"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Relato 18 (O Retorno - Parte 1)

Após 30 dias, do meu retorno, em virtude de vários acontecimentos durante esses dias, resolvi escrever uma carta à direção do meu trabalho, dando conta de várias ponderações e percepções sobre fatos ocorridos.

Por ser uma carta longa postarei em duas ou três partes, em momentos posteriores.

  
Sra. XXX,


Hoje completo um mês de retorno ao trabalho e estou tomando a liberdade de escrever relatando alguns fatos que considerei relevantes no decorrer desses dias. Eu os havia escrito de forma isolada, na época em que ocorreram, mas estou optando por agrupá-los na mesma missiva para facilitar a leitura.


No dia em que cheguei, não havia nenhuma instrução para mim, e não encontrei nenhum colega de função. Os presentes me receberam com alegria, abraços e muitas demonstrações de carinho. Por saber que o funcionário H havia sido transferido, todos me perguntavam se eu iria ficar com a equipe dele, e eu respondia que achava que sim, pois o RH me havia comunicado que eu seria mudada de equipe.

Estava em uma sala conversando, quando uma funcionária chegou perguntando se era eu a pessoa responsável pelo atendimento da demanda expontânea, ao que respondi que estava “boiando”, pois não tinha escala e não sabia o que queriam que eu fizesse, mas que eu poderia ir sim, sem nenhum problema.

Quando eu estava atendendo, uma segunda pessoa, funcionária do RH interno, veio me dizer que a chefe havia ligado e pedido que eu esperasse por ela, pois quando chegasse, faria uma reunião comigo. Acabei os atendimentos e fui ao banheiro. Quando estava lá, ouvi alguém me chamando. Era a funcionária do RH, dizendo que a gerente já havia chegado e estava me aguardando.

Ao entrar na sala encontrei “O” e uma Supervisora a quem chamarei de “U”.

Ambas me receberam com um “Bom dia”.

“U” me perguntou se eu tinha algo a dizer, e eu respondi que não; que quando cheguei não havia encontrado ninguém, e que havia sido chamada para um atendimento.

“O”, então, falou, em tom pouco amigável: “Mas eu tinha falado pra você esperar”.

“U” então começou a falar:

“Nós entendemos que é um direito seu voltar pra cá, mas tem algumas coisas que precisamos lhe falar. TUDO que você for fazer e mudar, você tem que falar com a gerente. Ela tem que saber o que está acontecendo. Porque se alguém vem perguntar pra ela alguma coisa, que ela não sabe... Como assim ela não sabe? Embora tudo isso tenha acontecido, a gente não vai dar um tratamento especial a você. Não é porque você fez ouvidoria, que a gente vai falar: “ah não, coitadinha...” Então se você tiver alguma dúvida, você fala com a gente. Porque “a coisa” não aconteceu do jeito que a gente achou que seria... e as pessoas tiveram oportunidade de falar o que queriam. 
 
Penso em todos os desabafos que ouvi naqueles dias, e da tal “oportunidade de falar”, e fico pensando, o que realmente eles esperavam encontrar: pedaços de corpos mutilados pelo chão?

“U” continua:


É importante a gente tirar uma lição, de a gente não olhar só pro outro e sim ver o que a gente pode melhorar. Isso pode servir de crescimento para todos. Então é isso, você está de volta, mas a gente não vai dar nenhum tratamento especial a você por ter feito ouvidoria.”


Ela então passa a palavra à “O”. Peço para falar antes.

Digo: “primeiro eu nunca mudei ou fiz coisas sem falar para ela” – no que sou interrompida por ”U” que diz: “E o Bingo?”. (Fico pensando qual parte da história do “Bingo” eles ainda não entenderam)


Respondo que o Bingo estava no Planejamento de 2011. Ela diz então: “E pedir dinheiro?” – Respondo que o dinheiro não foi “pedido”, e sim uma iniciativa dos usuários para que tivessem mais brindes no Bingo, e que não era um pré-requisito para o usuário participar. E que, obviamente, eu não havia interpretado aquilo como um problema, pois se assim tivesse considerado, não teria aceitado.


Quanto a levar problemas todo o tempo para a gerente – continuei dizendo – para mim, isso deve ser feito quando encontro algum problema que não consigo resolver, pois na minha concepção, o gerente não é para resolver coisas que eu mesma consiga.


“U” me interrompe dizendo:

“precisamos nos prevenir, porque só se consegue isso quando se compartilha, não importando se o que fiz está certo ou errado; que a gente tem que compartilhar, ouvir, escutar (cita experiências próprias)... Porque “cobrar” o gerente tem que cobrar”.

 Respondo:

“não tenho nenhum problema com cobranças, e sim com a forma como se cobra. Que é o modo, que me agride. E com relação a ser tratada diferente dos outros, eu não espero mesmo por isso. ‘Eu não estou aleijada’. E não fui eu que fiz ouvidoria, foi o meu marido que fez, sem eu saber. Não sem motivos, porque eu realmente compartilhei com ele, como meu marido, as coisas que vinha passando ao longo dos anos. Então chegou num momento que ele, vendo o meu estado de saúde se deteriorando, tomou uma atitude dessas. E que eu não ia dizer que não estava acontecendo nada, quando na realidade estava. Estou em tratamento ainda, e só vou saber que estou ótima, maravilhosa, quando parar de tomar medicação e voltar a me sentir como antes de tudo isso. Mas não espero nenhum tipo de deferimento, por conta disso.

