"Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre"

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

O que é assédio moral no ambiente de trabalho?

Geralmente, o agente que pratica o assédio usa como estratégia o isolamento da vítima



por Guilherme Pereira Paganini*


O Assédio Moral no ambiente trabalho vêm ocorrendo com muita frequência nas relações trabalhistas, geralmente onde existe alguma hierarquia.
Para que ocorra o Assédio Moral ou psicoterrorismo, como também é conhecido, não é necessário que o mesmo seja praticado pelo empregador, pode ser praticado pelo próprio empregado com um colega quando se encontram em uma mesma posição hierárquica, ou ainda entre empregado chefe com empregado subordinado, o que pode até culminar em um pedido de demissão pelo assediado.
Assédio Moral é, portanto, a exposição do empregado/trabalhador a situações humilhantes, vexatórias e constrangedoras de forma permanente e duradoura durante o dia de trabalho e ao longo do período em que está na empresa, desde que seja no exercício de suas funções.
Existem duas principais formas de Assédio Moral, a forma direita e a indireta, vejamos:
Direta: ocorre geralmente quando há acusações, gritos, insultos, humilhações em público, ou seja, na presença de outros empregados ou de terceiros.
Indireta: ocorre geralmente quando há boatos pela empresa, isolamento do empregado quanto aos seus colegas, quando há recusa na comunicação com o empregado/vítima, ou ainda quando há exclusão do convívio social da empresa, etc.
Geralmente, o agente que pratica o assédio usa como estratégia o isolamento da vítima do grupo de trabalho, tenta de toa forma ridicularizar a vítima perante seus colegas, se utiliza de artifícios que tentam de todo modo abalar emocionalmente e profissionalmente.
Isso faz com que a vítima vá perdendo o interesse pelo emprego e a autoconfiança e, muitas vezes, ela acaba entrando para o mundo das drogas e do álcool como uma forma de fugir do problema que está enfrentando todos os dias ao longo de sua jornada profissional.
O Assédio moral nunca pode ser confundido com o Assédio Sexual, pois a única semelhança entre os dois é a ideia de constrangimento. A diferença mais clara que percebemos é que no Assédio moral, o agressor, ou seja, aquele que o pratica, atenta contra a dignidade psíquica da vítima, fazendo com que ela fique constrangida. Ao passo que no Assédio sexual, o ato atentatório é contra a liberdade sexual da vítima, fazendo com que a mesma seja forçada à prática de atos ao qual se nega.
Independentemente de qual seja o assédio praticado, a vítima tem direito a receber indenização a título de dano seja ele material e/ou dano moral.
Porém quando se trata de assédio sexual, vale salientar que o mesmo é tipificado no código penal brasileiro como crime, no art. 216-A que diz, in verbis:
“Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.”
“Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
Portanto, quando ocorre o assédio moral cabe indenização na esfera cível, para recebimento de indenizações. E ao assédio sexual é cabível a indenização cível além da responsabilização criminal.


* Guilherme Pereira Paganini é advogado na Lopes, Nicolau e Trevizano

 Fonte: NBOTUCATU


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Assédio moral no ambiente bancário

Por Everton Alexandre Reis

O sistema bancário é um dos ambientes mais propícios a prática do assédio moral, tudo isso será compreendido através da análise dos fatores abaixo.

 

O Ambiente bancário é um dos ambientes mais propícios à prática de assédio moral, principalmente devido a sua necessidade de cobrança por resultados associada a falta de qualificação de alguns profissionais que extrapolam o limite necessário.

O Assédio Moral consiste na exposição do trabalhador a situações constrangedores, humilhantes de maneira repetitiva e prolongada durante o período de trabalho e no exercício de suas funções, de modo que no ambiente bancário é mais comum encontrarmos através das relações hierárquicas, onde irão predominar condutas negativas, sejam éticas ou até mesmo desumanas de longa duração, dirigida pelo chefe em desfavor de seu (s) subordinado (s), de modo que prejudicará a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, o que comumente, força o próprio empregado a desistir do seu emprego.
 
Essa prática é caracterizada pela deterioração das condições de trabalho, onde irão prevalecer atitudes e condutas negativas dos chefes em relação aos seus subordinados, configurando uma experiência subjetiva que gera prejuízos práticos e emocionais ao trabalho e a organização. Muitas vezes a vítima escolhida é isolada do grupo sem qualquer tipo de explicações, de modo que acaba sendo hostilizada, inferiorizada, até mesmo desacreditada diante dos demais colegas. Já estes por, medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e frequentemente reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando "pacto de tolerância e do silêncio" no coletivo, enquanto a vítima vai gradativamente sendo prejudicada com o assédio e perdendo sua autoestima. 
 
