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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Trabalho sem paz




 As boas relações no ambiente de trabalho são importantes para o desempenho dos funcionários de uma instituição. Porém, algumas disfunções nessas relações podem causar mais do que simples discussões entre colegas, configurando muitas vezes assédio moral, que provoca, entre outras coisas, diminuição de rendimento e produtividade. Saiba o que configura assédio moral e como a UFSJ trata o assunto. 

Para a vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Maria Cristina Peduzzi, “assédio moral se caracteriza pela continuidade de atos agressivos ou irônicos que afetam a autoestima do trabalhador no local de trabalho. De forma geral, causa um mal-estar no ambiente organizacional onde estão presentes tanto os autores, de forma dolosa ou culposa, quanto as vítimas”. A pesquisadora Regina Heloísa Maciel explica que assédio moral no trabalho “compreende toda exposição prolongada e repetitiva a situações humilhantes e vexatórias no ambiente organizacional. Essas humilhações se caracterizam por relações hierárquicas desumanas e autoritárias, onde a vítima é hostilizada e ridicularizada diante dos colegas e (muitas vezes) isolada do grupo.” Essas ações desestabilizam a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, desmotivando, muitas vezes, a permanência no cargo.

NA UFSJ, ações estão sendo tomadas para informar os servidores quanto à prática de assédio moral, permitindo que tenham ferramentas de defesa. Segundo o técnico-administrativo Marcos Vinícius dos Santos, que tem realizado palestras sobre o tema, “estamos num local privilegiado para promover o respeito e o cumprimento das leis. Com a entrada de tantos novos servidores, o Sindicato dos Servidores da instituição (Sinds-UFSJ) sentiu-se sensibilizado a promover palestras para adicionar esforços ao trabalho que a Pró-Reitoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (PROGP) já desempenha muito bem”.

Nas palestras realizadas por Vinícius e pelo advogado do Sinds-UFSJ, Marcos Rozzetto, foi possível presenciar relatos de experiências pessoais ou fatos que ocorreram com terceiros. Alguns manifestam seqüelas, como mal-estar no local de trabalho, baixa autoestima, insônia e diversos efeitos de dano moral. A comunicação das ocorrências aos órgãos competentes fez cessar as transgressões por parte dos autores. Segundo Rozzetto, “o risco maior é que aconteça o pacto da tolerância e do silêncio no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando”. Para provar a existência do assédio, alerta, são necessários, além de testemunhas, documentos. O servidor pode, por exemplo, “fazer um caderno de anotações com descrição dos acontecimentos e datas.”

Segundo o advogado, a vítima deve avisar formalmente ao superior imediato caso o assediador seja um colega de trabalho de mesmo nível hierárquico, ou comunicar ao superior imediato do chefe, caso este seja o autor das humilhações. Deve-se, também, dar conhecimento dos fatos à PROGP. Caso o servidor considere que não foram tomadas as medidas administrativas satisfatórias, pode entrar com processo judicial.

A pró-reitora Maria Anália Catizane Ramos (PROGP) comenta que poucos casos foram relatados durante a história da UFSJ, possivelmente por falta de informação sobre assédio moral ou receio dos servidores em comunicar possíveis fatos que envolvam suas chefias. A pró-reitora informa que a instituição pretende implantar um programa de conscientização dos servidores, visando à prevenção do assédio, com ações educacionais por meio de palestras e treinamentos. Anália recomenda que os servidores que se sintam lesados de alguma forma procurem sempre a PROGP, que tratará o caso com sigilo.

O assédio moral caracteriza injúria ou calúnia, e as medidas podem ser aplicadas na esfera civil, solicitando uma compensação pecuniária; na criminal, com detenção ou reclusão de até dois anos; e na administrativa, acarretando suspensão, afastamento do trabalho e, em último caso, exoneração do cargo.

Links recomendados:
www.assediomoral.org
http://assedio.moral.sites.uol.com.br/



Fonte: ASCOM

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