"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


domingo, 11 de setembro de 2011

Relato 5 (Coleta de Papanicolaou)


Fui chamada para colher um exame pela funcionária escalada para o procedimento e que não conseguira fazê-lo. Durante a coleta perguntei à cliente sobre sua vida sexual ao que ela informou ser inativa. Perguntei então se a mesma se masturbava, pois tinha uma pequena cicatriz, que pelo aspecto de cicatrização não tinha nenhuma relação com a tentativa de coleta. A paciente respondeu com naturalidade que não, mas imagino que ao chegar a sua casa deve ter ficado pensando sobre a pergunta, pois certamente nunca havia sido questionada sobre isso antes. 

A mesma questionou então seu contato no serviço, que a orientou a falar com a gerente (sic gerente). Não sei se a cliente foi pessoalmente ou se fez contato telefônico, o que sei é que a gerente mandou que a usuária fizesse uma carta com sua queixa (método muito utilizado por ela quando quer se armar para 'detonar' alguém). 

Poucos dias depois ela me chamou à sua sala e de forma bastante áspera disse: Que absurdo é esse, de você perguntar à cliente se ela se masturba? Ela fez uma carta se queixando, e deu-me para ler.

Fiquei surpresa com o fato e disse que a cliente não demonstrara nenhuma indignação com a minha pergunta durante a coleta, e que a conversa com ela durante o procedimento ocorrera de forma absolutamente normal.

Eu disse: "Se você quiser, falo com ela, não tive intenção nenhuma de ofendê-la".

Ela durante todo o tempo usava um tom bastante repressor. E afirmou que de jeito nenhum eu ia falar com a mulher, porque aquilo era um absurdo pra se perguntar a alguém. Que imagine só, se uma pessoa “naquela idade” (pouco mais de 50 anos) ia fazer "essas coisas". 

- Para mim, se aquele não for o contexto em que as pessoas tenham a oportunidade de falar com naturalidade da sua sexualidade, quando o terão? 

Mas se para a gerente, que como profissional da saúde, acha que aquele questionamento é um absurdo, e não informa a cliente sobre a importância e legitimidade das perguntas e orientações que pode receber, a partir daquela pergunta, e de sua resposta sincera, o profissional se sente cada vez mais inseguro no trabalho sem autonomia para exercer suas funções de forma adequada e eficiente, e não apenas para cumprir metas de produtividade.






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