O sistema bancário possui algumas características que fazem com que o mesmo seja um dos mais propícios a esta prática. 
 
  • Estrutura hierarquizada.
  • Burocracia excessiva.
  • Tratamento hostil dispensado pelos gestores dos estabelecimentos bancários e pelos demais colegas aos empregados convalescentes.
  • Institucionalização de um padrão de comportamento dos bancários pautado nas seguintes premissas: ser amável, comunicativo, ter disposição para vender produtos, fidelizar clientes.
 
ATITUDES QUE EXPRESSAM O ASSÉDIO MORAL NO MORAL NO SETOR BANCÁRIO:

 

  • Retirar autonomia do empregado.
  • Contestar, a todo momento, as decisões do empregado.
  • Sobrecarregar o funcionário com novas tarefas.
  • Espelhar rumores a respeito do empregado.
  • Criticar a vida particular do empregado.

 
A vivência desse tipo de situações trazem ao empregado prejuízos emocionais e práticos. A final, a humilhação prolongada interfere diretamente na vida do empregado o que muitas vezes compromete sua relações sociais e afetivas, assim como sua própria dignidade ou identidade, situações como essas podem acarretar sérios danos a saúde psicológica como física, podendo evoluir para um quadro de incapacidade laborativa e até mesmo para a morte, o que deixa que claro que embora pareça ser um risco invisível, seus danos são bem presentes.
O assédio moral faz com que a vítima perca o interesse e o prazer de trabalhar, deixando-a totalmente desestabilizada emocionalmente o que pode fazer com que a sejam agravadas doenças já existentes, como também acarretem o surgimento de novas doenças, o que muitas vezes faz com que o ambiente de trabalho seja prejudicado e atinja outro colegas, situações como essas refletem diretamente na queda da produtividade e qualidade, vez que a ocorrência de doenças profissionais fazem com que exista grande rotatividade de trabalhadores e o crescimento de ações judiciais pleiteado direitos trabalhistas e indenizações em razão do assédio sofrido. 


 Apostila – Assédio Moral em Estabelecimentos Bancários – MPT 2013.

Fonte: JusBrasil

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Assédio moral, a cultura da agressão que não faz bons líderes

Por 

Hodiernamente, fala-se muito em liderança, principalmente pelo viés motivacional que o conceito carrega. Porém, há também um aspecto destrutivo que permeia a prática de liderança corporativa nas relações de trabalho, onde, não raro, se confunde autoridade com agressão.
É comum o relato de trabalhadores que suportam assédio moral praticado por seus superiores em grandes corporações, sendo submetidos a políticas empresariais reprováveis, degradantes e ilegais.
Nesse contexto, destaca-se a figura do ijime, assédio moral caracterizado pela imposição no cumprimento de metas excessivas a qualquer custo, como forma de ascensão funcional, imprimindo rigor significativo no tratamento dos subordinados.
Ijime (que significa maltratar, judiar) é o vocábulo utilizado no Japão para descrever ofensas e humilhações, como também pressões em grupos empresariais com o objetivo de “formar” profissionais ou reprimir aqueles que não se adaptam. Caso o indivíduo não faça as tarefas determinadas com perfeição, é castigado por meio do ijime.
Esse sistema de “liderança” funciona como lavagem cerebral que gera no vencedor a indevida noção de que a ascensão funcional pressupõe subordinação à tratamentos e exigências descabidas e, não raro, ilegais. E isso, mediante pressões psicológicas das mais diversas (ameaças, isolamento, discriminação, cobrança de metas excessivas etc.), em detrimento da dignidade de tais trabalhadores.
No âmbito do comércio varejista, por exemplo, é comum a prática da chamada venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor), quando vendedores são instruídos a se valer de artifícios maliciosos para enganar clientes na venda de serviços acessórios (garantias e seguros), embutindo valores adicionais na venda da mercadoria comercializada, sem a anuência do cliente, se preciso for.
E isso, por imposição hierárquica, com excessiva cobrança no cumprimento de metas, mediante severa pressão psicológica. De tal feita, empregados se veem constantemente em situações contrárias aos bons costumes, sendo “motivados” pelo empregador a maquiar a venda de serviços na conta, sem a anuência do cliente.
E tudo isso como forma de incentivo à ascensão funcional e melhores salários. Em muitos casos, a garantia do emprego de tais profissionais do ramo depende de bons resultados na “arte” da venda casada.
Qual profissional em plena consciência não seria resistente a tais imposições de um sistema de sucesso de práticas ilegais e desonestas? Inseridos nesse modus operandi, tais profissionais acabam por sofrer lesão a direitos fundamentais de aspectos mais íntimos da personalidade humana, como a honra e imagem.
A tutela jurídica desses bens está expressa na Constituição Federal de 1988, que não só proclama a dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado Democrático de Direito, como que são invioláveis “a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas”, assegurando o direito a indenização por danos morais decorrentes de sua violação.
Portanto, além de retrógrado e ineficiente, o exercício de liderança empresarial que substitui autoridade por agressão não é nada lucrativo. Pelo contrário, o prejuízo econômico será inevitável quando ações judiciais desencadearem avalanches de indenizações em favor de trabalhadores lesados.
E é justamente nesse momento que, pelo efeito pedagógico de uma condenação judicial, o empresariado chega à conclusão de que a cultura da agressão não faz bons líderes.

