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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Médica queixa-se de assédio moral

Por Liliana Garcia


Foi há dois anos que Fernanda Ferrão, médica anestesista no Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede (Portugal), começou a sentir-se 'perseguida' por parte do conselho de administração (CA) da altura.
Tudo começou com a instauração de um processo disciplinar por não ter assinado uma folha de alta dos doentes – alta da qual não lhe foi dado conhecimento, sendo que costumava ser apenas o cirurgião a assinar a folha.

O processo disciplinar acabou arquivado por falta de provas. Mas iniciou-se aí o desgaste psicológico que levou a anestesista a tomar medidas. «Apresentei queixa à Ordem dos Médicos (OM) e ao Sindicato Independente dos Médicos (SIM), e vou levar isto para tribunal», conta ao SOL. «Na próxima semana, dará entrada no tribunal a queixa por discriminação e assédio psicológico», revela.

Fernanda Ferrão diz que a situação a perturbou de tal forma que teve de recorrer a uma consulta de psiquiatria, tendo sido medicada e atribuída baixa.

Para trás ficavam vários episódios, como o indeferimento de pedidos de férias. Após terminar a baixa e durante algum tempo, a anestesista – que está no quadro daquele hospital há 12 anos – não tinha doentes agendados para consulta. Isto «enquanto uma anestesista contratada fazia o meu trabalho» , lembra. A direcção clínica da altura comunicou-lhe ainda que deixaria de ser necessária no bloco, devendo cumprir o horário na consulta externa, quando o seu horário era somente de bloco.

A situação de Fernanda Ferrão só mudou com a entrada do novo CA, há duas semanas: «Todos os problemas ficaram resolvidos». O actual presidente do CA do hospital não quis comentar o caso.

Em Portugal, segundo os sindicatos médicos, este tipo de queixa não é frequente. «É difícil quantificar as situações porque as pessoas têm dificuldade em reagir frontalmente e em apresentar queixa», referiu ao SOL Mário Jorge Neves, da FNAM. Mas, segundo André Biscaia, médico que fez um estudo sobre a violência contra os profissionais de saúde no local de trabalho, «calcula-se que cerca de 50% dos profissionais de saúde sofram pelo menos um episódio de violência física ou psicológica em cada ano».

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) está precisamente a desenvolver uma campanha que abrange mais de 200 instituições do sector da saúde. Trata-se da Campanha de Avaliação de Riscos Psicossociais, iniciativa que envolve 27 Estados-membros e que ocorre numa altura em que se verifica um aumento no número de autos de notícia levantados pela ACT, de assédio no local de trabalho em geral (assédio moral, sexual e violação do dever de ocupação efectiva dos trabalhadores). Em 2011, registaram-se 140 autos, face a 79 em 2010 e 77 em 2009.

liliana.garcia@sol.pt

Fonte: Sol

17 comentários:

  1. É triste, mas assédio moral não escolhe raça, sexo, profissão,classe social ou nacionalidade.Infelizmente pode estar presente em todos os lugares.
    Acho que importante mesmo é que todos conheçam bem do assunto pra poder se defender.
    Parabéns pelo blog.

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    1. Caro Anônimo,
      você está corretíssimo quando aponta que assédio moral não escolhe "raça, sexo, profissão...".
      A grande verdade é que as pessoas, mesmo com bons níveis sociais e culturais, muitas vezes demoram pra perceber e admitir que estão sendo vítimas de assédio moral. Reconhecer é o primeiro passo para se defender.
      Gratos por sua presença e comentário.
      Volte sempre!
      Assediados

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  2. Será que esta médica não é doente de longa data?

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    1. Bom dia Anônimo,
      Seu questionamento é de fato interessante e certamente passa pela cabeça de muitos.
      Compreender o que é assédio moral e como ele se instala infelizmente é tema de interesse de poucos. Acabamos por nos interessarmos quando nós mesmos ou pessoas próximas a nós se tornam vítimas. Dai descobrimos um mundo novo e desconhecido, recheado de muito sofrimento e dor.
      O assédio moral desencadeia doenças e agrava outras pré existentes.
      Infelizmente é fato, e muito mais comum do que possa parecer.
      Gratos por sua participação.
      Não deixe de voltar!
      Assediados

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  3. Assediados!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  4. Apresentar uma queixa nestes termos, não é normal, nem me parece verdadeiro!... Além disso, apresentar queixa nestes termos é sempre uma bela forma de se fazer notar e de fugir ao trabalho!!!!!!!

