"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


domingo, 4 de dezembro de 2011

O blog "Assediados" completou em 02/12/11, três meses de vida. E é com alegria que comemoramos mais de 3.600 acessos. A presença e solidariedade de cada um de vocês é o motor que nos move e dá sentido a tudo.


Informamos que a enquete: "Como o Assédio Moral no Trabalho faz Parte da Sua Vida?", foi prorrogada. Relembramos que cada pessoa pode escolher mais de uma opção como resposta.


Comentários anônimos às postagens também são aceitos e bem-vindos.



Aproveitamos a oportunidade para parabenizar a OAB SP pelo evento em que estivemos presentes. Um Congresso sobre Transtornos Mentais e o Ambiente do Trabalho / Assédio Moral e Organizacional, ocorrido em 25/11/11.

Mediado pelo Dr. Eli Alves da Silva e pela Dra. Maria Leonor Poço, estiveram presentes vários especialistas no assunto, como o Dr. Antônio José de Arruda Rebouças (Advogado; Professor e Coordenador da Disciplina Legislação em Saúde dos Trabalhadores no Curso de Especialização em Medicina do Trabalho da Faculdade de Medicina da USP), Dr. Julio César Fontana-Rosa (Médico; Especialista em Medicina do Trabalho; Doutor em Ciências Médicas; Professor Doutor na USP), Dra. Iara Alves Cordeiro Pacheco (Advogada; Professora da FAAT; Mestra em Direito do Trabalho pela USP; Desembargadora Aposentada do TRT/15ª. Região), Dr. Roberto Heloani (Advogado; Mestre em Administração; Doutor em Psicologia pela PUC SP; Pós Doutor em Comunicação pela USP; Livre-Docente em Teoria das organizações), entre outros igualmente gabaritados.

Buscaremos transmitir a vocês algumas ponderações, a partir da fala desses especialistas.

Os transtornos mentais não são doenças de fácil diagnóstico para os Médicos do Trabalho, e até para os Peritos, que na sua grande maioria, ou quase totalidade, não são Psiquiatras. Se o Psiquiatra do trabalhador não estabelecer diagnóstico claro e bem relatado, as coisas se tornam cada vez mais difíceis. O papel do médico não é “defender” o trabalhador (isso é papel do advogado) e sim trazer provas, que possam fazer a diferença para estabelecer o nexo causal.

Muitas manifestações e agravos à saúde do trabalhador, não necessitam de fatores desencadeantes para manifestar-se. Uma única coisa que aconteça, pode por si só, ser determinante para causar o transtorno. Para o Dr. Fontana-Rosa, assistir a algo, como por exemplo, algum tipo de violência dirigida à colega, por superior hierárquico, pode ser determinante para a manifestação de algum transtorno mental.

Tendemos a questionar quando alguém apresenta algum transtorno mental, sobre sua situação familiar. Entretanto, para o mesmo especialista, pessoas que vivem em famílias conturbadas, podem manter-se perfeitamente bem no trabalho. O trabalho pode inclusive, ser a única fonte de prazer e satisfação na vida daquela pessoa. Entretanto, uma mudança de chefia, novas metas e pressões no trabalho, podem desestabilizar e adoecer este trabalhador. E qualquer coisa que incida sobre um trabalhador e que possa afetar sua saúde, tornando-a comprometida, é de responsabilidade da empresa, que deveria promover um ambiente de trabalho saudável. Para o especialista, uma das causas de agravamento dos quadros de transtorno mental são o retorno ao mesmo ambiente, atividade e conflitos. 

Muitas vezes nos perguntamos, porque algumas pessoas resistem aos maus tratos de suas chefias sem apresentar transtornos, enquanto outras se desestabilizam e se desestruturam? São apenas pessoas resistentes que encontraram mecanismos internos de adaptação às adversidades no trabalho. O grande problema é que nesse caminho, muitos são adoecidos, descartados e até mortos.

O custo do Assédio Moral à vida do trabalhador é imensurável, mas esses custos também recaem sobre as empresas, com passivos absurdos e muitas vezes desestabilizastes para elas próprias.

Para o Dr. Roberto Heloani, Assédio Moral é uma “constelação de danos morais”. Ambientes preconceituosos e onde práticas humilhantes não são combatidas, tornam-se verdadeiras “sementeiras” para o crescimento e desenvolvimento do Assédio Moral. O respeito no local de trabalho é uma meta a ser cumprida. Empresas sérias trabalham com prevenção ao Assédio Moral.

Assédio Institucional consiste em gestão que se baseia em humilhação e manipulação. É quando o assédio “não é direcionado a um, mas a qualquer um”. É administrar usando como instrumentos de trabalho, o medo o stress e a injúria, instrumentos de tortura capazes de afetar e até destruir a dignidade humana. 

Quando uma pessoa assume um cargo de chefia, certamente com as recompensas, também surgem as cobranças, e é neste momento que pessoas com “elementos particulares de maldade” se manifestam como cruéis assediadores.