 Fonte: ConJur

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Assédio moral no trabalho: consequências psicológicas

Por: Ane Caroline Janiro

O assunto é delicado, mas para compreender bem seus aspectos, vamos primeiro falar sobre o que pode ser caracterizado como assédio moral no ambiente de trabalho:

É quando pessoas, ao exercerem suas funções profissionais, são expostas a situações humilhantes e/ou constrangedoras, de forma repetitiva e prolongada, normalmente em relações hierárquicas, ou seja, de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinados. Não deve ser confundida com uma situação pontual e isolada, “um dia ruim” ou um momento de estresse.

Basicamente, o assédio moral pressupõe que haja uma repetição dos eventos humilhantes; uma intencionalidade (que na maior parte dos casos é a de forçar o indivíduo a pedir demissão); uma direcionalidade, ou seja, uma pessoa ou um grupo é o alvo das contantes exposições vexatórias; uma temporalidade (o que significa que ocorre durante a jornada de trabalho e em um determinado período de tempo: dias, semanas, meses); uma degradação deliberada das condições de trabalho.

Mas é claro que devemos ficar atentos também às situações pontuais onde haja o constrangimento, o que também não deve ser permitido.

Consequências

Quando falamos em assédio moral no trabalho, falamos também de consequências e sintomas que normalmente não são associados a esses eventos de forma rápida e eficaz. Ainda, a cultura das empresas tende a menosprezar o sofrimento psicológico de seus funcionários, que raramente são acolhidos pelos programas internos voltados à saúde e bem-estar do trabalhador, o que agrava cada vez mais suas condições emocionais e queda na produtividade.

As humilhações sofridas no ambiente profissional tem como principais sinais o desenvolvimento de quadros de depressão (que podem desencadear também a Síndrome do Pânico), distúrbios do sono, palpitações, hipertensão, distúrbios digestivos, transtornos alimentares, dores generalizadas, alteração na libido, alcoolismo, tremores, Síndrome de Burnout, ideações e tentativas de suicídio. Ou seja, as consequências antes “invisíveis” podem chegar ao ponto de serem insuportáveis ao trabalhador que, em muitos casos, resiste em pedir demissão por medo, situação financeira desfavorável, sentimentos de culpa e incapacidade, entre outros.

É comum que a pessoa evite falar sobre o assunto e que assuma para si responsabilidades acima de suas capacidades, tudo porque internaliza as humilhações sofridas e pode passar a acreditar que o agressor tem razão em diminuí-la em suas habilidades e funções.

A perda da auto-estima então é a consequência mais frequente.

Apoio psicológico

É importante que a vítima do assédio moral no trabalho saiba que ela não é o problema e assim possa se munir contra as agressões, não de forma a “revidar”, mas sim buscando o apoio adequado. Uma das formas é buscando a orientação do Centro de Referência em Saúde dos Trabalhadores e relatar com detalhes os eventos de humilhação e constrangimento (se possível com anotações de datas e também com relatos de testemunhas que presenciaram ou que também sofreram as agressões) ao médico, assistente social ou psicólogo.

