"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Assédio Moral e o serviço público municipal de Osasco

Sem a intenção de esgotar o assunto, mas trazendo ao conhecimento um trabalho desenvolvido sobre assédio moral no serviço público, de autoria de Inácio Vacchiano, acredito poder contribuir, diante dos atos de assédio moral enfrentados no ambiente escolar de Osasco.

 A finalidade do assediador, entre outras, é  mudar a forma de proceder do trabalhador em relação a algum assunto, como apoio a algum movimento reivindicatório que esteja em andamento.

O objetivo principal do assédio moral é a exclusão da vítima, seja pela pressão deliberada da empresa para que o empregado se demita, aposente-se precocemente ou ainda obtenha licença para tratamento de saúde.

O assédio moral é um verdadeiro atentado contra a dignidade psíquica, numa forma que se assemelha a terrorismo, por expor o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, capazes de causar ofensa à personalidade, à dignidade ou à integridade psíquica.

A gestão de resultados, máxima eficiência com menor custo e investimento, tem gerado e multiplicado as situações de assédio. Como querem que em Osasco se trabalhe com a máxima eficiência se os professores municipais têm aumentado cada vez a sua jornada de trabalho?  

O próprio Parlamento europeu reconheceu que a forma como a empresa busca o resultado final do trabalho, pretendendo alcançar a eficiência não estiver bem equilibrada em termos de tempo, de espaço e de investimento (tempo da tarefa, ambiente físico de trabalho, programas de atualização, promoção e acesso, ou seja, motivação), o resultado desejado não será atingido, ocorrendo aumento de absentismo, falta de produtividade, etc.

Quem sofre assédio moral, em geral é: inteligente, competente, pessoa que não aceita insultos, pessoa crítica.

O assédio moral vindo do superior em relação a um trabalhador pode acarretar mudanças negativas também no comportamento dos demais trabalhadores, que passam a isolar o assediado, pensando em afastar-se dele para proteger seu próprio emprego ou gratificação, e até reproduzindo as condutas do agressor.

 Isso acontece porque o assediador ataca os laços afetivos entre os trabalhadores, como forma de facilitar a manipulação e dificultar a troca de informações e a solidariedade.

As formas de atuação do agressor geralmente é feita de forma sutil, assim como a vítima começa a perceber já está instalado o assédio moral.

Podem ocorrer:  advertências devido a requisição de direitos; carga de trabalho excessiva;  críticas contínuas de seus atos; comentários maliciosos;

O assédio moral no serviço público tem algumas razões em suas existência: falta de preparo de alguns chefes imediatos; pura perseguição a um determinado indivíduo;  chefias por indicação de laços de amizade;  nepotismo direto ou cruzado; cobiça por situação financeira; acomodação de acordo com a sua situação funcional.

Há também a situação em que o chefe nunca age diretamente, mas sempre a partir de um terceiro de forma que sua imagem “de bom” seja preservada .

Hoje em Osasco estamos vivendo uma tentativa de intimidação coletiva, que procurar inibir o comportamento  do servidor público que ousa contestar o que o prefeito de Osasco apresenta como verdade absoluta.

Não se deixa de executar o trabalho pedagógico nas escolas, apenas os servidores estão se reservando ao direito de não participar de atividades politiqueiras que servem para apresentar uma realidade das escolas que não é verdadeira, pois estas mesmas pessoas críticas que hoje estão questionando a falta de um salário adequado na cidade de Osasco, contesta sim, pois não quer engrossar a quantidade de professores e demais profissionais de Educação que deixaram a cidade de Osasco nestes últimos 8 anos, em busca de melhores salários para a sua sobrevivência.

É legitima a contestação do servidor público frente às condições de trabalho que ele  alguém que tem o dever de defender os interesses do ente estatal

Ser punido pela reivindicação dos direitos que sejam cumpridos?

Estão ocorrendo atrasos por conta de convocação para participar de Cursos de Formação que são no mínimo duvidosos. Há casos ainda em que o servidor de Osasco está recebendo falta, pois como o tempo para deslocamento do centro de formação para a escola é insuficiente, este professore está recebendo falta em parte do seu horário de trabalho, mas é dito que ele tem que cumprir o horário, se caracterizando assim caso de assédio moral.

Os procedimentos diante dos problemas que se caracterizam como assédio moral, devem:

a) ser anotados, fazendo-se  um registro diário e detalhado do dia-a-dia do trabalho, procurando, ao máximo, coletar e guardar provas do assédio (bilhetes do assediador, documentos que mostrem o repasse de tarefas impossíveis de serem cumpridas ou inúteis, documentos que provem a perda de vantagens ou de postos, etc.);

b) procurar conversar com o agressor sempre na presença de testemunhas, como um colega de confiança ou mesmo um integrante do sindicato;

c) reforçar a solidariedade no local de trabalho, como forma de coibir o agressor, criando uma rede de resistência às condutas de assédio moral;

d) exigir explicações do agressor por escrito, enviando carta ao departamento de recursos humanos do órgão, guardando sempre comprovante do envio e da possível resposta.

f) simultaneamente é necessário procurar o sindicato, que pode contribuir nessas situações, através da busca da solução do conflito e da prevenção de novas situações dessa espécie.

g) se isso não resolver o problema, deve-se passar a uma próxima etapa: com o apoio familiar, apoio médico – de psicólogos ou psiquiatras, procurar orientação  jurídica junto aos sindicatos da categoria, para denunciar a situação de assédio moral no Poder Judiciário.

Quem pratica o assédio moral pode ser responsabilizado na esfera civil (indenização por danos materiais e morais) e administrativa/laboral (desde a advertência até a demissão).

O assediador mata devagar, como uma doença que consome aos poucos, assim, causa tanto sofrimento quanto um torturador pode fazê-lo.  O assediador destrói a pessoa por dentro e por fora.

Por isso, o assédio moral  não pode ser aceito em hipótese alguma.

Muitas vezes, como um mecanismo de defesa diante de um sentimento de impotência, procuramos evitamos prestar atenção às informações acerca da situação por que passam algumas pessoas.

Oferecer apoio,como solidariedade no ambiente de trabalho inclui testemunhar a conduta de assédio moral praticado contra o outro colega de trabalho, fugindo-se da rede de silêncio da conivência.Quem hoje é testemunha, em outra ocasião pode estar na situação de vítima do assédio.

Exigir o tratamento respeitoso no ambiente de trabalho é um imperativo para o combate ao assédio moral.

O texto ficou grande, mas acredito que é preciso se ter claro que a luta a que nos propusemos é necessária e nos fará ainda mais fortes.

NÃO DÁ PARA ENGOLIR!

Fonte: Professora Marcia Tavares

Nenhum comentário:

Postar um comentário