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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Trabalhadores da Embrapa Caprinos denunciam assédio moral e perseguição a dirigentes sindicais


Fonte: CUT

Escrito por: SINPAF

 

A denúncia foi feita em visita do SINPAF Itinerante à unidade da Embrapa Caprinos, em Sobral (CE), na última quinta-feira (15/12/11). Reunidos com o presidente Vicente Almeida e com o diretor de Relações Institucionais, Luiz Soares, diretores da Seção Sindical Caprinos relataram outros problemas que enfrentam em seu cotidiano.

As horas extras que Raimundo Pereira, trabalhador da Embrapa Caprinos há 34 anos e diretor administrativo da Seção Sindical, recebe por trabalhar no horário do expediente – atualmente, na função de motorista, transporta os estagiários da unidade para suas casas, em Sobral (CE), na hora do almoço – foram suprimidas em função de um erro causado por mudanças no procedimento de controle de frequência.

Ao perceber que as 18 horas que recebia a mais não estavam sendo computadas, Pereira levou a queixa ao SGP e ouviu da chefe do setor que ela deve satisfação “apenas a seu chefe”, além de ameaças de processo por assédio moral. Para piorar, conta o trabalhador, um analista novato teria saído em defesa da chefia e humilhado Pereira. “Ele me perguntou quem eu pensava que era para questionar a supervisora”, relata. “Estou muito indignado. Todo erro que cometo eu pago. Se tomo uma multa de trânsito, sou eu quem arco, não a Embrapa. Estava planejando usar esse dinheiro para pagar a matrícula do meu filho”.

A denúncia foi feita em visita do SINPAF Itinerante à unidade da Embrapa Caprinos, em Sobral (CE), na última quinta-feira (15). Reunidos com o presidente Vicente Almeida e com o diretor de Relações Institucionais, Luiz Soares, diretores da Seção Sindical Caprinos relataram outros problemas que enfrentam em seu cotidiano, como a recusa da chefia em liberar dirigentes para atividades nacionais do sindicato, a falta de referência administrativa e de incentivo à pesquisa e o adoecimento de trabalhadores por falta de assistentes nos campos experimentais.

“Um dos grandes problemas é que muitas pessoas vêm de outras regiões e não querem ficar aqui. Sempre há os que querem fazer disso um trampolim. Uns querem chefias para ganhar mais e outros querem ir embora, mas poucos querem que a unidade cresça, não há comprometimento com a pesquisa. Por isso a presença de vocês aqui é muito importante para nossa luta e para nos ajudar nessa caminhada de sindicato. Ele é um só”, comenta a presidente da Seção Sindical, Alice Andreoli. “Tudo o que eu faço agora é por escrito com a chefia. Enviamos uma lista de pontos do acordo coletivo a serem cumpridas. Algumas foram respondidas e outras não. Se não atenderem no prazo, iremos ao Ministério Público”, completa.

Pedro Herlando Ferreira, vice-presidente da Seção Sindical, conta que a chefia da unidade passou a impor barreiras para a participação dos sindicalistas em atividades nacionais do SINPAF. “Nunca tivemos problema com liberação de pessoas e, de quatro meses para cá, as coisas começaram a tomar um rumo diferente”.

Vicente Almeida lembrou que além da liberação integral de um dirigente por seção, conquista recente do sindicato, na cláusula 54 do ACT a Embrapa reconhece o SINPAF como legítimo representante de relações trabalhistas e previdenciárias. “Não se pode recuar na tradicional participação de dirigentes em atividades nacionais, essenciais para a estruturação da empresa. Isso que está acontecendo é coisa da ditadura e exige uma posição firme nossa. Esse sindicato salvou a Embrapa quando tentaram privatizá-la no governo Collor. Não fosse o SINPAF, a Embrapa não seria mais a Embrapa. Não aceitaremos que recebam o fruto de nossa luta e queiram rebaixar o movimento sindical”.

Luiz Soares reforçou o histórico de lutas da Seção Sindical Caprinos e convocou os presentes à luta. “A mesma queixa que se ouve aqui ouve-se em outras unidades, e isso nos leva a acreditar que o que falta não é apenas a gerência da Caprinos, mas a da Embrapa como um todo. Enquanto na direção da empresa não houver esse comprometimento, vai sobrar pra nós. Luta exige cabeça erguida, discernimento e coragem. O sindicato não pode se calar. Se um delegado eleito por vocês quiser ir a um evento do sindicato, chefia não pode criar subterfúgios para impedir o livre exercício político da cidadania”, completou.

Pluralidade científica ameaçada

Outro recuo apontado pelos trabalhadores na assembleia com a Diretoria Nacional foi a falta de incentivo à pluralidade nas pesquisas. O técnico agrícola Eugênio Lopes, assistente da unidade, denunciou a diminuição paulatina de pessoal nos campos experimentais. “Há uma orientação para que pesquisadores façam pesquisa com empresas, mas acredito que os campos experimentais são importantes porque há objetos de pesquisa que têm de ser feitos no campo. O campo é o laboratório”.

“A ciência vem essencialmente da discórdia. Se fosse o contrário, até hoje acharíamos que a terra gira em torno do sol. Soube recentemente que há uma lista assinada por 80 chefes de pesquisa contra a política da Embrapa na condução das pesquisas. Nossa luta contra o comitê de busca foi importante para combater tecnocracia, e temos de avançar aprovando a eleição para chefes das unidades, a criação de um grupo de trabalho para garantir pluralismo científico e a realização de um seminário no segundo semestre ano que vem”, elencou Vicente, que apresentou ainda os avanços econômicos e organizativos conquistados pelo SINPAF em 2011. “Em 2012 vamos priorizar a questão da saúde do trabalhador, investir na formação política, garantir a implantação do nosso Plano de Lutas e avançar nas questões administrativas”, sinalizou.

O presidente também respondeu dúvidas dos trabalhadores em relação ao ACT e explicou o procedimento de negociação do PCE. “Nossa meta é salário digno e pecúnia, isonomia, retorno do insterstício de 3% da tabela, progressão para assistentes e adicional qualificação. Enviaremos às seções sindicais um documento com os principais pontos negociados para apreciação da base”.

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