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terça-feira, 1 de maio de 2012

Marie-France Hirigoyen, uma das principais especialistas do mundo em assédio moral, lota plenário do TRT4 em Porto Alegre



Des. Denis apresentou a palestrante
Assédio moral no trabalho é uma mazela social no âmbito profissional, sutil e velada, que ainda gera dúvidas. Entretanto, seus efeitos nefastos tem sido sentido por aqueles profissionais que ainda não tem uma noção de como enfrentá-lo, e, de como procurar os seus direitos no Poder Judiciário. Entretanto, na esteira dos problemas de tipificação, despreparo de agentes da lei e dificuldade de produzir provas,  cresce no país jurisprudência a respeito na Justiça do Trabalho, e, aumenta o número de casos ganhos!

Para ajudar a desvelar um pouco esse mal deliberado, intencional, agressivo, sutil e hostil de como detonar um colega de trabalho, compartilho alguns registros da palestra realizada por uma das maiores especialista no assunto, a psiquiatra, psicanalista, psicoterapeuta familiar e professora da Universidade de Paris, Marie-France Hirigoyen, que deu uma conferência à convite do Tribunal Regional do Trabalho, da 4ª Região, no dia 20 de abril, em Porto Alegre. Os parágrafos abaixo são transcrição de parte do conteúdo de uma notícia do evento:

Em sua conferência, a especialista explicou que o assédio moral insere-se no grupo dos chamados riscos psicossociais. Ela elaborou uma definição própria sobre o assunto, segundo a qual o assédio moral constitui-se em estratégias ou comportamentos perversos que visam ao ponto fraco de uma pessoa e com o objetivo desestabilizá-la. Trata-se de uma agressão sutil e progressiva, muito difícil de provar e favorecida pela solidão da vítima e apoio social precário. De acordo com a psiquiatra, o assédio moral forma-se a partir de três componentes: o agressor, o alvo e o contexto em que a prática ocorre.

Conforme a psicanalista, existem quatro tipos de condutas hostis caracterizadoras de assédio moral. A primeira consiste em pequenas agressões reiteradas, cujo acúmulo causa o trauma. A francesa recorreu a um exemplo oferecido por Santo Agostinho para ilustrar esse aspecto: “Um leão pode matar um homem com apenas uma mordida, mas se este homem for jogado em um buraco com muitas pulgas, também será morto, só que mais demoradamente”. Outra conduta identificada pela especialista é o isolamento e a recusa de comunicação. “Eu tive um paciente que disse se sentir transparente, porque ninguém falava com ele”, afirmou Marie-France. “É muito difícil aguentar a falta de identidade, a falta de existência no cotidiano”, explicou.

A terceira conduta hostil relacionada ao assédio moral é chamada pela psiquiatra de “atentado às condições de trabalho”. As pessoas, neste caso, são impedidas de exercer com competência suas atribuições. Segundo ela, as vítimas de assédio moral não são preguiçosas: pelo contrário, investem muito no seu trabalho e por esse motivo incomodam.

Marie-France Hirigoyen
A quarta conduta hostil relacionada ao assédio moral é chamada pela psiquiatra de “atentado às condições de trabalho”. As pessoas, neste caso, são impedidas de exercer com competência suas atribuições. Segundo ela, as vítimas de assédio moral não são preguiçosas: pelo contrário, investem muito no seu trabalho e por esse motivo incomodam. 

“O objetivo do assédio é sempre se livrar de alguém que incomoda”, salientou a francesa, que citou o atentado à dignidade da pessoa como quarta prática configuradora de assédio moral: trata-se do registro da humilhação e da degradação da vítima, que deixará sequelas muitas vezes definitivas. No limite, explicou a especialista, essas práticas levam à violência física propriamente dita.

Marie-France fez questão de salientar que o assédio moral não faz distinção de classe social ou nível cultural. “Eu costumo dizer que se ocorresse só com mulheres desfavorecidas, ninguém falaria em assédio. Mas ocorre com homens e mulheres de todas as classes, talvez até mais com executivos em altos cargos e então falamos nele”, afirmou. O que varia, diz a especialista, é a visibilidade do problema: em ambientes de trabalho mais simples, como a área da produção nas fábricas, o assédio é mais visível, por meio de agressões verbais, zombarias, entre outros. “Quando subimos na hierarquia vemos atos muito mais sutis, como a contestação de decisões, recusas, críticas, atentados à reputação, elementos muito mais difíceis de serem identificados”, avaliou.

Quanto à origem do problema, a psicanalista identifica duas “fontes” de assédio moral. A primeira delas é o assédio moral institucional, quando a empresa adota estratégias que visam excluir determinados trabalhadores os quais considera indesejados, como pessoas idosas, mulheres gestantes, líderes sindicais, dentre outros. Essas práticas deliberadas de gestão são chamadas pela professora de assédio moral coletivo. Já o assédio moral individual consiste na recusa da alteridade, ou seja, na recusa do outro enquanto outro. “No mundo do trabalho procuram-se clones, aquele que não pensa igual a nós deve ser eliminado”, explicou a francesa. “Tem um ditado japonês que diz que todo prego que se sobressai encontra um martelo”, ilustrou.

Como prevenção à conduta do assédio moral, Marie-France sugere que se reintroduza a dimensão humana das pessoas, ou seja, que se admitam fragilidades, fraquezas, que as pessoas não sejam consideradas como robôs que não cansam e que não podem demonstrar irritação ou tristeza. Por outro lado, as empresas precisam se comunicar com seus trabalhadores, porque a ausência de comunicação quanto à estratégia organizacional leva a um mal-estar difícil de aguentar. Ela ainda sugere que se reintroduzam os conflitos no mundo do trabalho. “Com conflito as pessoas podem pelo menos conversar, discordar, expor sua opinião. Hoje ninguém mais conversa durante o cafezinho”, ressaltou a psiquiatra. É preciso, por último, segundo ela, recuperar o sentido do trabalho e o seu reconhecimento, e acabar com o elitismo do alto desempenho nas empresas. “É preciso, enfim, admitir todas as fragilidades e tudo que isso implica”, concluiu.

Público lotou o plenário do TRT4

Gratíssimo ao TRT 4ª Região, a Escola Judicial e ao primoroso trabalho da Assessoria de Comunicação no compartilhar algumas ideias do evento, na esfera pública. Em especial, gratíssimo à doutora Marie-France por sua dedicação e gentileza em compartilhar seu precioso conhecimento conosco! Volte sempre que puder!





Fonte: Portal TRT 4ª Região
Imagens: Assessoria Comunicação TRT4ª Região

2 comentários:

  1. PAZ, PARA TODAS E TODOS
    Como pioneiro no Brasil no combate ao ASSEDIO MORAL ( primeira Lei e primeiro Livro ) peço a luta pela APROVAÇÃO DO PL 6 625 /09 .
    João Renato Alves Pereira
    www.leiassediomoral.com.br

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    Respostas
    1. Muito bem vindo ao Assediados.
      É um prazer contarmos também com o apoio de um pioneiro.
      Conte conosco para divulgação do PL.
      Abraço
      Assediados

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