"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quanto vale a sua dor?

Existe compensação capaz de anular ou reduzir os danos, pela violação ao seu direito absoluto, a uma carreira, sonhos e saúde?





Ultimamente temos ouvido e visto vários casos de indenizações pagas por assédio moral no trabalho. De certa forma vem com isso a sensação de que ao menos, as coisas estão no rumo certo.  


Também ouvimos acusações de que há uma indústria milionária aplicando o golpe do "fui vítima de assédio moral", visando extorquir seus empregadores e assim roubar-lhes substanciosas somas.  

Entretanto, quando vemos os valores pagos em forma de indenização para vitimas de assédio moral no trabalho, na maior parte dos casos, nos perguntamos: ‘Qual a função de tais indenizações?’ 

Existe um valor indenizatório capaz de devolver a uma vítima de assédio moral no trabalho tudo que lhe foi roubado? Carreira, sonhos, saúde... Será que tudo isso tem um valor monetário reparatório a altura dos traumas e danos provocados?

O que há de educativo em indenizações "simbólicas" como nos casos abaixo?












Obviamente, vez por outra se ouve de alguma pena exemplar, mas na sua grande maioria observamos os valores irrisórios que sequer beiram os custos reais com os prejuízos à vida de um assediado.

Com a proximidade que este blog vem desenvolvendo com vítimas de assédio moral no trabalho, relatos e depoimentos cheios de dor, mágoa e sofrimento tem chegado à nossa redação. Elencaremos de forma breve alguns prejuízos relatados:

"... semana passada meu carro foi levado por falta de pagamento. Como eu poderia continuar cumprindo meus compromissos depois da demissão? Foi uma dor imensa..."

"... tive que tirar a criança da escola, não tinha condição de arcar com aquela despesa."

"... meu sonho de consumo é um coma..." 

"... preciso passar semanalmente no meu psiquiatra, só Deus sabe como é difícil conseguir dinheiro para cobrir esta despesa. Fui mandada embora e hoje não tenho emprego, continuo doente, com alto risco para suicídio, por isso preciso passar pelo médico toda semana."

"... este ano estou melhor... ano passado passei por especialistas que me aplicaram uma escala de avaliação de risco para suicídio que pontuou mais de 90%. Acho que este ano está uns 80%..."

"... se passo dois dias sem tomas medicação, tenho sonhos e pesadelos com a CR (Coisa Ruim)..."

"... ainda bem que o meu psiquiatra me dá os remédios em amostras grátis, eu não teria condição de arcar com esta despesa, e a medicação que preciso não tem no SUS."

"... não consigo dormir, 3h da madrugada e ainda estou acordada... e quando começo a relaxar tenho espasmos pelo corpo."

"... sinto muita vontade de chorar, hoje estou péssima..."

"... não posso esquecer que fui demitida ainda estando doente. Por isso não posso achar estranho que em alguns dias me sinta tão mal e sem vontade de fazer nada..."

"... não tenho condição de procurar trabalho na minha profissão (profissional de nível superior). Estou vendendo roupas para tentar sobreviver, só de pensar em passar por tudo aquilo de novo, já entro em pânico."

"... eu tinha estabilidade por estar retornando de uma licença médica por doença do trabalho, a única coisa que poderia me tirar do trabalho era uma justa causa. Por isso a empresa forjou um motivo para me descartar, mesmo eu estando em tratamento psiquiátrico."

"... meu irmão não trabalha há 3 anos. Não recebe da empresa nem do INSS. Ele não consegue mais trabalhar, desde que sofreu assédio moral na fábrica em que trabalhava e foi culpando injustamente por um erro na linha de montagem. Hoje ele vive do favor dos outros."

"... sei que me tornei uma má influência dentro da empresa, manter-me sequelada no quadro de funcionários era o mesmo que hastear uma bandeira diária com a legenda: "OLHA O QUE NÓS FIZEMOS A ELA", me mandar embora foi a solução que encontraram..."

Os relatos são inúmeros, e por isso, indignados nos perguntamos: 'Algum dinheiro do mundo seria capaz de reparar tais danos?'

Sinceramente não!

Como bem apontou o blog Mentes Alertas nos comentários ao post O ASSEDIADOR MORAL E SUAS ARTIMANHAS"A conscientização é um passo importante no combate a este mal... quando se dá visibilidade, medidas são tomadas... Os maliciosos aduladores logo defenderão a bandeira de seus "donos" dizendo que o assediado é um oportunista que visa enriquecer ilícita e injustamente à custa da vitimada empresa... Mas é fácil resolver esta questão. Basta que a empresa adote medidas rígidas de combate ao assédio moral que não precisará indenizar nenhuma vítima aproveitadora...Simples!"



Assédio Moral no Trabalho Adoece e Mata!!

2 comentários:

  1. É incrível, ontem mesmo eu estava comentando com um colega exatamente sobre isso. Não resta dúvida que existem gente mau caráter e oportunista e que está buscando um meio de ganhar dinheiro fácil. Mas são exceções, não a regra. Ocorre que são exatamente esses que desmoralizam os demais. De qualquer forma, uma política de combate ao assédio moral preventiva inibiria estes espertalhões e não produziriam vítimas reais; aliás, desconheço alguém que gostaria de ser vitimizada por este tipo de violência.
    Parabéns por teu trabalho de concientização!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Em todos os lugares sempre haverá os aproveitadores e enganadores. Da mesma forma como sempre existirão maus chefes. Mas é injusto por esses, julgar a todos.
      Apenas medidas preventivas e punitivas exemplares, serão capazes de mudar o triste quadro que vemos hoje.
      Gratos por seu reconhecimento ao nosso trabalho.
      Assediados

      Excluir