Muitas instituições mantêm seus gestores, mesmo tendo conhecimento dos seus métodos de assédio, pois os mesmos são eficazes aos interesses da instituição. Entretanto a lógica do resultado é antiética, e a “produção” a qualquer custo, deve ser combatida. Não dá para viver em um ambiente desses, acreditando que isso é normal.

Para a Dra. Iara Alves Cordeiro Pacheco, os peritos do trabalho, além do exame físico e psicológico, deveriam visitar as empresas a fim de verificar as verdadeiras condições de trabalho.

Ao passo que muitas questões se tornam cada vez mais claras, nos questionamos mais profundamente sobre o que mantém tais práticas. Mentes doentias? Interesse desmedido apenas no lucro, desvinculado dos danos causados ao trabalhador?  

Como pontuado pelo Dr. Raimundo Simão de Melo, Procurador Regional do Trabalho, é o capitalismo que é selvagem, ou o ser humano que o administra?


Não é possível culpar máquinas por causar acidentes, da mesma forma que não podemos culpar uma empresa, por acidentes e danos no sentido literal da palavra. Já que uma empresa são os homens e mulheres que a administram, consequentemente estes se tornam responsáveis pelas escolhas que fazem. Ao optar por mentes perversas que simplesmente satisfazem metas de produtividade desejadas, tais administradores deveriam ser responsabilizados criminalmente pelos danos causados a aqueles que deveriam proteger.
 
É pensando nisto que cada um de nós, que por algum motivo está envolvido em questões de Assédio Moral no Trabalho, precisamos nos unir, nos fortalecer, alimentando-nos com as experiências dos outros, cobrando aos nossos legisladores posturas mais duras e coerentes com a gravidade dos danos causados por tais práticas.

O Assédio Moral precisa ser tipificado como crime!

6 comentários:

  1. Sou vice-diretor de uma escola pública estadual que divide o mesmo prédio com uma escola municipal, e sofro constantemente agressões verbais e relegações de esquecimento, pois os meus colegas de trabalho não aceitam que uma pessoa nascida em outro muncípio ocupe um cargo de relevância dentro da escola que fica no município deles.

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  2. É muito triste que práticas bairrista (uma visão estreita de mundo, que menospreza tudo aquilo que vem de fora), sejam permitidas e arraigadas no âmago de instituições que deveriam ensinar aos seus egressos prática de tolerância e respeito ao próximo. Raramente o bairrismo é encarado como uma atitude positiva, pois se assim o fosse, não estaria provocando sofrimento ao nosso leitor.
    Somos solidários a você, e sugerimos que passe a gravar as agressões sofridas, pois no mínimo, caberia um bom processo por dano moral.
    Volte sempre, e se desejar, escreva a sua historia com detalhes. As agressões sofridas,os seus sentimentos a cada uma delas,os prejuizos que você percebe que estas atitudes vem causando a você... e acredite, teremos prazer em publicar.
    É preciso abrir a boca, denunciar. Venha o assédio, de baixo, de cima ou dos lados.
    Um forte abraço
    Assediados

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  3. Concordo Plenamente,só não sei porque a demora...

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  4. LMady,
    Temos que cobrar atitudes coerentes dos nossos representantes no legislativo. Só assim poderemos deixar um futuro melhor aos que nos precederem.
    Assediados

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  5. infelizmente a justiça e lenta..meu filho esta sofrendo de assedio moral na area do trabalho não pode ir ao banheiro não tem quase horario de almoço..trabalha das 8 da manha ate meia noite como banco de hora..nunca vi esse banco abona um dia dele....gostaria de saber aonde posso buscar ajuda da justiça....

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  6. De fato meu caro, a justiça é lenta, mas não podemos perder a esperança.
    Primeiro de tudo, seu filho precisa se calçar de provas de tudo que tem lhe acontecido. Gravar, filmar e se garantir de testemunhas que presenciaram ou presenciam o que ele tem sofrido. Também não se esqueça de procurar ajuda médica e psicológica para que ela tenha laudos que comprovem os danos que a sua saúde está sofrendo.
    Sugiro que leia com atenção as postagens mais antigas, como por exemplo:
    http://assediados.blogspot.com/2011/09/onde-buscar-ajuda.html
    Seu filho pode também fazer um diário do assédio, escrevendo tudo que lhe acontece todos os dias. Sem rasuras de forma ininterrupta. Pode usar um livro ata, pois as páginas são numeradas.
    Vale lembrar que consultar um advogado especializado em causas trabalhistas, é uma boa opção, pois este poderá orientá-lo sobre seus direitos e a melhor forma de se resguardar. Até porque as custas de um processo como este só são pagas ao final, quando o seu filho ganhar a causa.
    Se desejar relatar os fatos de forma mais privada, use o e-mail: assediados@gmail.com.
    Parabéns por estar ao lado do seu filho, o apoio da família e dos amigos é muitíssimo importante neste momento.
    Um grande abraço
    Assediados

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