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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Fites (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Entidades Sindicais) debate assédio moral dentro dos sindicatos

“Trabalhar em sindicato as vezes é insalubre. Quando entramos achamos que vamos mudar o mundo, ai vem as frustrações”, afirmou a presidente da Fites e palestrante no 2º Seminário de Saúde do Trabalhador do Sindes, Maria de Lourdes Vieira da Cunha (Lurdinha). “Hoje os trabalhadores em sindicatos não debatem política e acabaram se transformando em executores de tarefa. É preciso termos consciência de que sindicato tem uma utilidade pública. Que o sindicalista não é patrão, que ele é um gestor e que nós trabalhamos para uma categoria toda de trabalhadores”.

Lurdinha lembrou que muitas entidades sindicais não reconhecem os sindicatos de trabalhadores em sindicatos e a necessidade da organização deste segmento. Mas, que a categoria buscou sua organização e está na luta contra a reprodução das práticas capitalistas que adoecem os trabalhadores dentro das entidades sindicais. “Tomamos um ansiolítico antes de ir para o trabalho”, comentou. “Já houve um caso que chegou à Fites que uma funcionaria de um sindicato no Rio Grande Norte foi marcada com ferro quente de marcar gado. O sindicalismo está podre”, disse emocionada. “Os sindicatos deveriam ser instrumento de mudanças. Mas está tudo tão contaminado que os trabalhadores não sabem mais a quem recorrer”,  ponderou.

Para Lurdinha, não adianta os sindicalistas pedirem desculpas pelos seus erros se não estiverem dispostos mesmo a mudar as relações de trabalho dentro das entidades sindicais. Ela defendeu que está mais do que na hora de realizarmos um debate conjunto entre trabalhadores e sindicalistas de que para que serve um sindicato e qual o papel dos trabalhadores em sindicatos. “Você tem leis na CLT e os sindicatos são muitas vezes os que mais descumprem estas leis nos acordos coletivos com seus trabalhadores”.

A presidente da Fites afirma que há muito o que se avançar ainda no campo das discussões em saúde do trabalhador. “O INSS ainda não reconhece as doenças mentais como doenças do trabalho. Nos sindicatos ainda há muita terceirização, precarização do trabalho e apadrinhamento”.

Lurdinha falou ainda sobre o dossiê feito pela Fites com colaboração dos sindicatos estaduais que mostra a realidade dos trabalhadores em sindicatos, através de uma campanha nacional de denúncia de assédio moral realizada pela Federação. A luta agora é para que este dossiê se torne público e reconhecido pelas entidades sindicais para que se possa buscar, até mesmo junto a órgãos do governo, mudanças e o combate a esta prática no meio sindical.

Texto e foto: Marcela Cornelli, jornalista e diretora do Sindes

2 comentários:

  1. O ASSÉDIO MORAL É UMA DAS FORMAS DE ALGUNS SINDICALISTAS BRINCAREM DE SEREM PATRÕES. E A CADA DIA QUE PASSA ELES ESTÃO FICANDO MELHORES NISSO.

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  2. Assédio Moral é coisa séria, não pode de forma alguma ser tratada como "brincadeira" por quem quer que seja.
    Volte sempre Regina.
    Abraço
    Assediados

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