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  5. tenho duvidas sobre o que diz esta médica. Assedia moral e pisicologicamente. Gente: dizem que a Senhora só trabalhava 3 dias pos semana e parece que gostava de fazer "pontes". errou a formatura. podia ser enginheira de pontes não era.

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  6. Caras: quantos dias úteis a Senhora Doutora Trabalhou nestes 6 meses.a trabalhar tão pouco, ainda tinha tempo para pensar nesta coisa mistério assedio moral psicologico, que tãtanta gente fala, mas que ninguem sabe do que fala. nó meu pais - Brasil, todos os caras tem opinião - mas estamos na américa do sul e o calor acerera a coisa, mais em portugal, pais do primeiro mundo, caras nem digo nada. Alguem conhece bem o hospital e a Doutora? então falem e defendam a verdade. Anonimos unidos exerçam a vossa liverdade mas com coidado - o emprego começa a ser raro. É muita bobagem junta - expliquem bem a coisa porque ja sabe que não cheira bem, a Lisboa

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  7. o Cara que me antecede tem que estudar mais um pouco de portuguesa. Apesar de ser macarrónico não posso deixar de concordar com algumas coisas, nomeadamente a questão da produtividade. Será que o tal conselho colocou a Senhora Dra. A justificar o seu vencimento e esta se sentiu assediada. Pensando melhor coordenar uma equipa e exigir que se trabalhe, tambbém não pode ser considerado assédio. Dito de outra forma: - voçês têm capacidade para no v/ periodo de trabalho produzirem mais e voçes sabem que eu sei que podem fazer produzir mais. Então aceitem carinhosamente o meu assedio pssicologico podermos atingir aquilo que os outros esperam de vós e que sabem que o conseguem.

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  8. Os autores deste blog deviam ter vergonha em abrir um debate sobre uma assunto deste tipo apenas porque uma médica, presumivelmente que se mexe bem na comunicação social, ludibiou-vos e levou-vos a abrir o debate. tratar o assunto em abstrato, até aceito. Já repararam que nada disto está provado. Só uma parte falou deste assunto. E a outra! já emitiu opinião.já lhes deram tempos de antena? Não quero pensar sequer que tudo isto seja obra seja obra da suposta assediada, isso sim, seria de muito mau gosto.

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    1. Efectivamente é verdade, já li algumas noticias sobre isto e só se dá tempo de antena à suposta médica, Já pensaram que talvez esta fulana também tenha pago uns jantares à comunicação social para ter direito a umas noticias de jornal e assim ser falada? É que ele há gente para tudo!... pelos comentários anteriores, parece que o que a mulher não gosta é mesmo de trabalhar!...

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    2. Olá,boa noite gostaria de salientar que o assedio moral é um tema delicado e só percetivel a quem passa ou já passou por situações semelhantes.Não é de todo uma mais valia para o desempenho e produtividade de alguém estar constantemente a ser sujeito a situações de humilhação pura e constrangimentos.Infelizmente tambem eu sei o que isso é,trabalho no ramo da educação há cerca de 22 anos e desde ha 4 que vivo um clima de terror .

