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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ponto de Vista

A violência psicológica, embora seja menos evidenciada, apresenta índices tão alarmantes quanto a violência física, de modo que o problema do assédio moral tem estruturas profundas e, em razão de sua progressão ascendente, foi eleito como “a praga do século XXI nas relações de trabalho”. O resultado dessa prática dá-se pela fragmentação e pela aniquilação do trabalhador, por meio das contínuas torturas psicológicas, que consomem gradativamente a saúde física e psíquica do indivíduo, que em algumas situações levam até mesmo ao suicídio. 

Ao contrário da violência física, a percepção da agressão psicológica quanto ao nível de incidência, à extensão do dano, ao coeficiente de gravidade e ao nexo causal entre as condutas e as consequências danosas não são nítidas, fato que torna mais árdua a constatação e a solução do problema. 

A característica que marca esse tipo de violência é a sua difícil identificação e comprovação, pois o assédio moral oculta as suas verdadeiras intenções em meio aos atos camuflados e astuciosos. Por isso, trata-se de um “crime limpo”, que não deixa impressões, o que torna o ônus da prova tortuoso para as vítimas. Assim, a ausência de sinais visíveis que gera a dificuldade probatória, tem como efeito a resignação das vítimas diante das agressões, que continuam sofrendo as consequências da violência em silêncio. Essa situação termina por perpetuar a ausência de repreensão dos assediadores, que constitui um dos fatores que contribuem e incentivam os abusivos, pois a impunidade é o alicerce para as novas, repetidas e crônicas práticas delituosas. 

Destarte, verifica-se que o assédio moral é uma perversidade oculta, que se dissemina sorrateiramente no ambiente de trabalho sem deixar rastros aparentes da destruição que causa na vida dos trabalhadores, pois permite aos algozes, munidos pela invisibilidade de suas condutas, a garantia da impunidade, molestarem de modo permanente e covarde os seus alvos. O alerta sobre a dimensão da questão, que é vista como a praga do século XXI, indica que é necessário redobrar a atenção, devido à sutileza das circunstâncias, quando os fatos apontarem os indícios da existência da prática e fortalecer os meios de punir eficazmente os agressores. 

Nota-se que o cenário dos abusos exige que os mecanismos de combate à prática sejam efetivamente implementados, a questão amplamente difundida, debatida e enfrentada. Além disso, que haja um cuidado e um interesse maior por parte das instituições públicas e da sociedade, no intuito de inibir esse fenômeno, combatendo o incessante aumento das vítimas que têm sua integridade física e psíquica afetadas, sob o manto da impunidade crônica, da injustiça, da indiferença e do silêncio.

*Erika Maeoka é servidora pública federal em Londrina.

Fonte: Jornal de Londrina

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