"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre" Lance Armstrong


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O risco (ainda) invisível no mundo dos enfermeiros

…”S... anda cansada e deprimida. Acordar para ir trabalhar tornou-se um sacrifício. As dores de cabeça não a largam, e a paciência para os filhos esgota-se. O trabalho não lhe corre bem. Há já vários meses que o ambiente com a enfermeira responsável do Serviço de Cirurgia não lhe é muito favorável, mas agora agravou-se.
Voltou de férias a semana passada e a enfermeira que a ficou a substituir como chefe de equipa, continuou (imaginem, uma miúda que acabou o curso há um ano). Tudo isto na continuação dos silêncios quando dava opinião sobre algum doente ou problema de serviço, das bocas sobre as suas faltas quando os filhos ficavam doentes, até ao momento em que foi desmentida em plena reunião de enfermagem, pela enfermeira responsável.
Que VERGONHA! Todos os colegas mais novos a olharem para ela, sem a defenderem. Nunca em quinze anos a exercer enfermagem tal lhe tinha acontecido. Porque lhe estaria a acontecer tudo aquilo? Onde tinha falhado?”

A profissão de enfermagem constitui um potencial risco para o aparecimento de mobbing (mobbing, bullying, assédio moral, assédio psicológico ou terror psicológico no trabalho têm sido utilizados como sinônimos para definir a violência pessoal, moral e psicológica no trabalho) uma vez que os enfermeiros trabalham em equipas multidisciplinares, sob stress constante, não só por causa dos doentes como também pela relação com a equipe (relações inter-pessoais; gestão de conflitos). A precariedade dos recursos humanos e/ou materiais, a rotina, o trabalho por turnos, o ritmo de trabalho, a pouca autonomia, entre outros, são alguns dos fatores desencadeantes de Assédio Moral.




 
Novas exigências foram incorporadas gerando múltiplos sentimentos: medos, incertezas, angústia e tristeza. A ansiedade ante uma nova tarefa, o medo de não saber, a avaliação constante do desempenho sem o devido reconhecimento, a requisição da eficácia técnica, deixando de lado a excelência, a criatividade e a autonomia, geram tensão e incertezas. As múltiplas exigências para cumprir todas as atividades de enfermagem até ao fim do turno são “transversadas” por abuso de poder de responsáveis de serviço sem formação absolutamente nenhuma em Gestão em Enfermagem, emanando estes frequentes instruções confusas, agressões, maximização dos ‘erros’ e culpas, degradando deliberadamente as condições de trabalho.

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