"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Relato 17 (Liberação para o Retorno)

Após ser liberada pelo INSS, com reconhecimento do nexo causal, a minha médica considerou que mesmo melhorada, eu ainda não estava em condição de retornar ao trabalho, e solicitou prorrogação da licença, com alta a critério dos peritos do INSS.
Marquei reavaliação no INSS e a prorrogação foi negada. Neste momento eu já me sentia um pouco melhor, ao menos em condição de tentar retomar a minha vida.

 Na data marcada, o médico do trabalho disse que não poderia me liberar, pois não tinha condição de emitir um parecer da minha aptidão ou não, para o retorno ao trabalho, mesmo que o atestado médico que tinha em mãos, dissesse que a minha alta deveria seguir os critérios da perícia do INSS.

Mesmo argumentando que pelo laudo, me parecia claro que eu estava liberada, ele insistiu para que eu devesse trazer um novo laudo da Psiquiatra, e que eu fizesse isso logo para não me prejudicar. Avisei então que no dia anterior ligara no consultório para falar com a médica (queria discutir o aumento da dose da medicação), e fui informada pela secretária, que a mesma havia viajado, e que só retornaria no início do próximo mês. O médico então falou que eu poderia pedir laudo a outro psiquiatra.

Fui então encaminhada ao RH. Lá fui orientada que só estaria liberada após trazer o referido laudo, e passar por nova consulta médica, e que eu teria cinco dias para trazê-lo. Mais uma vez informo que a minha médica está viajando e só retornará no inicio do mês, mas afirmo que vou procurar resolver isso o mais rápido possível.

 Perguntei como ficaria a minha situação de pagamento, e só então tomo conhecimento de que o tempo que fiquei sem trabalhar, entre a primeira e a segunda consulta, não seria pago por ninguém, e que o meu pagamento só seria retomado após a liberação médica. Em nenhum momento, por nunca ter feito uso do INSS para este fim, soubera de que quando o funcionário pede a reavaliação do benefício, é ele que arca com o risco de ter o benefício negado, e ficar sem pagamento tanto por parte do INSS como por parte da empresa. Muito embora mesmo que soubesse que era assim que funcionava o processo, ainda assim, não estava em condição de retornar ao trabalho naquele primeiro momento.

Tentei por vários meios conseguir uma consulta com outro psiquiatra, mas a resposta era sempre a mesma: consulta, qualquer um faria, mas “laudo”, só a médica que me acompanhava poderia fazê-lo.

Mandei algumas mensagens para a empresa, mas nenhuma orientação era muito clara, por isso tomei a iniciativa de escrever a carta abaixo:

 À Direção da Empresa


O motivo desta é tirar algumas dúvidas e prestar alguns esclarecimentos.

O parecer do INSS, favorável ao meu retorno ao trabalho, aliado ao fato de o médico do trabalho não me haver reencaminhado ao INSS, traz consigo a compreensão do posicionamento da empresa favorável ao meu retorno às atividades, mesmo mediante a solicitação do tal médico de Relatório da Médica Psiquiatra, nominal à esta minha médica, que se encontra viajando conforme informação de sua secretária.

Tenho buscado durante estes dias encontrar outra solução para o problema, tendo em vista que ao informar médico do trabalho que a mesma encontrava-se viajando ele afirmou que o Relatório poderia ser feito por outro Psiquiatra. Entretanto, não tenho conseguido tal relatório mediante a explicação de que apenas a médica que me acompanha poderia fazê-lo. Inclusive, da médica que tem respondido, em alguns casos, na ausência da mesma.

Consegui agendar consulta com a minha médica. Estou tentando agendar no convênio, mas todos irão abrir agenda apenas a partir do início do mês. Tentarei passar ainda esta semana.

Os prejuízos têm sido muitos, além dos psicológicos, visto que as consultas particulares têm alto custo, porém necessárias pela dificuldade de agendar com rapidez pelo convênio quando se está precisando muito.