O papel do psicólogo neste caso é de grande importância, porque além de trabalhar com os sintomas já apresentados, ele irá também auxiliar na utilização de estratégias para lidar com o agressor. Irá ainda considerar os aspectos abalados da auto-estima do indivíduo, levando a uma ressignificação do trabalho na vida daquela pessoa (que pode ter sido comprometida seriamente em alguns casos).

Ao psicólogo inserido nas Organizações, cabe também o papel de observação atenta, já que é impossível separarmos as condições emocionais e psicológicas dos trabalhadores do bom desempenho de suas tarefas e da produtividade da empresa como um todo. Algo que, é claro, muitas empresas ainda precisam olhar com maior cuidado e seriedade.

Fonte:  Psicologia Acessível

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Atenção Portugal!! Assédio moral no trabalho em debate no IPVC esta sexta-feira

Assédio moral no trabalho em debate no IPVC esta sexta-feira


O Instituto Politécnico de Viana do Castelo vai ser palco de um debate sobre assédio moral no trabalho, na próxima sexta-feira, num seminário que conta com vários especialistas em análise de riscos psicossociais.

A iniciativa “Riscos Psicossociais no Trabalho: o fenómeno do Assédio Moral” acontece no âmbito da unidade curricular de Gestão dos Recursos Humanos, do Mestrado de Gestão das Organizações, e tem lugar no auditório Francisco Sampaio, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, a partir das 18.30 horas.

Segundo avança António Cardoso, docente do IPVC e membro da organização, “as condições de trabalho e de vida em geral têm-se degradado com a recente crise económica e, sequentemente, são cada vez mais visíveis os riscos emergentes ligados, quer os relativos ao desemprego e à precarização no trabalho, quer a outros de caráter psicossocial, riscos esses amiúde presentes nas próprias organizações e condições do trabalho, tais como o stress, assédio moral/mobbing, burnout e/ou depressão”.

Numerosos estudos apontam que “estes riscos psicossociais têm enormes consequências para a saúde dos trabalhadores, economia e sociedade em geral”, refere o docente.

O membro da organização considera ainda que “este é um tema que tem merecido a atenção dos diversos atores, no estudo, no controlo e no tratamento do fenómeno, tais como universidades, órgãos de soberania (parlamento, governo, justiça) organizações e gestores, sindicatos, serviços e autoridades de saúde, higiene e segurança no trabalho”, justificando a realização deste seminário.

São várias as temáticas a abordar ao longo do debate que tem início ao final da tarde de sexta-feira. O seminário abre com a temática da “Prevenção de Riscos Psicossociais – o caso do Assédio Moral”, protagonizada por Hernâni Neto, sociólogo e investigador, IS-Universidade do Porto.
O Assédio Moral ou Mobbing: proposta de soluções (iuri condendo) vai ser apresentado por  Nuno Cerejeira Namora, advogado, especialista em direito do trabalho.
A programação encerra com a intervenção de Ana Maria Palhares, advogada e ex-vereadora da Câmara Municipal de Viana do Castelo, que vai apresentar “Um caso prático de Assédio/Bullying ou Mobbing em contexto de empresa: breve abordagem sobre uma particularidade – a formação profissional”.
A iniciativa é aberta a todos os interessados e a entrada é livre.

Fonte: Rádio Alto Minho

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Assédio moral: professor entenda como se proteger desse tipo de situação


Palavras ofensivas, atitudes abusivas, humilhações recorrentes. Ações que isoladamente não representam muito, mas que ao serem praticadas repetidas vezes contra uma mesma pessoa podem ser psicologicamente destrutivas. Mal que apesar de existir desde os primórdios da civilização, passou a ser identificado apenas no século passado como assédio moral.

No ambiente de trabalho essas atitudes podem representar muito mais do que o desejo de realizar uma brincadeira – de mau gosto –, já que frequentemente tem a intenção de coagir a vítima.

Enquanto o assédio moral é uma sequencia de atos praticados habitualmente com o objetivo de enfraquecer o empregado a fim de  eliminá-lo do grupo de trabalho, o dano moral representa o resultado efetivo da ação. Por não se tratar de um objeto palpável ou mensurável, muitas vezes o indivíduo sofre as consequências sem saber ao certo que está sendo vítima.

Sou vítima de assédio moral. O que fazer?

1. O primeiro passo é juntar o máximo de provas a seu favor, como fotos constrangedoras, e-mails vexatórios, gravação e depoimentos de testemunhas.

