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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sociedade precisa lidar com paradigmas da era pós-industrial


Fábio Utz Iasnogrodski, de Turim, Itália

Mundo tem que se adaptar à era da inovação, defendem especialistas.

Quanto mais se trabalha, mais se produz. Quanto menos se para, mais representativo é o resultado final de uma atividade. 

Esta parecia uma lógica difícil de ser contestada. No entanto, um novo paradigma ganhou força no mundo das relações de trabalho: a questão do ócio produtivo. 

Embora com visões diferentes, especialistas chegam à conclusão de que é preciso adaptar essa realidade ao momento pelo qual passa a sociedade.

A chamada era pós-industrial, como definiu o sociólogo Domenico de Masi durante o VII Congresso Mundial de Administração e o XII Fórum Internacional de Administração, em Turim, na Itália, necessita de um novo entendimento. 
"É um problema muito grande, difícil de definir em apenas um minuto", afirmou o especialista. "O drama do desemprego está relacionado com a incapacidade de se lidar com a inovação tecnológica."

Segundo ele, na chamada "folia do trabalho", há aqueles que preferem dedicar mais horas ao ofício, mesmo que não tenham o que fazer, ao invés de estar com a família, realizando uma simples atividade intelectual e não deixando, por exemplo, espaço para os seus filhos também realizarem uma atividade. "Não há distinção entre trabalho e não trabalho. Para muitos, ir ao teatro, brincar e passear é perda de tempo. 

A sociedade pós-industrial (também conhecida como era do conhecimento, da informação) se formou muito rapidamente e não conseguimos criar paradigmas para administrá-la." Para De Masi, é necessário disponibilidade e flexibilidade para lidar com as mudanças e, assim, passar a produzir ideias, valores, conhecimento (bens imateriais), que são os grandes produtos da era moderna.

O economista Carlos Hilsdorf, mesmo discordando de algumas ideias, crê, também, que, "na sociedade do conhecimento, o grande produto é a inovação", algo que só se consegue com criatividade e conhecimento. 

Neste sentido, os chamados "veteranos" estão voltando ao mundo do trabalho, tanto que muitos jovens acabam sem emprego, já que representam a chamada "geração perdida". "É o retorno daqueles que têm a sabedoria", argumenta. Segundo ele, não existe divisão entre vida pessoal e profissional. 

"Trabalho é dignidade. Para dar qualidade de vida no trabalho, tem que considerar o indivíduo de maneira holística. Cada um de nós leva para onde for tudo o que tem dentro de si", diz. 

Assédio moral também entra na pauta dos debates

Trazido à tona durante o VII Congresso Mundial de Administração e o XII Fórum Internacional de Administração, o assédio moral no ambiente de trabalho, segundo Rita Sanlorenzo, juíza do Trabalho da Segunda Instância de Turim, é um fenômeno que avança com o crescimento do mercado de trabalho. Para ela, "esta é uma patologia do próprio ambiente de trabalho".

Dando ênfase ao assédio vertical, através do qual um superior faz uso de atitudes como ameaças e isolamento para ferir o seu subordinado, a especialista acredita na necessidade da mediação interna, através da criação de comitês dentro das próprias empresas para a tentativa de solução ao caso.

"Muitas vezes, as vítimas são as pessoas mais ambiciosas, que almejam o sucesso profissional. É incrível ver como o assédio moral possa atingi-las. Essas pessoas, que consideram o ambiente profissional o local para o crescimento, acabam sendo ‘afastadas', o que pode trazer consequências físicas e patológicas", destaca.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=75638

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