Pelo que percebo, corro o risco de não ter pagamento algum este mês, o que compromete o cumprimento das minhas obrigações financeiras. Gostaria de saber se o meu banco de horas, pode ser usado para minimizar os prejuízos desses dias, e que outras implicações trabalhistas há por não ter sido possível apresentar o relatório da médica psiquiatra, no prazo dado pelo RH.

Acredite, tenho pressa em resolver logo isso e tenho feito o melhor que posso. Lamento por tudo que está ocorrendo e gostaria de poder ser capaz de resolver as coisas de forma mais rápida e mais fácil, mas não tem sido possível. Por nunca ter usado o INSS para este fim, não tenho nenhuma familiaridade com os trâmites burocráticos e suas implicações legais para mim e para a empresa. Por isso, tenho feito muitas perguntas ao RH.

Gostaria de ter as minhas dúvidas esclarecidas de forma clara para que eu não seja surpreendida por mais prejuízos do que já tenho. Por isso, neste momento tenho buscado a forma de comunicação escrita.

Espero deixar claro que não há de minha parte nenhum interesse em prejudicar a empresa. Admiro-a, amo o meu trabalho e sei que posso fazer ainda muito mais pelas pessoas que atendo e pela empresa.

Reitero o que lhe falei no nosso último encontro, de que o meu desejo é retornar à minha unidade e equipe, embora saiba que não fui contratada para uma unidade ou equipe especifica. Ser transferida, seria para mim mais uma grande perda com sabor de punição.

 Sei que a apuração, encaminhamento e condutas diante dos fatos são de competência e responsabilidade da empresa. Entretanto, para mim, como parte interessada e prejudicada, cabe dizer que a única atitude aceitável é o desligamento, do quadro de funcionários da empresa, desta pessoa que a mim provocou grande dano, e provoca ou poderá provocar danos semelhantes a outros, os quais, também, poderão sentir-se encorajados a tornar os fatos conhecidos junto ao Ministério Público, e a outras instâncias da Sociedade Civil, podendo assim prejudicar a imagem da empresa, pela qual tenho zelado.

Buscando que as comunicações sejam transparentes e evitando dúvidas, agradeço a atenção e o empenho necessários e um posicionamento da empresa até a data em que estarei com o relatório médico solicitado em mãos e que poderei ser liberada para o trabalho.


Atenciosamente


Senhora X




Não recebi resposta alguma a carta acima.

No entanto após receber o laudo médico psiquiátrico solicitado, fui considerada apta a retornar ao trabalho.

Em conversa com o RH, fui informada que receberia o pagamento dos dias parada após o pedido de reconsideração ao INSS, e que não seria necessário fazer uso do meu banco de horas, visto que a demora para o meu retorno se devera ao pedido do novo laudo, pelo médico do trabalho. Mas,  diferentemente do combinado, de que a decisão final seria tomada em conversa com a diretora, fui informada de que retornaria apenas à minha unidade de origem, mas que seria colocada em outra equipe, ficando assim interrompido um trabalho de sucesso de quase seis anos. Apesar de tudo, fiquei feliz em poder retornar ao meu antigo posto e ao convívio das pessoas com as quais eu me importava, e para as quais a minha volta tinha um grande significado.
O chefe do RH também me disse que não havia nenhum interesse por parte da empresa em "adoecer" os funcionários, e que a porta dele sempre esteve aberta para ouvir as nossas queixas.
Aproveitei aquela abertura e oportunidade, para mais uma vez reafirmar o sentimento de terror implantado no meu serviço, e de como era importante que a empresa se dedicasse a apurar as acusações que estavam sendo feitas, de forma eficiente, pois se não fosse dado um espaço de segurança necessária, a verdade nunca apareceria.
Relatei varios fatos e situações, e o que me foi dito, é que a gerente havia sido "punida". A meu ver naquele momento, seja lá o que ele considerou como punição, era de fato brando demais, em proporção ao dano causado a mim e a outros. Optei por me calar, entendendo que a decisão final daquele capítulo, caberia à empresa. A minha parte, por hora estava feita. Era mais um, para quem eu implorava 'de joelhos' que me ouvisse. Quem sabe se desta vez?

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