2. Sempre dê publicidade ao fato. Primeiramente converse com o autor do assédio. Se não surtir efeito, encaminhe o caso ao superior do assediador, à ouvidoria interna do estabelecimento de ensino.

3. Se houver afastamento do trabalho por motivos de saúde ocasionados pelo sofrimento decorrente do assédio, converse com o médico sobre a real causa da angústia. Não se esqueça de guardar todos os documentos capazes de reforçar a prova do dano, como receitas de medicamentos (antidepressivos, por exemplo), atestados e laudos médicos.

4. Caso o problema não consiga ser resolvido internamente, junte todas as provas obtidas e denuncie ao Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro/AL) e/ou ao Ministério Público do Trabalho.

Fonte: Sinpro Alagoas

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Depressão é uma das doenças que mais afastam trabalhadores

Assédio moral, que abrange humilhações, perseguição e agressões verbais são os principais fatores que prejudicam a saúde mental no ambiente de trabalho

 A Justiça do Trabalho de Mato Grosso do Sul condenou uma operadora de telemarketing de Campo Grande apagar R$ 3 mil de indenização por danos morais e materiais a uma assistente técnico que trabalhava no call center da empresa e desenvolveu depressão moderada e transtorno do pânico, alegando que era tratada de forma ríspida e com xingamentos.
A empresa negou as acusações, mas o laudo pericial apontou que o trabalho foi um fator desencadeante para o desenvolvimento das doenças psicológicas da empregada e as testemunhas também confirmaram o tratamento ríspido e xingamentos por parte de superiores.

"A forma como a trabalhadora era tratada pelos prepostos da empresa era de fato desrespeitosa e muito exigente, e uma pessoa sensível ou que tenha algum problema psíquico-emocional pode sim desencadear ou ter agravado um quadro depressivo ou de outros problemas psíquico-mental em razão desse tipo de tratamento", afirma o relator do processo, Desembargador do Trabalho Francisco das C. Lima Filho.

O magistrado ainda esclarece que esse tipo de doença - depressão e transtornos do pânico - pode, em certas condições, ser considerada como doença do trabalho equiparada pela legislação trabalhista como acidente do trabalho. "A decisão tem grande importância e pode servir de alerta para os exageros que, às vezes, são cometidos, especialmente quando se leva em conta o novo modelo de desenvolvimento e as novas formas de trabalho baseados em tecnologias invasivas, quase sempre baseados no cumprimento de metas para as quais muitos trabalhadores não foram preparados", explica Francisco.

Doença recorrente
 
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a depressão está entre as 20 doenças que mais afastam trabalhadores do mercado de trabalho, ocupando o 8º lugar no ranking nacional. De janeiro a novembro de 2015, foram concedidos 60.435 benefícios de auxílio-doença por episódios depressivos e transtornos depressivos recorrentes no Brasil.

O auxílio-doença é o benefício que o segurado da Previdência Social recebe, mensalmente, ao ficar incapacitado para o trabalho, por mais de 15 dias, por motivo de doença ou acidente. Pode ser previdenciário (sem relação com o trabalho) ou acidentário (quando relacionado à atividade profissional). No caso da depressão, o auxílio previdenciário corresponde a 95% dos afastamentos pela doença.

Ainda de acordo com a Previdência, o número de auxílios-doença concedidos em razão de transtornos mentais ou comportamentais tem crescido drasticamente. De 2006 para 2007, por exemplo, o número de auxílios-doença acidentários por transtornos mentais subiu de 615 para 7.695 e, no ano seguinte, passou para quase 13 mil. No total, de 2004 a 2013, há um incremento da ordem de 1964% para esta concessão.

A alta demanda de trabalho, o desequilíbrio entre esforço e recompensa, a dedicação exclusiva ao trabalho e o assédio moral, que abrange humilhações, perseguição e agressões verbais são os principais fatores que prejudicam a saúde mental no ambiente corporativo.

Devido à importância do assunto, o tema "Transtornos Mentais relacionados ao Trabalho" foi escolhido pelo presidente do Conselho Superior do Trabalho (CSJT), ministro Ives Gandra Martins Filho, ,para pautar no biênio 2016/2017 o Programa Trabalho Seguro - uma iniciativa de toda a Justiça do Trabalho para implementar medidas buscando contribuir diretamente para a redução de acidentes de trabalho e valorização da saúde e da vida dos trabalhadores.

Fonte: a crítica