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    3. Boa tarde.
      Hoje, casualmente enquanto passeava pela net, dei de caras com este blog e, mais concretamente, com estes comentários todos sobre a minha pessoa.
      É verdade!
      EU SOU A MÉDICA DE QUEM SE FALA NESTA NOTICIA.
      O meu nome é Fernanda Ferrão, sou Anestesiologista, tenho 53 anos e, neste momento, continuo no mesmo Hospital, trabalho sem qualquer tipo de problema, sou diretora da Cirurgia de Ambulatório e sub- Diretora Clínica da instituição. Quem já cá não está são os assediadores!
      Não sei se esta informação terá algum tipo de significado para alguns dos anónimos que pareciam conhecer tão bem a minha situação e que até sabiam que o que eu não queria era trabalhar!
      O assédio moral é das situações mais ingratas que alguém pode viver. Por vezes chegamos a duvidar de nós próprios. Eu cheguei a pensar que, se calhar, era eu que estava a ver mal as coisas, que estava com a mania da perseguição... Felizmente sempre tive uma excelente sanidade mental e tenho, por sorte, uma rede de apoio que me segurou as pontas naquela altura em que me senti mais frágil.
      Neste momento há vários processos nas autoridades de saúde contra esse Conselho de Administração e eu sou acusada de difamação, em tribunal, por eles. São minhas testemunhas neste processo, inúmeros funcionários do meu hospital (de várias classes profissionais), representantes da Ordem dos Médicos, psicólogos, entre outros.
      Espero que este meu testemunho possa ser útil a alguém e gostaria que se desfizessem as confusões: eu sempre trabalhei e trabalho com prazer. Só não permito que me ponham as patas em cima e acho que NINGUÉM devia permitir!

      Fernanda Ferrão, médica anestesiologista, cédula profissional nº 34934 da O. Médicos (Portugal), C. C. 5526764

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  9. Bem, agradecemos a todos por suas participações e comentários.
    O tema assédio moral merece de fato nossa atenção e indignação.
    O blog assediados é um espaço de relato de casos e de reprodução de artigos e publicações do Brasil e do mundo.
    Se os nossos anônimos derem uma "voltinha" pelo nosso blog verão que o nosso interesse é pelo tema "Assédio Moral no Trabalho" independente da classe social, sexo ou profissão dos envolvidos. Então não vemos porque deveríamos nos envergonhar. Muito pelo contrário, nos orgulhamos do nosso trabalho e da nossa busca constante por respostas e caminhos.
    Muitas pessoas sofrem assédio moral e sequer sabem que estão sendo vitimizadas.
    Se a tal médica fez algo que merece punição, pois então que punam. Para isso existe advertência, suspensão e até demissão. Mas nada justifica que mesmo um mau funcionário seja tratado com desrespeito e perseguição.
    O assédio moral deixa de ser "abstrato" a partir do momento que causa dor, sofrimento e doenças físicas e mentais.
    Continuaremos por aqui e esperamos que vocês também!
    Até mais.
    Assediados

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    1. Cara "Assediados" é verdade nada justifica que mesmo um mau funcionário seja tratado com desrespeito e perseguição.
      O Problema é quando as pessoas se queixam só para chamar atenção e manipular a atenção da opinião publica, como parece ser o caso. Ao que parece esta Senhora é perita no assunto e bastante conhecida nos meandros onde se move!... o que é lamentável é que ainda haja alguém que valorize a situação!...

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    2. Se queixam, sem motivos, inventando situações que efectivamente não existem!...

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  10. Consta-me que Portugal tem uma das mais avançadas legislações trabalhistas para inibir e punir as práticas de Assédio Moral no Trabalho (AMT, invejável pelos trabalhadores brasileiros. Consta de literatura sobre mobbing que a categoria de profissionais de saúde - de modo particular, a dos médicos - mantém práticas ritualísticas de humilhação, menosprezo, desqualificação, agressão física aos novatos, excesso de trabalho aos residentes etc. No Brasil têm sido corrente rituais de ingresso (trotes) que culminam em sérios danos, incluindo a morte. Não é comum encontrar uma escola para residência que não pratique algum tipo de abuso físico e/ou moral em relação aos recém-formados. Evitarei citar nomes para não causar constrangimentos. Com um histórico dessa ordem é pouco provável que uma médica anestesiologista esteja a blefar.

    Este espaço cumpre seu elogiável papel de colocar em pauta a liberdade de manifestação de diversas posições. O AMT é uma realidade. No caso em questão,cabe à instância judiciária da reclamante julgar as provas a serem apresentadas. Por fim, inibir a expressão de quem se sente/esteve assediado é forma manifesta de prática de assédio.

    A reação do anonimato se assemelha à prática corrente do cerco.

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