe daria um retorno. E assim foi. Logo a responsável retornou a ligação e sua assistente me passou o seu próprio telefone, para que eu pudesse me orientar sobre o caso em questão.


No dia seguinte comentei com alguém, que algumas pessoas estavam aparentando medo em falar  comigo e em se aproximar de mim. A pessoa sorriu e disse: acho que estão com medo mesmo. A assistente do setor “tal”  disse que ontem passou o celular para você falar com a chefe dela e por isso levou a maior bronca com a seguinte recomendação: “não faça mais isso, não passe mais o telefone pra eu falar com ela, ela está gravando tudo”.  

E como é que isto aconteceria? Com meus super poderes? Seria muito bom que eu soubesse, de fato, quando alguém vai me agredir para eu gravar mesmo. O problema é que isso teria que acontecer todo o tempo, porque sempre tem alguma coisa acontecendo. Entretanto seria muitíssimo melhor que ninguém me agredisse e permitissem que eu tivesse paz para trabalhar e desenvolver minhas atribuições.

Uma semana depois da minha chegada ocorreu o fato que a senhora mesma sabe. Para mim, não foi de fato uma surpresa a carta do Sr. “Y”, já que pouco mais de uma semana, após iniciar minha licença médica, recebi uma ligação de alguém que relatava ter ficado impressionada com o fato de uma pessoa que ela nem sabia que “gostava” de mim - já que não me era próxima -  havia me defendido diante de fala bastante agressiva a meu respeito. Contou-me que este Sr., fora até um determinado setor, e lá entabulando conversa disse: “Ainda bem que não conheci essa “pessoa” que saiu. Dizem que era o demônio. Eu soube que os meus colegas que saíram daqui, saíram por causa dela...”

A pessoa que me defendeu,  segundo soube, disse-lhe que ele não estava falando da mesma pessoa que ela conhecia, que eu não era nada daquilo que ele estava falando. Ao que ele respondeu: “Isso foi informação que veio de cima.”

O que mais chama a atenção nesse episódio é a referência feita pelo Sr. “Y” à fonte de sua informação - veio de cima -  o que provavelmente o encheu de "razão" para vários outros comportamentos desrespeitosos, e que são de seu conhecimento.

Voltando ao presente, no decorrer dos dias o comportamento dos colegas tem variado entre tentativas de me tratar de forma “normal”, sorriso amarelo, ou apenas um balançar de cabeça. Aos poucos, outras atitudes vieram  ao meu conhecimento, como no relato abaixo: 

Certo dia dei carona a uma funcionária. Quando parei para que descesse, ela me disse que precisava contar algo que ocorrera e que não havia me contado antes pois achara que eu ficaria muito magoada, mas que não podia mais esconder isso de mim.

Então ela contou que no dia em que um antigo colega fizera uma visita à unidade, uma colega minha e superiora hierárquica dela -  e porque não dizer, a "Bajuladora" - a chamara numa sala e lhe dissera que precisava falar com ela, pois ela era “muito fofinha”... e achava que ela devia saber que "não devia andar comigo, porque eu era muito falsa". Ela, a quem dei carona,  afirmou ter ficado muito indignada e disse que não atenderia o pedido, pois não tinha motivo algum para se afastar de mim. Mesmo assim, resolveu perguntar à sua chefe imediata se havia algum inconveniente em que andasse comigo - já que alguns dias antes almoçáramos juntas - ao que sua chefe respondeu que não, e quis saber por quê. Ela respondeu que não era nada, e a chefe lhe perguntou se tinha sido alguma fala da  Bajuladora, porque mais cedo esta dissera que estava “com pena” das pessoas que me estavam “paparicando”.

Após o dia em que esta pessoa almoçou comigo, surgiu o comentário em outro setor de que "devia ser ela que me mantinha informada das coisas que aconteciam durante a minha licença".

Diferentemente de sua fala no nosso ultimo encontro -  de que eu poderia ligar ou falar com os colegas quando quisesse - esta não era uma atitude muito sensata para nenhum dos colegas e todos sabem exatamente os seus motivos para isso. 

Será que as pessoas falarem comigo e ficarem felizes com a minha volta é me paparicar? O que será que ela queria dizer com isso? Será que pessoas solidárias são dignas de pena?

Durante os quase 6 anos, em que estive à frente da minha amada equipe, comprei muitas coisas para facilitar o processo de trabalho e para fazer com que a nossa sala fosse um lugar agradável para trabalhar e conviver com os outros. Muitas pessoas entravam em nossa sala e falavam de como se sentiam acolhidas lá.

Algum tempo depois que entrei de licença médica pedi a minha auxiliar, a qual já pediu demissão, que fosse até a minha sala e pegasse coisas de maior valor afetivo e monetário, como aquecedor de ambiente e álbuns de fotografia das nossas atividades. Ela achou por bem avisar a gerente que estaria retirando coisas minhas para evitar uma má interpretação caso a vissem retirando coisas de lá. Foi quando ouviu da gerente: “É bom mesmo, assim ela não volta mais aqui.”