“U” pede para revisar o que foi dito, e que tenho que compartilhar tudo com “O”, e que tenho que me cuidar para que isso não aconteça novamente.

“O” então começa a falar, dizendo que para ela fora uma surpresa, porque eu nunca fora lá para falar com ela, e quando veio a ouvidoria, ela teve que responder. Disse ela: Todos os seus colegas vêm aqui passar seus problemas, eles têm abertura para isso, mas sei que esse é o “seu jeito”.

Disse que um dia antes da reunião dela comigo e com a Sra. XXX, tivera que responder porque eu tinha “pegado dinheiro”. (De verdade não acredito na veracidade da fala dela, pois nesta reunião a que se referiu, é que a Sra. XXX, dissera que pedira a “U” para verificar o que acontecera. Portanto, não havia tempo para encaixar isso na cronologia dos fatos).

“Quando nós fazemos qualquer coisa com a prefeitura é proibido pegar dinheiro. Se houvesse denúncia, como é que eu iria responder? Eu sabia do Bingo, e do prêmio que você ia dar para eles... mas, não sabia do dinheiro”. Continua de forma irritada: “Surpresa maior ainda, quando falei para você esperar aqui. ERA PRÁ ESPERAR!”

Respondo que não vi nenhum colega da mesma categoria na unidade, e fui fazer os atendimentos porque me chamaram.  Ela afirma que tinham duas colegas.  Afirmo que não vi ninguém. (provavelmente me chamaram porque este seria o horário do funcionário H, na escala).

Ela retruca: Mas “Sra. X”, só pra você entender, uma orientação simples... (sugestivo de que eu não era capaz de seguir orientações banais). Digo que quando o recado dela me foi dado, eu já estava atendendo, e só acabei de fazer o que havia começado.

Ela então disse que algumas coisas haviam mudado, e que ia mandar a colega F sentar comigo para me passar (este passar das mudanças, nunca aconteceu, tudo que precisei saber se mudou, tive que descobrir sozinha).

Ela diz que eu estou saindo da equipe A para a equipe D (embora nenhum motivo me tenha sido dado para interromper um trabalho de quase 6 anos). Continua dizendo que eu estou sendo inserida numa equipe que já existe, e que terei que me inserir na rotina deles. Que devo me sentar com o profissional que já está na equipe, e com ela, se tiver que mudar alguma coisa, porque quem está chegando é que tem que se acostumar à rotina. Afirmo que não tenho problema algum para me inserir na rotina existente.


Ela informa que agora só podemos passar um usuário por hora para o profissional que estiver respondendo pela retaguarda na livre demanda. Pergunto: como devo proceder já que no pouco tempo que estive no atendimento precisei passar dois casos graves? Ela diz que nesses casos, tem que passar.


Afirma que qualquer problema que eu tenha, devo ir conversar com ela. “Porque foram tantos documentos...” Digo que não sei de que tantos documentos ela está falando porque, que eu saiba, só teve a carta do meu marido para a ouvidoria. Ela diz que tem carta, e-mail... Daí me lembrei da carta que eu havia escrito à direção e digo que teve mesmo uma carta minha.


“U” lê a ata da reunião que diz que eu NUNCA conversei com “O”, dizendo como me sentia. Interrompo REITERANDO que falei sim, logo no começo quando ela gritou comigo na reunião. Ela se mostra irritada e diz: “Coloca aí que em três anos ela falou uma vez”. Afirmo que falei esta mesma coisa para a diretora. Ela diz que sabe de TUDO que eu falei, e eu afirmo que SEI que ela sabe.


Ela diz então para começarmos do zero, e que eu faça as coisas o melhor possível, como ela sabe que farei.


Na ata também não foi posta a minha justificativa para não ter ficado esperando, já que quando recebi o recado já estava atendendo. Mas não falei nada. Pouco depois me dei conta de que não sabia quais seriam as minhas outras atribuições. Voltei para perguntar, ao que ela respondeu: “Por enquanto nenhuma”. (Passei uma semana sem nenhuma atribuição, e quando as atribuições me foram dadas, eram todas descartáveis, ou seja, coisas que não fariam a menor diferença se eu fosse descartada. Todas as minhas antigas atribuições, inclusive programas que foram de minha responsabilidade por quase 6 anos com grande êxito, e reconhecimento inclusive pela SMS do Município.


Muito me chamou a atenção a mudança do foco principal nas falas de “O” e de “U”, nesta reunião de recepção de retorno, quanto ao real motivo do meu afastamento. Em momento algum houve reconhecimento por parte delas, de que o meu afastamento se deu por motivo de doença, e muito menos por doença ocupacional. Eu estive afastada por motivo de doença e não por ouvidoria, a ouvidoria é que foi feita em função ao meu estado de saúde.

Quero ressaltar que qualquer coisa referente à Ouvidoria, deve ser tratada apenas com o meu marido, e que não tenho interesse algum nesse assunto.


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