"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Relato 9

“Na festa de fim de ano de 2008, (na qual não foi porque estava de plantão), recorda ela, foi organizada cerimônia com entrega de faixas e medalhas aos primeiros colocados em cada categoria. Fui nomeada uma das funcionárias mais “desesperadas, perdidas e sem noção da equipe", conta ela. N. foi demitida dois anos depois da "premiação", em um corte de funcionários, e entrou com processo contra a empresa por assédio moral.”


Cinco caixas de antidepressivos por mês e uma tentativa de suicídio. Essa é a realidade do supervisor W.A. 33, há dois anos, depois de sofrer ataque nervoso no banco em que trabalha. Desde 2009, ele está afastado pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Além da pressão por metas, W.A. conta que era chamado de Gardenal (remédio psiquiátrico) por colegas. "Os chefes gritavam comigo, e eu perdia o controle emocional. "

“ Não conseguia me defender e sentia que ninguém podia fazer nada”, diz ele, que foi demitido meses depois de voltar de licença médica.”


“T. R., 53, foi alvo dos dois tipos de assédio moral: foi humilhada por superiores e colegas. Contratada para atuar como auxiliar de codificação em um órgão público -como comissionada-, foi obrigada a trabalhar com malote e como auxiliar de portaria. "Os funcionários falavam que iam me dar um par de patins para eu trabalhar mais rápido", diz. Em 2010, após 30 anos na empresa, foi demitida e entrou com processo na Justiça.”


“Em fevereiro deste ano, a rede supermercadista Walmart foi obrigada a pagar indenização de R$ 140 mil para um ex-gestor que diz ter sido obrigado a rebolar e cantar nas reuniões diárias em um escritório no Brasil. Em nota, a empresa diz que "o grito de guerra da companhia tem como objetivo descontrair o ambiente de trabalho antes de reuniões e integrar as equipes" e que a participação não era obrigatória.”


Com a chegada da geração Y (nascidos entre 1978 e 2000) nas empresas, e a maior competitividade entre companhias, casos como o de N. o são cada vez mais comuns, apontam especialistas.


Ambiente ruim favorece abusos: Cultura que não prioriza respeito entre funcionários é causa de assédio moral em empresas.


Segundo a especialista, a maioria das empresas omite casos de humilhação e é cúmplice do problema. "Se o profissional tem deveres a cumprir com a companhia, ela [empresa] também tem de ter com ele", destaca Barreto, que é médica do trabalho.


Para Luciana Santucci, advogada especialista em assédio moral pela Universidade Samford, nos EUA, com a maior reclamação dos trabalhadores, "as empresas vão prestar atenção ao ambiente organizacional da mesma forma que ao faturamento".

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