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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Banqueiros se negam a discutir assédio moral, metas e reabilitação

A negociação sobre saúde e condições de trabalho realizada na última quarta-feira, dia 08, entre o Comando Nacional e a Fenaban não teve nenhum resultado objetivo. A melhor resposta que os banqueiros deram foi de que vão apreciar a questão do programa de reabilitação e dar um retorno ainda nesta campanha salarial. Sobre metas e assédio moral, os patrões nem quiseram discutir.


Os bancários começaram cobrando que os bancos adotem o Programa de Reabilitação que já está na CCT desde 2009 (cláusula 43 na CCT 2011) e, até hoje, não foi implementado por nenhum banco. O programa prevê a readaptação do funcionário/a que ficou afastado por doença ou acidente de trabalho e especifica uma série de medidas que devem ser adotadas para que ele/a possa retornar ao trabalho sem prejudicar sua recuperação ou agravar sua condição. “Como a adesão é voluntária, os bancos, voluntariamente, resolveram não aderir. Já são três anos de vigência, estamos caminhando para a assinatura da quarta CCT com esta cláusula, e nada foi feito. E a Fenaban ainda fugiu da discussão, tentando remeter a questão à mesa temática de Saúde e Condições de Trabalho. Mas cláusulas que já estão na convenção têm que ser discutidas na Campanha Salarial, não em mesa temática. Como insistimos neste problema, os banqueiros ficaram de debater entre eles e dar um retorno ao Comando Nacional até o final das negociações”, relata Nilton Damião Esperança, representante da Federação no Comando.


Que meta?


A metas abusivas, que aterrorizam os bancários no dia a dia, não assustam os banqueiros. A minuta de reivindicações deste ano inclui a questão na cláusula 69, que resume como os bancários entendem que as metas devem ser estabelecidas. A cláusula especifica, entre outros pontos, que as metas deverão ser estritamente coletivas, adequadas ao porte da agência e reduzidas em caso de férias, afastamento por doença e ausências diversas do empregado. Esta cláusula também determina a proibição da publicação de ranking de resultados individuais – item que já foi incorporado à CCT em 2011, na cláusula 35.


Mas os banqueiros não aceitam discutir o assunto, alegando que as metas não são abusivas, mas desafiadoras. Para os patrões, não há nenhum problema em cobrar objetivos de vendas de produtos que não consideram as características das agências, nem o cargo que cada bancário ocupa. “A resposta da Fenaban não poderia ser pior. Eles disseram que não vão, nem têm a intenção de discutir este assunto com os representantes dos bancários, porque a definição de metas é uma atribuição dos bancos. Para eles, trata-se de um modelo de gestão empresarial que o sistema financeiro adotou e que estabelecê-las e cobrá-las, seja lá de que maneira, é normal. Também disseram que é normal que o cumprimento de metas seja usado como critério para promoções e outras vantagens. Mas, ora, então por que temos tantos casos de bancários que batem metas e continuam sendo cobrados, punidos e até demitidos?”, pondera Nilton.


Que assédio?


Outra situação que os banqueiros não admitem é que o assédio moral, largamente praticado por gestores, superintendentes e até executivos, seja uma prática organizacional. “Os bancos insistem em dizer que se trata de um desvio de conduta deste ou daquele gestor, que não segue as orientações e não consegue dialogar com sua equipe para manter um bom ambiente de trabalho. Mas todo mundo sabe que o assédio moral é uma prática de gestão, tanto é que acontece de cima para baixo desde o diretor até o escriturário”, argumenta o dirigente.


Esta visão dos sindicalistas a respeito do assédio moral não é especulação. Estudos sobre conflitos no ambiente de trabalho apontam que a violência é inerente às organizações e que as empresas se beneficiam– das práticas abusivas de cobrança – e, por isso, estimulam. Em entrevista concedida à reportagem da Federação em março de 2011, a Dra. Teresinha Martins, psicóloga e especialista em assédio moral, aponta que até mesmo os processos seletivos consideram a tendência dos candidatos a se utilizarem de práticas de assedio moral. “Por exemplo, um chefe chamado, como as pessoas falam, de psicopata, aquele sádico, que gosta do sofrimento alheio. Na minha concepção a empresa o escolheu exatamente por isso para o cargo de chefia. É uma pessoa com X características para tocar esta política, porque se desse para alguém diferente, esta pessoa se recusaria. Então, a possibilidade primeira é de que tenha sido escolhido exatamente por isso”, esclarece a psicóloga. (Reveja aqui a entrevista). 


Mas estudos e análises não são suficientes para convencer os banqueiros. “Os bancos dizem que o problema é pontual e que, quando um gestor se excede, isso é iniciativa individual dele. E acrescentaram que, quando fica claro que um gerente ou superintendente está assediando seus subordinados, ele é punido e pode ser até substituído. Mas o que vemos é que os assediadores são transferidos de agência ou de região, e voltam a causar problemas em seu novo local de lotação. É muito fácil transferir o problema. Mas dar uma solução, que é o que os bancários precisam, eles não aceitam nem discutir”, pondera o dirigente.


Uma das práticas que mais provoca sofrimento aos bancários é a divulgação pública de rankings de desempenho individual nas agências. Mesmo com a proibição desta prática conquistada na CCT de 2011, os bancos continuam mantendo o velho hábito. Denúncias chegam a todo momento aos sindicatos, mas sempre anonimamente, já que os bancários têm medo de sofrer represálias. “Ora, se não houvesse assédio e as atitudes dos patrões fossem tão exemplares e suficientes, os bancários não teriam tanto medo de denunciar.


Outra questão levantada pelos bancários neste tema foi a necessidade de revisão do Acordo Adicional de Prevenção de Conflitos no Local de Trabalho, conhecido como Acordo do Assédio Moral. Na opinião dos sindicalistas, como está, o instrumento ainda é vago e precisa ser revisto para se tornar realmente eficiente no combate ao assédio.


Continuação


A discussão sobre as cláusulas referentes a saúde e condições de trabalho será retomada na próxima rodada, que tem reuniões marcadas para os dias 15 e 16. Também nestas datas serão debatidas as reivindicações sobre segurança bancária, igualdade de oportunidades e remuneração.


Na véspera da próxima rodada, o Comando Nacional se reúne na sede da Contraf CUT para se preparar para as discussões.


Fonte:FEEB-RJ/ES 

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