Nem tudo destas coisas relatadas foram passadas à gerente por questões bastante óbvias, e no entanto achei melhor escrever à senhora, para que não sejamos todos pegos de surpresa por situações desagradáveis em que eu ainda tenha que ouvir que não falei nada para ninguém.

Estes relatos mostram ações de difamação com objetivos claros para que as pessoas se afastem de mim, tentando fazer do meu convívio com os colegas algo, de fato, muito difícil, além de me desqualificar profissionalmente e atingir a minha integridade.

Reafirmo, no entanto, que apesar de tudo isso desejo continuar com o meu trabalho, se não na minha equipe, ao menos na minha unidade de origem. 

Mais uma vez, grata pela atenção dispensada, desculpo-me pelo tamanho da carta, mas provavelmente terei que lhe fazer outras periodicamente.

Sra. X

P.S. Assediados

Os relatos aqui postados nem sempre são publicados em sequência. Atendendo a pedidos recebidos em forma de comentário e e-mails, estamos acrescentando os links do mesmo caso.

1. http://www.assediados.com/2011/09/relato-1.html
2. http://www.assediados.com/2011/09/relato-2.html
3. http://www.assediados.com/2011/09/relato-3.html
4. http://www.assediados.com/2011/09/relato-5.html
5. http://www.assediados.com/2011/09/relato-8.html
6. http://www.assediados.com/2011/09/relato-11-denuncia.html
7.http://www.assediados.com/2011/10/relato-12-reuniao-apos-denuncia.html
8.http://www.assediados.com/2011/10/relato-13-passando-pelo-medico-do.html
9.http://www.assediados.com/2011/10/relato-15-ouvidoria.html
10.http://www.assediados.com/2011/10/reuniao-com-direcao.html
11.http://www.assediados.com/2011/10/apuracao-mambembe.html
12.http://www.assediados.com/2011/10/relato-17-liberacao-para-o-retorno.html
13.http://www.assediados.com/2011/10/relato-18-o-retorno-parte-1.html

6 comentários:

  1. Cara Colega

    que você é competente e está sendo injustiçada já sabemos , mas até quando você aguentar isso? joga no ventilador , processa todo mundo vai ser feliz se cuida , eles querem te ver morta??? é isso? mas eles morrem de inveja de você. Vai fazer outra coisa ou a mesma coisa em outro lugar. Aliás você trabalha no BUTANTÃ? essas cobras estão em extinção , aguarda e verás.
    não se desgasta não vale a pena, sou uma vítima também de assédio o trabalho, e descobri que não vale pena perder tempo com essas pessoas fracassadas em uma empresa falida eu sou mais e me garanto, mudei de empresa e fiquei mais esperta. Sabia que é ótimo recomeçar????
    Bjs e estou torcendo por você

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    1. Cara Anônima,
      Estamos felizes por você que já conseguiu recomeçar. Nem todos estão no mesmo "time", muitas vezes o tempo de exposição a agentes nocivos causam sequelas permanentes.
      Entretanto assim como você também torcemos por todos que dividem conosco as suas dores.
      Gratos por sua participação e não perca as próximas histórias.
      Um grande abraço
      Assediados

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  2. BOM DIA

    GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE ESTE RELATO , PELO QUE PERCEBÍ , INICIOU-SE O RELATO O ANO PASSADO? COMO FAÇO PARA SABER DESDE O COMEÇO? FIQUEI PROCURANDO MAS FICOU DIFÍCIL JUNTAR TUDO TEM COMO FACILITAR?
    MAS O POUCO QUE LÍ , PERCEBÍ QUE A PERSEGUIÇÃO ESTÁ "ACIRRADA" !

    BJS

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    1. Atendendo ao seu pedido acrescentamos os links para os relatos anteriores da mesma história.
      Esperamos que facilite a compreensão do caso.
      Um abraço
      Assediados

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  3. Que bom que vocês colocaram os links com o começo da história, porque pra quem estava chegando agora tava dificil pegar o fio. Mas é muita loucura tudo isso, muito sofrimento esse isolamento com a coitada doente.
    O pior é que a coitada tá pedindo socorro faz tempo.
    Vamos esperar por mais detalhes e tomara que não demore tanto. E por falar nisso, porque será que demorou tanto da parte 1 pra 2?
    Curiosa...

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  4. Seja bem vinda "Anônima".
    A sua percepção é bastante real quanto a dificuldade de compreensão com os Relatos espalhados ao longo de muito tempo. Por isso atendendo a pedidos acrescentamos os links.
    Quanto a sua "curiosidade", são muitos os motivos que fazem um assediado dar uma parada nos seus relatos.
    Vamos esperar.
    Abraço e volte sempre.
    Assediados

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