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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ponto de Vista

Por Erika Maeoka

O assédio moral é uma violência de extrema sutileza e de difícil identificação. Assim sendo, o laudo conclusivo que investiga as causas do desequilíbrio relacional entre os componentes de um determinado ambiente de trabalho, mesmo efetuado numa repartição em que é recorrente o assédio moral, pode resultar na constatação da ausência desse tipo de conflito. Além disso, pode ainda indicar a vítima como sendo o único problema ou até mesmo reconhecer o próprio agressor como sendo a única vítima. 

Tais circunstâncias trazem reflexões sobre os motivos que levam a resultados tão surpreendentes e evidenciam os resultados obtidos por meio de avaliações que apenas retratam a realidade distorcida pelo assediador. A elevada capacidade dissimulativa do assediador é um elemento agravante que torna imperceptível sua conduta inadequada no ambiente laboral e, somada à utilização de técnicas de torturas psicológica, leva a vítima a se comportar de modo indevido. 

Essa manobra que permite a adulteração dos fatos pode induzir até mesmo os responsáveis pela avaliação da situação a concluírem, equivocadamente, que existe apenas incompatibilidade de relacionamento e, termina por apontar a própria vítima como a causadora de todos os embaraços. Quando na realidade, as agressões psicológicas inaudíveis são o que conduz a vítima a tomar atitudes defensivas, que a fazem parecer cada vez mais néscia e com aparentes distúrbios comportamentais. 

Desse modo, o laudo técnico além de excluir a existência do assédio moral, somente detecta a ponta do iceberg, ou seja, a única conduta aparentemente reprovável que é a postura defensiva da assediada. Assim, as manobras ocultas orquestradas pelo assediador que causam o comportamento desordenado da verdadeira pessoa agredida não são trazidas à tona. Essa situação ainda pode ser mais inconcebível, quando a talentosa astúcia do assediador consegue engendrar uma situação inversa na qual de agressor passa-se à posição de vítima e a vítima, por sua vez, passa a ser acusada de ser a agressora. Portanto, nota-se que o exame dos incidentes no ambiente de trabalhado pode resultar em diagnóstico desvirtuado, que permite a consolidação da situação de violência e de injustiça. 

A conclusão a que se chega é a de que, nem sempre, o diagnóstico elaborado por uma equipe especializada consegue apontar a presença do terrorismo psicológico. Com efeito, alerta-se que, quando existirem indícios da prática do assédio, é necessário efetuar uma investigação pormenorizada que constate além das primeiras evidências. De modo que o método de avaliação permita chegar à origem do problema e possibilite desvelar a violência invisível inerente ao assédio moral, que é sutilmente camuflada pela engenhosa capacidade de mascarar as atitudes do agressor.

*Erika Maeoka é servidora pública federal no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região.

Fonte: GAZETA DO POVO

2 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo.
    Coloquei o mesmo em
    http://senaiblu.blogspot.com.br/2012/08/ponto-de-vista-um-artigo-do-blog.html
    Confira!
    Um forte abraço,
    Jorge Purgly

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  2. Gratos por seu apoio e divulgação.
    Um abraço
    Assediados

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